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Biblioteca Salomão Malina transmite final da batalha de poesias Slam-DéF

FAP faz retransmissão do evento, que será realizado de forma virtual com poetisa e poetas da periferia do DF

Cleomar Almeida, assessor de comunicação da FAP

A etapa final da batalha de poesias do Slam-DéF será realizada, nesta quinta-feira (17), de forma virtual, com transmissão ao vivo pela página da Biblioteca Salomão Malina no Facebook, que é mantida pela FAP (Fundação Astrojildo Pereira), em Brasília. O vencedor vai representar o Distrito Federal na competição nacional do Slam-BR, realizada, anualmente, em São Paulo, com slammers de todo o país.

Em seu site e em sua página no Facebook, a FAP faz a retransmissão da final, para a qual foram classificados a poetisa Rebeca de Assis e os poetas Mc. Oráculo, Robson Silva e Mano Dáblio. Eles conseguiram passar para esta última etapa em duas eliminatórias realizadas, nos dias 20 e 27 de agosto, também de forma virtual (confira nos vídeos abaixo).








Da mesma forma como ocorreu nas eliminatórias, a votação do público será online e terá as instruções explicadas, no início da etapa final, pelo coordenador do Slam-DéF, Will Júnio, que é o mediador da disputa.

O slam nasceu em Chicago, Estados Unidos, nos anos 1980. Chegou ao Brasil duas décadas depois. No Distrito Federal, começou em 2015, com o Slam-DéF, que também atua no Entorno. O grupo integra diversas pessoas de qualquer idade, de cor, raça, etnia e orientação sexual. A data da competição nacional do Slam-BR ainda não foi divulgada.

Veja também:

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Mulheres da periferia discutem sociedade sexista em live da Biblioteca Salomão Malina


José Casado: Um oceano de cloroquina

Há suficiente para abastecer por 38 anos o mercado nacional

Já são mais de 80 mil mortos. É como se desaparecesse toda a população de uma cidade do tamanho de Três Rios (RJ), Ibiúna (SP), Viçosa (MG) ou Camboriú (SC).

Sem rumo na pandemia, o governo passou a pressionar estados e municípios. Quer impor cloroquina como tratamento do vírus. Sem base científica, não consegue justificar a transformação desse medicamento no motor de suas ações contra o vírus.

Expõe-se na coação de agentes públicos sob motivação política, em decisão moldada à campanha de reeleição de Bolsonaro. Enquanto isso, ele posa para fotografias levantando uma caixa do remédio como troféu. Fez isso no fim de semana nos jardins do Palácio da Alvorada.

Com a encenação tenta ocultar a inépcia administrativa que deve acabar na Justiça. Nela, Bolsonaro envolveu seus generais-ministros Fernando Azevedo (Defesa) e Eduardo Pazuello (interino na Saúde).

Entre abril e junho, o governo recebeu 2,5 milhões de comprimidos do Exército. Em um trimestre o laboratório militar fabricou remédio suficiente para consumo próprio por mais de uma década, considerada a escala de produção antes da pandemia.

Já havia encomendado 3 milhões de unidades à Farmanguinhos para o programa antimalária. Pediu mais 4 milhões para entrega neste mês. Ao mesmo tempo, recebeu outros 2 milhões doados pelos Estados Unidos a pedido de Bolsonaro, de acordo com a embaixada americana.

Somam 11,5 milhões de doses. É suficiente para abastecer por 38 anos o mercado nacional, onde se consomem 300 mil comprimidos por ano. O governo aderna, sem saber o que fazer, num oceano de cloroquina.

Manipulação da Ciência não é novidade na biografia do presidente. Era deputado, 50 meses atrás, quando comandou o lobby da fosfoetanolamina. A “pílula da cura do câncer” foi liberada por lei e sancionada por Dilma Rousseff, mesmo sem base científica. Acabou vetada pelo Supremo, a pedido de entidades médicas, por “risco grave à vida”. Com a cloroquina, Bolsonaro está indo além: arrasta o governo e o Exército numa obsessão que, talvez, Freud explique.


Elena Landau: Rios de tinta

Separei as melhores piores frases de Guedes ditas desde o início da pandemia

Meu querido mestre Sergio Bermudes conseguiu vencer o covid-19 depois de meses de muita luta. Grande notícia. Resolvi estudar Direito depois dos 40. Teria cinco anos de curso pela frente e estava impaciente para aprender. Pedi uma lista de leitura a um jovem professor. Com ar blasé ele respondeu: “melhor esperar”. Tudo tem seu tempo. Quase desisti do curso ali.

Um amigo me sugeriu conversar com Bermudes. Eu só o conhecia de nome por conta de uma vitória emblemática durante a ditadura. Muito jovem, foi o autor da petição inicial do caso Vladimir Herzog. Propôs uma ação civil pedindo que o Judiciário reconhecesse a responsabilidade do Estado pela morte do jornalista. Pela primeira vez, o Estado reconhecia que o Estado usava a tortura como instrumento.

Tomei coragem e pedi uma reunião, sem muitas esperanças. Me recebeu em sua casa para um delicioso almoço, em todos os sentidos.

