Partido Comunista Brasileiro (PCB)

O revolucionário cordial | Arte: FAP

Revista online | Um historiador cordial 

Ivan Alves Filho*, especial para a revista Política Democrática online (43ª edição: maio/2022) 

Em debate recente com o historiador Martin Cezar Feijó, em Niterói, por ocasião das comemorações do centenário da fundação do Partido Comunista, tive a oportunidade de dizer publicamente que o considerava o intelectual mais preparado de minha geração. Não disse isso por razões de amizade, apesar da grande estima que tenho por ele. Pensei justamente na sua belíssima contribuição à cultura brasileira, por intermédio de uma obra capital: O revolucionário cordial, uma biografia política daquele que Afonso Arinos de Melo Franco considerava a maior aventura intelectual de seu tempo, o crítico literário Astrojildo Pereira.  

O livro de Martin é extremamente bem construído. E está sendo reeditado em boa hora pela Fundação Astrojildo Pereira (FAP) e a Editora Boitempo, com prefácio de Sérgio Augusto e em novo formato. Esta obra é um ensaio, uma aula magna, sem dúvida um exemplo de como se deve construir um estudo de caráter histórico-biográfico. Pois tudo se encontra lá: a fluência do texto, a pesquisa rigorosa, a qualidade teórica, a exata compreensão do papel do indivíduo na História. 

Foi um prazer poder reler esse clássico, cuja primorosa reedição realça o livro como objeto. Astrojildo Pereira marcou, como poucos, nossa trajetória nacional. Se não, vejamos. Gráfico de profissão, foi secretário geral da Central Operária Brasileira (COB), em 1913. Em 1917 e 1918, lideraria importantes greves no Rio de Janeiro, sendo barbaramente espancado na cadeia. Fundou, em 1922, a Seção Brasileira da Internacional Comunista - Partido Comunista. Percebendo o papel crescente das camadas médias no país, buscou aproximar o movimento comunista brasileiro dos militares revoltosos - foi ele quem trouxe Luiz Carlos Prestes para o PCB - e da própria intelectualidade - Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti, participantes da Semana de Arte Moderna, os quais ingressaram no partido ainda nos primórdios da agremiação. Com isso, rompia com a chamada política de classe contra classe, revelando visão mais sofisticada da nossa realidade.  

Autor de vários livros, e posso citar Machado de Assis e Formação do PCB, Astrojildo criou também inúmeras publicações teóricas, com destaque para a revista Estudos Sociais, que circularia entre 1958 e 1964. Nessa revista seminal, apresentaria valores como Armênio Guedes e Leandro Konder, para ficarmos apenas nesses dois nomes. No plano internacional, integrou a Executiva da Internacional Comunista, fundada por Vladimir Lenin, sendo, aos 39 anos de idade, um dos líderes da revolução mundial. Não era para qualquer um. Em Moscou, dividiu um apartamento com ninguém menos do que o revolucionário, político, escritor, poeta e jornalista vietnamita Ho Chi Minh, figura central das lutas pela emancipação do homem no século XX. 

Astrojildo Pereira e sua companheira Inês Dias | Reprodução: Vermelho.org.br
Os fundadores do PCB em março de 1922, na cidade de Niterói (RJ) | Reprodução: Cidadania23
Astrojildo Pereira, sua mãe Isabel e sua esposa Inês Dias | Reprodução: Famosos Que Partiram
Astrojildo Pereira em fotografia de 1962 | Reprodução: Folhapress
Reprodução: FAP
Reprodução: FAP
Astrojildo Pereira escoltado por policiais em 1965 no Rio de Janeiro | Reprodução: Folhapress
Astrojildo Pereira durante visita à redação do jornal Última Hora em 1965 | Reprodução: Folhapress
Reprodução: Unesp
Astrojildo Pereira e sua companheira Inês Dias | Reprodução: Vermelho.org.br
Os fundadores do PCB em março de 1922, na cidade de Niterói (RJ) | Reprodução: Cidadania23
Astrojildo Pereira, sua mãe Isabel e sua esposa Inês Dias | Reprodução: Famosos Que Partiram
Astrojildo Pereira em fotografia de 1962 | Reprodução: Folhapress
5
Reprodução: FAP
Reprodução: FAP
Astrojildo Pereira escoltado por policiais em 1965 no Rio de Janeiro | Reprodução: Folhapress
Astrojildo Pereira durante visita à redação do jornal Última Hora em 1965 | Reprodução: Folhapress
Reprodução: Unesp
previous arrow
next arrow
 
