A importância de Luiz Maranhão transcende as fronteiras do Rio Grande do Norte, seu estado natal, no qual exerceu mandato de deputado estadual de 1958 a 1962. Advogado, jornalista e professor, ele foi um dos representantes do Comitê Central do antigo PCB nos entendimentos para a criação da Frente Ampla, a partir de 1965.

Como se sabe, o objetivo dessa frente era restabelecer o regime democrático no Brasil. Seu principal articulador foi o governador do então Estado da Guanabara, Carlos Lacerda, um dos líderes civis do golpe que depôs o presidente da República João Goulart, em 1964. Candidato à eleição presidencial inicialmente marcada para outubro de 1965, Lacerda rompeu com o presidente Castelo Branco após a decretação do Ato Institucional nº 2, no dia 27 daquele mês, extinguindo os partidos e suspendendo o pleito.

Lacerda procurou antigos adversários, como os ex-presidentes Juscelino Kubitschek e João Goulart, para unir forças na Frente Ampla. Mesmo na ilegalidade e sem uma grande representação parlamentar, o PCB foi convidado para fazer parte da articulação, em reconhecimento à importância como principal referência da esquerda brasileira, com expressão nos meios sindicais, intelectuais e estudantis. Nesses contatos, os representantes da cúpula do PCB foram Orestes Timbaúba, Armênio Guedes e Luiz Maranhão1.

A Frente Ampla foi proibida e vários de seus articuladores posteriormente tiveram seus direitos políticos suspensos pelo Ato Institucional nº 5, de dezembro de 1968, inclusive o próprio Carlos Lacerda.

O golpe que derrubou João Goulart pegou de surpresa a maior parte dos dirigentes comunistas, por um erro de avaliação da conjuntura política do país no pré-64. Atingido por uma extensa repressão, o PCB só conseguiu reunir clandestinamente a plenária do seu Comitê Central em maio de 1965. A reunião foi dramática, marcada por um acirrado debate entre uma ala à esquerda que avaliava ter o partido cometido um “desvio de direita”. O PCB teria errado por “ilusão de classe”, ao acreditar nas possibilidades reformistas do governo de João Goulart. Entretanto, uma ala moderada fazia uma apreciação oposta. Os comunistas teriam cometido um “desvio de ultraesquerda”. O PCB teria incorrido num processo de radicalização artificial, sem apoio na maioria do Congresso e da sociedade, isolando os progressistas e abrindo espaço para os golpistas.


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Descrição
  • ISBN: ‎ 978-65-87991-14-6
  • Editora: Fundação Astrojildo Pereira (1ª Edição 2022)
  • Idioma: ‎Português
  • Livro-revista: ‎404 páginas
  • Idade de leitura: ‎14 anos e acima
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