Após quatro horas, saí de lá não só com uma lista de livros, mas com o convite para usar sua famosa biblioteca no escritório.

No antigo prédio da Marechal Câmara não havia espaço para me acomodar, nem mesmo uma mesa disponível. Sergio cedeu o sofá de sua sala e, na sua ausência, sua própria mesa. Isso foi em abril de 2002. Nesses 18 anos, fui estagiária, consultora para assuntos econômicos, sócia, e, acima de tudo, ele foi meu confidente, amigo e parceiro de dança.

Ouvindo suas teses nas discussões de casos com meus colegas aprendi muito mais que nos cinco anos de faculdade. Nos almoços, na disputada mesa da copa, as histórias, as piadas e a poesia são a sua marca, nada de trabalho. Me lembro dele declamando A Carolina, de Machado de Assis, em uma de nossas reuniões. Foi o primeiro de vários poemas e sonetos por ele recitados. Tem uma memória melhor do que elefante.

Nestes três meses que esteve lutando pela vida, Sergio não presenciou o criminoso tratamento deste governo com os infectados pelo vírus. Não ouviu o presidente debochar da gravidade da epidemia. Perdeu a demissão de dois ministros da Saúde e a entrega do cargo, de forma interina, a mais um dos militares, entre os 3 mil, que compõem este governo. Quando voltar a ler seu jornal diário vai ver que o número de mortos consegue lotar um Maracanã. Vai ficar surpreso com o fato que ainda não temos um ministro da Saúde e que as estatísticas confiáveis agora são aquelas divulgadas pelo pool de veículos da imprensa. Já imagino ele me perguntando: “o piloto sumiu?” Sumiu, está alimentando emas no palácio.

Sergio adora comentar as notícias do dia. Nos almoços, sempre vem com as inevitáveis perguntas sobre futebol, especialmente quando o Botafogo perde, e a economia do país: “e o dólar?” “Essa privatização da Eletrobrás sai mesmo?” E, em uma piada interna, vai perguntar o que estou achando do Pacheco, o personagem do Eça de Queiroz que é usado entre nós para identificar uns economistas que se acham.

Fui resgatar as frases de Guedes ditas desde o início da pandemia para contar a ele as peripécias de um Pacheco. Comecei com a “com 3,4 ou 5 bilhões a gente aniquila o vírus e os “40 milhões de testes semanais que o amigo inglês garantiu que vão chegar na semana que vem”, junto com a reforma tributária.

Nessa pesquisa das melhores piores frases de Guedes, encontrei uma dita ainda no início da campanha:

“Bolsonaro reconheceu que não entendia nada de economia (…) Queria um cara que estivesse ‘na lua’ e eu, por acaso, estava na lua”. Profética.

Sergio é o avesso da superficialidade. Mesmo sendo o grande processualista que é, e sabendo os Códigos de cor, continua, a cada caso, a buscar na lei a confirmação da estratégia escolhida para atender ao cliente. Filólogo, tem o Houaiss ao alcance da mão. Participar dos seus ditados para uma petição é um privilégio. Das teses jurídicas ao correto significado de cada palavra, tudo se aprende.

As peças do escritório tem sua marca pessoal. Usa títulos que levam o leitor direto à tese usada para explicar o mérito do pedido.

Nada de receita de livro-texto, como “Das Preliminares” ou “Do Pedido”. Os estagiários do escritório sofrem nas mãos de professores caretas. Eu quase fui reprovada por usar na prova seu estilo.

Sergio não gosta de petições longas e uma de suas expressões que mais me diverte é “Dispensem-se rios de tinta para demonstrar a nitidez da situação”. Descrever de forma concisa uma questão complexa é difícil, mas torna temas áridos em leitura acessível. Não vê necessidade de mostrar sua erudição mesmo tendo lido centenas de livros, no original.

Para escrever tudo que Sergio contribuiu para o Direito no país, e, especialmente, para minha vida, teria que gastar um rio Amazonas.

*Economista e advogada


Deputado Luiz Paulo aborda crise fiscal no 7º webinar Reinventar o Rio de Janeiro

Parlamentar está em seu quinto mandato na Alerj; evento online tem transmissão ao vivo no site e página da FAP no Facebook

Cleomar Almeida, assessor de comunicação da FAP

O deputado estadual Luiz Paulo Correa da Rocha (PSDB-RJ) vai discutir a crise fiscal do Rio de Janeiro com todos os internautas interessados, nesta terça-feira (7), das19h30 às 21h, em um debate online que busca contribuir para a melhoria da cidade maravilhosa. Realizado pelo Cidadania 23 do município com apoio da FAP (Fundação Astrojildo Pereira), o sétimo webinar da série Reinventar o Rio de Janeiro terá transmissão ao vivo no site da entidade e em sua página no Facebook.

Durante o webinar, Rocha vai abordar os principais assuntos e apontar saídas para a saúde financeira do município. Ele é engenheiro civil formado pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), com mestrado em transporte pelo Coppe. Foi, também, professor titular de Topografia da Faculdade de Arquitetura Silva e Souza. Iniciou sua vida pública há mais de 54 anos, no Departamento de Estradas e Rodagens da Guanabara.