Astrojildo Pereira e sua companheira Inês Dias | Reprodução: Vermelho.org.br
Os fundadores do PCB em março de 1922, na cidade de Niterói (RJ) | Reprodução: Cidadania23
Astrojildo Pereira, sua mãe Isabel e sua esposa Inês Dias | Reprodução: Famosos Que Partiram
Astrojildo Pereira em fotografia de 1962 | Reprodução: Folhapress
5
Reprodução: FAP
Reprodução: FAP
Astrojildo Pereira escoltado por policiais em 1965 no Rio de Janeiro | Reprodução: Folhapress
Astrojildo Pereira durante visita à redação do jornal Última Hora em 1965 | Reprodução: Folhapress
Reprodução: Unesp
previous arrow
next arrow

Oriundo do anarquismo, de extração libertária, portanto, Astrojildo Pereira talvez tenha trazido para o PCB visão mais rica do papel da sociedade civil entre nós, sempre maior do que o Estado. O PCB só ganharia com isso. Este revolucionário cordial, na feliz expressão de Martin Cezar, conviveu com homens como Lima Barreto, Oscar Niemeyer, Hélio Silva, Otto Maria Carpeaux, Graciliano Ramos, Heitor Ferreira Lima, Nelson Werneck Sodré e Luiz Carlos Prestes. Ou seja, com o que o Brasil tinha de melhor e mais plural.  

Com apenas 17 anos, protagonizou um encontro com Machado de Assis, eternizado em uma crônica de Euclides da Cunha, intitulada A última visita. O cineasta Zelito Vianna reconstituiu historicamente esse episódio, a partir de um argumento do próprio Martin Cezar. Astrojildo Pereira foi um brasileiro raro. 

E um democrata exemplar. Escrevendo de Moscou em 1925, reconheceu que "a democracia, ainda que burguesa, era vista como um bem pelas massas". Era preciso ter coragem política para escrever isso naquele momento no país dos soviéticos. Astrojildo sempre estivera à frente de seu tempo. No rastro dos dirigentes históricos - e pensamos em Karl Marx, Friedrich Engels, Vladimir Lenin, Rosa Luxemburgo, Antônio Gramsci, Palmiro Togliatti, Georgi Dimitrov, György Lukács, Karol Kosik, Adam Schaff e José Carlos Mariátegui -, Astrojildo unira dialeticamente pensamento e ação.  Era a filosofia da práxis ambulante. Também não era para qualquer um.  

Conheci-o em nossa casa, no Rio de Janeiro, logo após sua saída da prisão, em 1965. Astrojildo era companheiro de meu pai, Ivan Alves, gráfico, jornalista e comunista como ele. Eu ficara impressionado com seu estado de saúde: o velho revolucionário, então com 75 anos, tinha sofrido um infarto na cadeia, de onde saíra ainda com os dois pulmões contaminados pela tuberculose, após os interrogatórios torturantes a que fora submetido pelos esbirros da ditadura. Meu pai me confidenciou, já na década de 1980, que Carlos Lacerda, então governador da Guanabara, se empenhara em sua soltura. A sobrinha de Astrojildo, Norma Dias, me diria a mesma coisa, há cerca de 15 anos. Indiquei, certa vez, que Astrojildo Pereira foi o primeiro herói da minha vida. E nem poderia ser de outra forma. 

Em uma de suas visitas ao saudoso historiador marxista Nelson Werneck Sodré, este, ao se despedir de Martin Cezar, já à porta de seu apartamento em Botafogo, disparou: "Você tem a responsabilidade de resgatar para nós a atuação do maior intelectual brasileiro do século XX". 

Meu querido amigo Martin Cezar Feijó cumpriu à risca determinação de Werneck Sodré. Astrojildo Pereira, onde quer que esteja, pode se orgulhar disso. 

Sobre o autor

*Ivan Alves Filho é historiador licenciado pela Universidade Paris-VIII (Sorbonne) e pela Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais de Paris. Os mais recentes de suas dezenas de livros publicados são Os nove de 22: o PCB na vida brasileira e Presença negra no Brasil: do século XVI ao início do século XXI.

** O artigo foi produzido para publicação na revista Política Democrática online de maio de 2022 (43ª edição), produzida e editada pela Fundação Astrojildo Pereira (FAP), sediada em Brasília e vinculada ao Cidadania.

*** As ideias e opiniões expressas nos artigos publicados na revista Política Democrática online são de exclusiva responsabilidade dos autores. Por isso, não reflete, necessariamente, as opiniões da publicação.

Leia mais

Revista online | Uma ficção bem real

Revista online | Por que ainda precisamos do feminismo?

Revista online | Twitter, Musk e a economia da atenção

Revista online | Novidades para o Oscar 2023. Será que agora vai? 

Revista online | Conquistas e desafios na luta contra a LGBTfobia no Brasil

Revista online | Os Índios atravessaram a Ponte!

Revista online | O caminho da América Latina é a democracia 

Acesse todas as edições (Flip) da Revista Política Democrática online

Acesse todas as edições (PDF) da Revista Política Democrática online


Livro Histórias que ninguém iria contar | Arte: Matheus Lacerda/FAP

Livro registra curiosidades da luta clandestina contra a ditadura

Cleomar Almeida, coordenador de Publicações da FAP

“Aspecto pitoresco” dos bastidores da luta clandestina contra a ditadura e em favor da democracia, com protagonismo de militantes do Partido Comunista Brasileiro (PCB), marca o livro Histórias que ninguém iria contar: história banal do PCB em Mato Grosso do Sul (132 páginas). A mais nova obra de Fausto Matto Grosso, editada pela Fundação Astrojildo Pereira (FAP), será lançada em evento presencial, no dia 29 de abril, em Campo Grande (MS), a partir das 18h30.

O lançamento do livro de Fausto Matto Grosso segue a orientação da diretoria da FAP para a retomada de eventos presenciais da entidade, desde que foram suspensos por causa da pandemia da covid-19, em 2020, mas observa todas as medidas recomendadas pelas autoridades sanitárias para conter a doença. Organizada pelo próprio autor, a cerimônia tem o apoio da instituição.

PCB no Palanque da R. Agraria 1986
Primeira passeata trabalhadores construcao civil 1981
Sindicalistas no Gabinete do Prefeito aompanhaos pelo vereador Fausto Matto Grosso
VEREADORES DO PCB MARCELO BARBOSA MARTINS E FAUSTO MATTO GROSSO
Rumo ao Festao da Voz
PAINEL ILTON SILVA FREIRE PRESIDENTE
Sede PCB MS Rua 14 ano 1989
Reunião no centro de estudos econômicos e sociais (Cepes)
Núcleo Mario Schemberg PCB UFMS
Reuniao na Sede do PCB MS 1989
PlayPause
previous arrow
next arrow
 
PCB no Palanque da R. Agraria 1986
Primeira passeata trabalhadores construcao civil 1981
Sindicalistas no Gabinete do Prefeito aompanhaos pelo vereador Fausto Matto Grosso
VEREADORES DO PCB MARCELO BARBOSA MARTINS E FAUSTO MATTO GROSSO
Rumo ao Festao da Voz
PAINEL ILTON SILVA FREIRE PRESIDENTE
Sede PCB MS Rua 14 ano 1989
Reunião no centro de estudos econômicos e sociais (Cepes)
Núcleo Mario Schemberg PCB UFMS
Reuniao na Sede do PCB MS 1989
previous arrow
next arrow

Com 40 crônicas, a maioria de autoria do autor, mas também com contribuições de Marisa Bittar, Carmelino Rezende, Mário Cesar Fonseca (Cecéu) e João José de Souza Leite, o livro terá lançamento no Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul. Exemplares da obra serão distribuídos no local como cortesia para os participantes.

"Poeira da vida"

“Este livro trata da nossa luta política em Mato Grosso do Sul, não como história do PCB, o que deve ficar para os historiadores, também não como memórias do autor, mas como coletânea de lembranças da militância vivida no seu cotidiano. São histórias que ninguém iria contar e se perderiam na poeira da vida”, afirma o autor. Ele é engenheiro civil e foi professor e também pró-reitor de Extensão e Assuntos Estudantis da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS).

De acordo com ele, as histórias relatadas no livro destacam pontos curiosos. “Descrevem o aspecto pitoresco da luta clandestina, olhado por dentro, envolvendo os militantes do PCB, a quem se homenageia. É uma história da militância feita por muitos, principalmente jovens que se formaram politicamente nesse período”, explica ele.