Assista ao vivo!

https://www.facebook.com/facefap/videos/722872825113594/

Luiz Paulo está em seu quinto mandato na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro). De acordo com o site da Casa, ele é defensor intransigente da democracia e de ações que se destinem a atrelar o desenvolvimento econômico ao social. Autor de mais de 100 leis, também tem se dedicado intensamente à luta contra a indústria das multas, à defesa dos servidores públicos, ao combate aos abusos e arbitrariedades do Estado e da iniciativa privada, nas situações de mediação de conflitos entre os Poderes e a sociedade com a ótica dos menos favorecidos.

A série de webinars Reinventar o Rio de Janeiro pretende também mobilizar lideranças para interferir nas discussões e possíveis intervenções sobre o futuro da cidade maravilhosa. A ideia é manter o comprometimento do partido de buscar sempre melhorias para a cidade, mesmo no período de isolamento social decorrente da pandemia do coronavírus. Webinar evita a aglomeração física de pessoas no mesmo local e possibilita grande participação online de interessados.

Veja vídeos de outros webinars da série Reinventar o Rio de Janeiro:

Vinicius Muller discute ética e política no sexto webinar Reinventar o Rio de Janeiro

Raul Jungmann avalia segurança pública em webinar Reinventar o Rio de Janeiro

Danielle Carusi discute desigualdade no quarto webinar Reinventar o Rio de Janeiro

Ligia Bahia aponta desafios da saúde no terceiro webinar Reinventar o Rio de Janeiro

Washington Fajardo discute cidade em webinar Reinventar o Rio de Janeiro

Confira a abertura da série Webinar Reinventar o Rio de Janeiro


Videoconferência aborda a pandemia e saídas para a economia

A FAP retransmite o debate, ao vivo, por meio de seu canal no Youtube, em sua página no Facebook e no siteCiclo Diálogos, Vida e Democracia é realizado pelo Observatório da Democracia

Nesta segunda-feira, 22/06, ocorre a mesa Pandemia, saídas para a economia, que faz parte do Ciclo Diálogos, Vida e Democracia, uma série de videoconferências promovidas pelo Observatório da Democracia(OD), que chega à sua 15ª edição.

O debate será transmitido on-line e gratuitamente pelo canal no Youtube do Observatório (clique aqui). Em seu site, na sua página no Facebook e em seu canal no Youtube, a FAP (Fundação Astrojildo Pereira) fará a retransmissão da webconferência.

Assista ao vivo!

https://youtu.be/Xevu90u7miA

A mesa é coordenada por Miriam Belchior, que é ex-ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão. Participam também o ex-ministro do Planejamento e da Fazenda Nelson Barbosa, o economista, pesquisador visitante na Harvard Kennedy School, Nelson Marconi e o consultor tributário e professor do Instituto Brasiliense de Direito Público, Everardo Maciel.

Pela segunda vez, o tema das saídas para a economia estará sendo debatido em uma videoconferência do Ciclo Diálogos, Vida e Democracia. Trata-se de debate fundamental neste momento em que o Brasil vive uma grave crise financeira, que penaliza sobretudo os mais necessitados, aumentando o abismo social em que vive o povo brasileiro. Como está e como vai ficar nossa economia são alguns dos assuntos que serão tratados nesta edição.

Conheça mais os convidados:
Coordenação Miriam Belchior – ex-ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão, e ex-presidente da Caixa Econômica Federal.

Nelson Barbosa – ex-ministro do Planejamento e da Fazenda no governo Dilma Rousseff, e ex-secretário de Acompanhamento Econômico e ex-secretário de Política Econômica do governo Lula.

Nelson Marconi – economista, pesquisador visitante na Harvard Kennedy School, professor da FGV-EAESP, vice-presidente da Fundação Leonel Brizola-Alberto Pasqualini de SP e coordenador do programa de governo de Ciro Gomes em 2018.

Everardo Maciel – consultor tributário, ex-secretário da Receita Federal, professor do Instituto Brasiliense de Direito Público e da Escola de Magistratura do 1º TRF, ex-secretário de Fazenda, de Planejamento e de Educação de PE, ex-secretário de Fazenda e Planejamento do DF, ex-secretário-executivo dos ministérios da Educação, da Casa Civil, do Interior e da Fazenda.

O ciclo conta com a realização de diversas mesas temáticas feitas por videoconferências, sempre a partir das 14h30. As seguintes acontecerão no dia 25/06 (quinta-feira) Educação e Crise (Gestores) e 29/06 (segunda-feira) Educação e Crise (Entidades).

O Observatório da Democracia é formado pelas Fundação Perseu Abramo (PT), Fundação João Mangabeira (PSB),Fundação Mauricio Grabois (PCdoB), Fundação Lauro Campos e Marielle Franco (PSOL), Leonel Brizola-Alberto Pasqualini (PDT), Fundação da Ordem Social (PROS) e Fundação Claudio Campos e Fundação Astrojildo Pereira (Cidadania).