Convite para lançamento do livro Histórias que ninguém iria contar

Fausto Matto Grosso lembra que as décadas de 1970 e 1980 foram especialmente ricas na história da luta contra a ditadura. “Foi também um período de fortalecimento do PCB. Logo após o golpe de 1964 formulamos a consagrada política de frente ampla contra a ditadura, enquanto outros partidos e agrupamentos políticos da esquerda apostaram no enfrentamento armado. Nossa política foi acertada, propusemos a luta pela constituinte, pela anistia, por eleições diretas”, ressalta.

"Grande influência"

Com esse acerto na política, de acordo com o autor, o partido ganhou importância na sociedade e experimentou um período de grande influência. “Durante esse período, ocorreram grandes transformações na sociedade, impulsionadas pela revolução científica e tecnológica. O PCB tentou acompanhar essas mudanças”, observa o autor.

Por isso, o partido decidiu mudar aspectos em sua política e passar por diferentes denominações, como Partido Popular Socialista (PPS) e atualmente Cidadania, que, segundo o autor, “se alimentam dessa rica história mantendo o eixo de seus valores de solidariedade social, equidade e democracia”.

Neste ano de 2022, Fausto Matto Grosso completa meio século de militância política. Ele começou no PCB, passou depois para o PPS e agora se encontra no Cidadania, a nova identidade política que marcou a evolução do partido original. “Ele não mudou de agremiação, o partido é que foi se ajustando às novas realidades da ordem internacional e brasileira”, explica o sociólogo Paulo Cabral.

A memória, contudo, resiste a essas mudanças, e a importância da sua preservação é indiscutível. Ela não se reveste de objetividade. “Ao contrário, é construída de lembranças e de esquecimento, mobilizados a partir de inúmeros gatilhos, quase sempre ativados por afetos e dores, cujas raízes, não raro, situam-se no inconsciente de quem a elabora”, assevera o sociólogo.

Protagonismo

Quando essa memória versa sobre fatos ocorridos na clandestinidade, como aqueles ligados ao PCB, até 1985, ela se constrói com pouca ou nenhuma documentação. Apoia-se no testemunho de homens e mulheres, protagonistas ou espectadores que vivenciaram o episódio abordado, para resgatar a história que, de outra forma, estaria irremediavelmente perdida.

Nessa medida, os registros presentes em A história que ninguém iria contar ganham maior relevância. São relatos sobre diversos assuntos e situações presentes na ação política de Fausto e outros militantes que figuram como colaboradores neste livro.

A temática é difusa, até anárquica, mesmo porque nele não há a intenção de uma abordagem acadêmica, com o rigor da historiografia, mas apenas o recolhimento de fragmentos, lembranças trazidas em escrita leve, sob a forma de saborosas crônicas, convertidas em importante documento sobre a História do Partido Comunista Brasileiro em Mato Grosso do Sul.

Saiba mais sobre o autor

Francisco Fausto Matto Grosso Pereira é formado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e mestre em Desenvolvimento Local pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB).

Foi professor titular da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e lecionou disciplinas nos cursos de Engenheiro Civil, Engenharia Elétrica e Engenharia Sanitária e Ambiental. Foi também pró-reitor de Extensão e Assuntos Estudantis, tendo sido afastado da universidade em 1974, à qual retornou em 2008, mediante anistia política.

Engenheiro projetista estrutural, com larga experiência técnica, desde 2004 é consultor em Gestão Estratégica Pública. Foi secretário de Planejamento de Mato Grosso do Sul, presidente do Conselho de Ciência e Tecnologia e diretor de Desenvolvimento Regional na Secretaria de Desenvolvimento do Centro-Oeste no Ministério da Integração Regional.

Ingressou no PCB em 1972, quando ainda na ilegalidade, tendo participado do núcleo reorganizador do Partido em MS e desde então participou de diversas direções municipais, estaduais e nacionais do PCB/PPS/Cidadania. Foi, também, vereador do PCB. Neste ano de 2022, quando o Partido marcou 100 anos de história, Fausto completou 50 anos de militância.


Leitor na Biblioteca Salomão Malina | Foto: divulgação FAP

Biblioteca Salomão Malina oferece empréstimo gratuito de 68 livros sobre PCB

João Vitor*, com edição do coordenador de Publicações da FAP, Cleomar Almeida

Fundado há 100 anos no Rio de Janeiro, o Partido Comunista Brasileiro (PCB) mantém seu legado sustentado no tripé do mundo do trabalho, da cultura e da defesa pela democracia, com registro de toda sua trajetória em 68 livros disponíveis para empréstimo gratuito em Brasília. As obras integram o acervo da Biblioteca Salomão Malina, vinculada à Fundação Astrojildo Pereira (FAP).