Serviço
Ciclo Diálogos, Vida e Democracia – Videoconferências

Mesa 15: Pandemia, saídas para a economia 2
Data: 22/06 (segunda-feira)
Horário: 14h30
Onde: Acompanhe as webconferências do ciclo Diálogos, Vida e Democracia, no Facebook, pelas páginas das fundações Astrojildo Pereira, Claudio Campos, Leonel Brizola-Alberto Pasqualini, Perseu Abramo, Lauro Campos e Marielle Franco, Mauricio Grabois e da Ordem Social e João Mangabeira.

Ou se inscreva no canal do Observatório da Democracia no youtube:

A programação completa pode ser acessada aqui


Luiz Carlos Trabuco: Em busca do consenso possível

A pandemia está nos dando muitas lições, entre as quais a importância da cooperação e da corresponsabilidade

Passados mais de três meses do início da epidemia da covid-19 no Brasil, já está bastante claro qual será o custo econômico que teremos de enfrentar neste e nos próximos anos. O déficit primário subirá para R$ 700 bilhões em razão dos gastos com os programas de combate ao coronavírus, segundo estimativa da Secretaria do Tesouro, bem mais do que o previsto no início de 2020. Como haverá necessidade de financiamento para conter esse déficit, a dívida pública deve aumentar. Analistas já preveem uma dívida próxima dos 100% do PIB.

Depois do achatamento da curva da pandemia, é o achatamento da curva dívida/PIB o principal desafio dos gastos da pandemia. Quanto mais achatada estiver essa curva, maior será a capacidade de voltar a crescer.
Já enfrentamos cenários difíceis e conseguimos superá-los. Foi assim com a inflação, a dívida externa e os juros.

Para que o Brasil superasse esses desafios houve um fator em comum, que foi a criação de um ambiente favorável à construção do que eu chamo de estado do consenso possível.

Trata-se de um acordo tácito que leva o governo, o Congresso, os partidos políticos, os empresários e os trabalhadores a convergirem em torno de uma agenda mínima a ser implantada.

Acredito que o País está preparado para um acordo sobre como pagar essa conta que chegará ao final da pandemia do novo coronavírus.

A premissa central desse acordo é deixar de lado a ideia de que existe um pacote mágico de medidas. Esse tempo já passou. Será preciso pactuar os interesses, respeitar as diferenças, identificar as prioridades com bom senso, mobilizar a sociedade sobre o que será preciso ser feito.

As alternativas técnicas estão sobre a mesa, o caminho será resultado de diálogo político e convergência pragmática das ideias. As diferenças e divergências políticas não podem ser maiores que o sentimento de urgência para a volta do crescimento econômico, dos investimentos e da criação de empregos.

A equipe econômica dá um exemplo concreto na direção do consenso possível ao restabelecer, no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), prioridade para a privatização ainda neste ano da Eletrobrás, Correios, Porto de Santos e Pré-Sal Petróleo S/A. Trata-se de uma informação importante, que pode dar tração à mudança de expectativas dos investidores – algo que tanto necessitamos.

Outra boa notícia vem do Congresso com o avanço do novo marco regulatório para o saneamento. Uma reforma tributária está amadurecendo, com sinalizações positivas do governo federal, de governadores, de líderes do Congresso e entidades do empresariado. É tema complexo, que exige negociações exaustivas, dedicação, paciência e tolerância de todas as partes envolvidas.

A reforma administrativa é outro exemplo de tema que deve ser encarado como prioridade. A iniciativa privada respondeu à crise da covid-19 com medidas gerenciais de aumento da eficiência. É com esse conceito que estamos conseguindo superar a brusca redução da atividade econômica. A reforma administrativa nada mais é que dotar o setor público de ferramentas para aumentar sua eficiência nesse momento de superação da crise.

Temos a nosso favor, para a retomada do crescimento econômico, juros básicos historicamente baixos. Além de um estímulo ao consumo, tão necessário para a indústria e o comércio, esses juros permitirão que pessoas e empresas se apoiem em mais crédito para a realização de projetos e invistam em novos negócios.

O que desejamos realmente é um Estado mais eficiente, moderno e que não perca de vista suas funções precípuas e compromissos com o bem-estar da sociedade. O maior deles, a responsabilidade fiscal, que é a base necessária para a reconstrução de uma economia melhor e mais justa.

A pandemia está nos dando muitas lições, entre as quais a importância da cooperação e da corresponsabilidade. Seu maior legado, porém, é a esperança de que dias melhores virão.

PRESIDENTE DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DO BRADESCO


Washington Fajardo discute cidade em webinar Reinventar o Rio de Janeiro

Arquiteto vai interagir com o público em transmissão ao vivo pelo site e Facebook da FAP

Cleomar Almeida, assessor de comunicação da FAP

O arquiteto e urbanista Washington Fajardo vai discutir com o público, nesta quinta-feira (13), das 19h30 às 21h, pontos importantes da cidade na segunda das nove webinars da série Reinventar o Rio de Janeiro, realizada pelo Cidadania 23 do município com apoio da FAP (Fundação Astrojildo Pereira). A entidade vai fazer a transmissão ao vivo, aberta a todos os interessados, em seu site e em sua página no Facebook.

Gargalos da cidade do Rio de Janeiro, como o poder das milícias e sua atuação em diversas esferas, e caminhos para solucioná-los serão levantados durante a discussão. Editorial do jornal O Globo da última terça-feira (16) cita a preocupação de Fajardo. “O Rio está num fio da navalha, podendo virar uma Nápoles facilmente, onde nada é feito sem participação de mafiosos”, alerta ele, no texto.

De acordo com a organização da série de webinars, o objetivo dos debates online é mobilizar lideranças para interferir nas discussões e possíveis intervenções sobre o futuro do Rio de Janeiro. A ideia, conforme divulgado, é manter o comprometimento do partido de buscar sempre melhorias para a cidade, mesmo no período de isolamento social decorrente da pandemia do coronavírus. Webinar evita a aglomeração física de pessoas no mesmo local e possibilita grande participação online de interessados.

A série de webinars Reinventar o Rio de Janeiro começou na última terça-feira (16) e seguirá até o dia 14 de julho, com discussões sobre crise fiscal do Rio de Janeiro, saúde, segurança, desigualdade, pobreza, programas sociais, ética e política, sempre às terças e quintas-feiras, das 19h30 às 21h.

Leia também:

Confira a abertura da Série Webinar Reinventar o Rio de Janeiro


Presidentes de partidos debatem Democracia e política em webconferência

A FAP retransmite o debate, ao vivo, por meio de seu canal no Youtube, em sua página no Facebook e no siteCiclo Diálogos, Vida e Democracia é realizado pelo Observatório da Democracia

Nesta quarta-feira,17/06, acontecerá às 14h30 a mesa Democracia, Política e Partidos, que faz parte do Ciclo Diálogos, Vida e Democracia, uma série de videoconferências promovidas pelo Observatório da Democracia (OD), que chega a sua 14ª edição.  A mesa será coordenada por Roberto Freire, que é presidente nacional do Cidadania. Participam também o ex-deputado federal (PSDB/PE) e secretário executivo do Instituto Teotônio Vilela Betinho Gomes; o presidente nacional do PDT Carlos Lupi, o presidente nacional do PSB Carlos Siqueira, o presidente nacional do PROS Eurípedes Gomes de Macedo Jr, a deputada federal PT/PR e presidenta nacional do PT Gleisi Hoffmann, o presidente nacional do PSOL Juliano Medeiros, a vice-governadora de Pernambuco e presidenta nacional do PCdoB Luciana Santos e o socioambientalista, membro da Carta da Terra Internacional e porta-voz nacional da Rede Sustentabilidade, Pedro Ivo.

O debate será transmitido on-line e gratuitamente pelo canal no Youtube do Observatório (clique aqui). Em seu site, na sua página no Facebook e em seu canal no Youtube, a FAP (Fundação Astrojildo Pereira) fará a retransmissão da webconferência.

Assista ao vivo!

https://www.youtube.com/watch?v=tVCXF6s1Ofw&feature=youtu.be

Crise
A crise na política brasileira será tema desta mesa do Ciclo Diálogos, Vida e Democracia. Essa é uma mesa emblemática pois estarão presentes os representantes dos partidos cujas fundações fazem parte do Observatório da Democracia, e mais convidados. O debate se dá em torno da razão da existência deste Observatório, que é a democracia e sua defesa nesta crise política, econômica e sanitária.

O ciclo conta com a realização de diversas mesas temáticas feitas por videoconferências, sempre a partir das 14h30. As seguintes acontecerão dia 22/06 (segunda-feira) – Pandemia, saídas para crise 2 –Economia e no dia 25/06 (quinta-feira) Educação e Crise (Gestores).

Além da FAP, que é vinculada ao Cidadania, o Observatório da Democracia é formado pelas Fundações Perseu Abramo (PT), João Mangabeira (PSB), Mauricio Grabois (PCdoB), Lauro Campos e Marielle Franco (PSOL), Leonel Brizola-Alberto Pasqualini (PDT), da Ordem Social (PROS) e Claudio Campos.

O ciclo de debates on-line “Diálogos, vida e democracia” irá ocorrer durante os meses de maio, junho e julho com o objetivo de debater, em profundidade e com palestrantes renomados, o panorama social, político e econômico atual no Brasil, além de desenhar um retrato do país hoje, considerando as perspectivas para o futuro.

A programação completa do Ciclo Diálogos, Vida e Democracia pode ser acessada aqui.

Serviço
Ciclo Diálogos, Vida e Democracia – Vídeoconferências
Mesa 14: Democracia, Política e Partidos
Data: 17/06 (quarta-feira)
Horário: 14h30 às 16h30

Veja vídeos de webconferências anteriores:

O Mundo do Trabalho e a Pandemia é tema de webconferência

Webconferência discute o valor da C&T e da Inovação como política de Estado

Cultura em tempos de coronavírus é tema de webconferência

Webconferência debate defesa das instituições do Estado democrático

Jornalismo, comunicação e política nas redes sociais é tema de webconferência

Líderes partidários fazem webconferência para discutir o país

Especialistas debatem o coronavírus, isolamento social e saúde pública

Governadores debatem pacto federativo durante pandemia do coronavírus

Fundações partidárias debatem pandemia, recessão e saídas para a crise

Analistas discutem Brasil no contexto mundial da pandemia do coronavírus

Economistas debatem pandemia e alternativas em meio à crise do coronavírus


Everardo Maciel: A indispensável tarefa de cuidar dos vivos

A tragédia da pandemia, no Brasil, tornou visíveis graves patologias no Estado e na Sociedade, que permaneciam disfarçadas pela nossa histórica incapacidade de tratar os problemas com responsabilidade e pela degradação do pouco que existia de empatia.

O Estado, vilipendiado pela corrupção sistêmica e pelo corporativismo, é incapaz de exercer suas responsabilidades mínimas.

A saúde pública, por exemplo, a despeito do honroso esforço dos que nela militam, é ineficiente e dispendiosa. Sua gestão, não raro, se subordina, ao loteamento político, que desagua invariavelmente em escândalos.

Na elite do serviço público, sequer se fez valer a regra constitucional do teto remuneratório.

No Judiciário, são espantosos os artifícios para concessão de gratificações disfarçadas em indenizações para contornar o teto. É inadmissível a concessão de auxílio moradia, quando milhões de brasileiros não têm onde morar ou moram em condições indignas.

No Legislativo, as superlativas cotas para o exercício da atividade parlamentar constituem uma deplorável forma de remuneração, atentatória à pobreza da população.

As repercussões sociais e econômicas da pandemia serão devastadoras. Como, todavia, iremos cobrar sacrifícios de todos, se a elite do serviço público goza de privilégios, antes inaceitáveis e hoje acintosos? O exemplo é uma didática eficaz.

Poucas vezes, em nossa história, o equilíbrio institucional esteve tão ameaçado. A sensatez é espancada diariamente por incontinência verbal ultrajante. As redes sociais são dominadas por ódio e polarização extrema. O vandalismo, mesmo nas atuais circunstâncias, está presente nas ruas.

Tudo faz lembrar o que disse Ortega y Gasset (“Meditações do Quixote”), em 1914: “A moradia íntima dos espanhóis foi tomada a tempo pelo ódio, que permanece ali artilhado, movendo guerra ao mundo”.

Torço vivamente por um desfecho civilizado, mas receio que venhamos a ter graves transtornos.

A hora é de prosseguir com o enfrentamento da pandemia. É falso o dilema entre saúde e emprego. Seria insensato prescrever isolamento social senão como estratégia - não a única - de política sanitária. Ainda que seja óbvio, não esqueçamos que mortos não produzem, nem pagam impostos.

O enfrentamento não pode, entretanto, interditar reflexões sobre o que fazer para além da política sanitária.

Atribui-se ao Marquês de Alorna, resposta dada a Dom José I, rei de Portugal, que indagara sobre o que fazer após o terremoto que, em 1755, devastou Lisboa: “sepultar os mortos e cuidar dos vivos”.

Ainda que nem sempre estejamos sepultando os mortos com a reverência ditada por ancestrais tradições, é preciso recrutar contribuições para o futuro.

Apresso-me em oferecer mais sugestões no campo tributário.

Convém que, imediatamente, se proceda à completa desoneração tributária da produção e distribuição de vacinas. Tal iniciativa dispensa justificações e seria inviável se estivéssemos amordaçados pela infeliz tese da alíquota única e vedação de incentivos.

A administração tributária deveria cuidar da certificação de créditos e prejuízos acumulados, que somados aos precatórios, facultem, no futuro, uma ampla compensação com créditos inscritos em dívida ativa.  

Tributos com vencimento postergados de setores debilitados terão que ser parcelados. Sem prazos fixos e anistias, como tem sido habitual, mas vinculados à receita bruta, a exemplo do Refis original (1999), permitindo assim uma convivência flexível com a crise.

É tempo de disciplinar o Bônus de Adimplência Fiscal (Lei nº 10.637 de 2002), que reduz a tributação dos contribuintes que não têm litígio fiscal, estimulando, portanto, uma conduta amistosa, na esteira das sanções premiais preconizadas por Norberto Bobbio. Mais ousadamente, poder-se-ia cogitar da adoção de novas hipóteses para concessão do bônus.

A tarefa futura de reequilibrar as contas fiscais não será fácil e exigirá muita determinação e criatividade. Esse, todavia, será um problema, mais que brasileiro, universal.


Marco Aurélio Nogueira: Pessimismo paralisante da sociedade civil se rompeu

As ruas não são mais território exclusivo dos apoiadores do presidente. As manifestações do último domingo, puxadas por torcidas organizadas de futebol, a começar da Gaviões da Fiel, inauguraram uma nova fase na vida política nacional. Representam a ampliação da resistência ao bolsonarismo e do isolamento do presidente, que se vê cada vez mais enfurnado em Brasília.

As manifestações não tiveram densidade de massa. O isolamento social impediu. A batalha é desigual, porque os negacionistas não conhecem barreiras sanitárias e contam com o apoio simbólico do governo, recursos logísticos e mensagens do gabinete do ódio.

Paralelamente, passaram a circular manifestos endossados por centenas de milhares de cidadãos, intelectuais e artistas. Diferentes setores da sociedade civil somam sua voz à dos ministros do STF, os grandes jornais estampam diariamente sua indignação, surgem movimentos inéditos de aproximação entre partidos até há pouco separados por divergências complicadas. Tudo mostra que o diálogo e a reunião dos democratas parecem ter encontrado um desaguadouro promissor.

O quadro ainda é impreciso. Não há nele uma via de mão única. O bolsonarismo continua vivo. Bem ou mal, ocupa o poder federal, onde acamparam segmentos das Forças Armadas que lhe têm fornecido respaldo e batem continência para o capitão. O governo tem buscado erguer no Congresso Nacional uma base de sustentação, preocupado com sua sobrevivência. O apetite guloso do Centrão, com seus próceres desprovidos de maior dignidade ou respeito constitucional, alimenta o governo mas também o impede de funcionar.

Há muito combustível para a expansão do protesto cívico e o reagrupamento dos democratas.

Começou a se romper o pessimismo paralisante em que a sociedade civil se encontrava. O cerco ao autoritarismo avança. Não é um trabalho simples. Ele requer combatividade e paciência, metas claras e apoios, ligação entre a defesa da vida, a recuperação da economia e o reforço da democracia.

*É professor titular de teoria política da Unesp


Livro Senhor das Moscas, que aborda poder e violência, é discutido em webinar

Biblioteca Salomão Malina organiza conferência online do Clube de Leitura Eneida de Moraes

Cleomar Almeida, assessor de comunicação da FAP

Curiosidades e detalhes do best-seller Senhor das Moscas (1954), um clássico do inglês William Golding e que aborda a natureza do mau e a tênue linha entre o poder e a violência desmedida, foram discutidos em webinar do Clube de Leitura Eneida de Moraes, organizado pela Biblioteca Salomão Malina, sediada em Brasília. Mediado pelo escritor Paulo Souza e aberto ao público, o debate, realizado nesta segunda-feira (1), a partir das 18h30, foi transmitido pelo site da FAP (Fundação Astrojildo Pereira) e em sua página no Facebook.

Acesse aqui o acervo da Biblioteca Salomão Malina!

Com a realização de mais uma edição do clube de leitura, a Biblioteca Salomão Malina mantém seu compromisso de promover o incentivo à leitura por meio de obras escolhidas pelos próprios participantes, disponibilizando o seu acervo para o projeto. De acordo com os organizadores, o objetivo é também integrar ainda mais o público em geral com escritores. As reuniões do clube de leitura ocorrem em toda primeira segunda-feira do mês.

Confira aqui ou no vídeo abaixo!

Senhor das Moscas é um dos romances essenciais da literatura mundial. Adaptado duas vezes para o cinema e traduzido para 35 idiomas, o clássico já foi visto por críticos como uma alegoria, uma parábola, um tratado político e mesmo uma visão do apocalipse.

Durante a Segunda Guerra Mundial, um avião cai numa ilha deserta, e seus únicos sobreviventes são um grupo de meninos. Ao narrar a história de meninos perdidos numa ilha, aos poucos se deixando levar pela barbárie, Golding constrói uma reflexão sobre a natureza do mau e a tênue linha entre o poder e a violência desmedida.

De acordo com críticos, a nova tradução para o português mostra como Senhor das Moscas mantém o mesmo impacto desde seu lançamento: um clássico moderno; um livro que retrata de maneira inigualável as áreas de sombra e escuridão da essência do ser humano.

Paulo Souza é escritor de dois livros, um de contos (Ponto Para Ler Contos, Kindle 2016) e uma novela em realismo fantástico (Clarice, a última Araújo, Penalux 2018). Tem participação na Antologia Sombria, organizada por André Vianco, em 2017.

Por meio do seu site e canal no youtube, o escritor divulga seu trabalho como blogueiro e escritor, além de promover a literatura brasiliense. Em 2013, ele criou o blog e canal Ponto Para Ler, que se manteve até o início deste ano. Foi jurado do Prêmio de Literatura da Caixa Econômica Federal nas edições de 2017 e 2018.


Luiz Werneck Vianna: A resistência ao fascismo tabajara

Soam por toda parte os sinais de perigo e os toques de reunir. Forças malévolas que nos sitiavam, espreitando nossos movimentos e confiantes na pandemia que nos obriga, em defesa da vida, a evitar as manifestações nos espaços públicos, um recurso importante do nosso repertório defensivo, calcularam ter chegado a hora do assalto às nossas posições. Não há por que tergiversar, o risco é real e seu nome é fascismo – tabajara, mas fascismo – que nos ronda desde os anos 1930, derrotado por duas vezes, em 1945 e 1985, mas nunca erradicado, entranhado como está em nossa história de modernização capitalista autoritária.

Fernando Gabeira, em iluminado artigo no Estado de São Paulo na edição de 29 do corrente mês, a rigor um manifesto, bendiz o dom de receber na derradeira fase da sua bela trajetória pessoal a missão de lutar pela democracia. Tal missão a todos, de todas as gerações, é confiada nesse momento difícil em que a sociedade se vê acuada pelo flagelo de uma epidemia letal. Hegel dizia que a escravidão somente era possível quando o bem da vida se punha acima do bem da liberdade. Nosso caso não é tão dramático, mesmo confinados contamos com espaços de liberdade e recursos para uma livre comunicação por meio da internet, conquista civilizatória ao alcance de todos.

Gabeira está consciente disso e dos limites que nos atam diante dos imensos recursos das forças que nos sitiam, mas os homens pensam e criam, e os desafios que nos confrontam exigem imaginação e inventividade. O caso da favela paulista Paraisópolis e de outras comunidades populares nos servem como paradigmas exemplares, a organização por conselhos, por sovietes, formas clássicas presentes em lutas populares, bem celebradas na obra de Hanna Arendt, ensinam caminhos a serem percorridos.

Em suas ações de defesa da vida, ameaçadas pela difusão da epidemia que a todos assola, as comunidades populares têm encontrado o apoio em círculos externos a elas, intelectuais solidários, pessoas e instituições de boa vontade, especialmente na Universidade e nos seus especialistas em saúde pública e técnicas de organização social. Surgem dessas inovações uma trama promissora, ainda em embrião, a combinar a agenda da defesa da vida com a da liberdade, pauta dos intelectuais ameaçados tanto pela pandemia como pela escalada autoritária em curso que tem como alvo o mundo da cultura e seus valores.

Tal descoberta para se impor na vida social depende da manifestação da vontade, muito particularmente da Universidade, que conta em seus quadros com especialistas capazes de levarem a termo a sua difusão mesmo nas circunstâncias adversas em que todos nos encontramos. A propósito, vale lembrar os protestos atuais contra a violência policial na sociedade americana –um caso extremo em que cidadãos se arriscam ao contágio pelo vírus diante da luta por liberdade –, exposta como a nossa à pandemia. Aqui, estamos começando a aprender a nos reunir e deliberar pela internet.

Decerto que a resistência nessa escala minimalista não tem o condão de opor uma linha forte de resistência ao avanço crescente do autoritarismo, embora em si mesma ela represente um reforço possível da sociedade civil e de suas ações. O reduto principal do sistema defensivo da nossa democracia está nas instituições que herdamos da Carta de 88, principal foco do assédio autoritário em suas tentativas cada vez mais intensas no sentido de neutralizá-las e, no limite, erradicá-las. O poder judiciário, um poder desarmado escorado apenas em sua autoridade moral, somente poderá resistir ao assédio de que é objeto se encontrar sustentação na opinião pública, nas instituições da sociedade civil e nos movimentos sociais que animam a vida popular. Sobretudo na disposição de reiterar aqui o esforço exemplar dos cidadãos americanos nos dias que correm de defesa intransigente dos seus direitos constitucionais.

Para uma defesa eficaz contra os perigos que nos rondam, não basta inventariar os recursos de força com que contamos, morais e organizativos, entre os quais os entes federativos refratários à escalada autoritária que se prepara para um golpe final em nossa democracia. A reunião do nosso sistema de defesa requer imperativamente a capacidade de sobrepor o interesse comum, qual seja o de evitarmos o abismo que se abriria diante de nós se permitirmos a ocupação do nosso país por forças estrangeiras à sua história e às suas tradições de perseguir os fins de uma obra civilizatória. Torna-se necessário também compreender a que aspiram as forças que nos antagonizam e a lógica que organiza sua movimentação.

O triunfo da coalizão de forças heterogêneas na sucessão presidencial contou como uma de suas palavras chave a ideologia do neoliberalismo, por meio da qual atraiu o apoio decidido das elites econômicas, especialmente das financeiras e agrárias, presença dominante no capitalismo brasileiro atual. Com essa marca de batismo, o novo governo nasce em antagonismo com a Constituição, de concepção, em seus traços principais, socialdemocrata. Remover a Carta, considerada como entrave aos seus fins econômicos, tornou-se assim um objetivo estratégico do governo Bolsonaro em seu projeto de capitalismo de estilo vitoriano, endossado por seu ministério, tendo à frente a anacrônica presença do ministro Paulo Guedes.

Em razão da arquitetura da Carta, que confiara a defesa dos direitos que criara a uma rede complexa de instituições, ao estilo da Constituição americana e com elementos importados do sistema alemão, a ser sustentada, em última instância, pelo Poder Judiciário, em particular no Supremo Tribunal Federal, o regime Bolsonaro identificou de pronto o inimigo a ser confrontado. O teatro das operações ora em curso estava armado, e a palavra de ordem delenda Cartago com que os romanos preparavam sua guerra de extermínio contra a sua cidade rival pelo domínio do mar Mediterrâneo, encontra sua tradução nos desígnios do atual governo de defenestrar o Poder Judiciário do sistema político, entregue apenas à jurisdição dos conflitos privados.

A vontade do poder, encarnada no chefe da nação, não deve reconhecer obstáculos à sua manifestação, leitura privilegiada dos desígnios de Deus, da pátria e da família. Com pandemia e contra todos os riscos, o que há de melhor em nós, acima de todas as diferenças entre nós, não podemos aceitar isso.

*Luiz Werneck Vianna, Sociólogo, PUC-Rio