Com 14 anos de tradição, a biblioteca é localizada no Conic, próximo a rodoviária do Plano Piloto, no centro de Brasília. Neste ano, tem oferecido ainda mais destaque às obras do PCB, que, ao longo dos anos, ganhou nova roupagem com o PPS e, mais recentemente, recebeu nova identidade política com o Cidadania.

previous arrow
next arrow
 
previous arrow
next arrow

O ano de 2022 é marcado pela celebração do centenário do PCB, fundado na cidade do Rio de Janeiro, no Sindicato dos Alfaiates e dos Metalúrgicos, nos dias 25 e 26 de março, e em Niterói, no dia 27 de março de 1922.

Relação de obras

Dentre as 68 obras sobre o partido, está Os nove de 22: O PCB na vida brasileira, do historiador Ivan Alves Filho. O livro é o mais recente sobre o tema e reforça o legado de nove homens que sonhavam em mudar o mundo no ano de 1922, com a fundação do partido.

O livro é resultado de um levantamento do historiador, mas também representa um relato dele como militante político. Não tem nada de acadêmico. É, conforme o próprio autor define, uma tentativa de construir um instrumento político adaptado às demandas do século 21.

Abaixo, veja relação de obras:

Jornais

Além dos livros disponíveis para empréstimos, o público pode ter acesso, gratuitamente, a todos os arquivos digitais dos jornais produzidos pelo Órgão Central do PCB durante a ditadura militar e no período de redemocratização do Brasil.

O jornal Voz Operária foi produzido, de 1970 a 1979, e o jornal Voz da Unidade, de 1980 a 1991. Seus organizadores sempre se sustentaram na defesa intransigente da democracia, em busca de uma sociedade menos injusta, menos desigual e menos excludente.

Desde 2021, a FAP tem realizado diversas atividades e eventos online em celebração ao centenário do partido e de outras datas que são importantes para a história da política nacional.

"Interessante"

Em reunião do Conselho Curador da FAP, no dia 30 de março deste ano, o diretor-geral da FAP, Caetano Araújo, lembrou a importância do centenário do PCB, que foi celebrado durante seminário internacional online, realizado de 8 a 10 de março, e em evento presencial, em Niterói (RJ), no dia 25 do mesmo mês.

“Quem esteve presente em Niterói viu que o evento foi muito interessante, emocionante e rico, porque discutimos um pouco o passado, a validade das nossas premissas anteriores e o que perdeu validade, a permanência e atualidade dos valores que inspiram a trajetória do PCB e reconhecemos a necessidade de fazer mudança para que esses valores, projetos e lutas sejam feitos de forma efetiva”, disse Caetano.

Além disso, as atividades da FAP também celebram o centenário da Semana de Arte Moderna, assim como o bicentenário da Independência, que terá o seu marco histórico em setembro deste ano.

Biblioteca

Inaugurada em 28 de fevereiro de 2008, a Biblioteca Salomão Malina se tornou um importante espaço de incentivo à produção do conhecimento em Brasília. Localizada no Conic, tradicional ponto de cultura urbana próximo à Rodoviária do Plano Piloto, a biblioteca pública foi reinaugurada em 8 de dezembro de 2017, após ser revitalizada.

A revitalização da biblioteca garantiu ainda mais conforto aos frequentadores do local e reforçou o compromisso da biblioteca em servir como instrumento para análise e discussão das complexas questões da atualidade, aberta a todo cidadão.

Para consultar o acervo da biblioteca, clique aqui

O espaço integra a Fundação Astrojildo Pereira (FAP), mantida pelo Cidadania, e conta com 4,8 mil títulos para empréstimos, que são constantemente atualizados por meio de doações e pela aquisição de obras de pensadores contemporâneos.

O acervo é especializado em Ciências Sociais e Humanas, contando também com livros da literatura que fazem menção à crítica social e dos costumes, na transição do Brasil rural para o urbano.

Além da coleção de literatura brasileira, a biblioteca oferece, também, exibições gratuitas toda sexta-feira no cineclube Vladimir Carvalho, que fica no andar de cima da unidade, no Espaço Arildo Dória. Ademais, promove eventos culturais como o clube de leitura Eneida de Moraes, a batalha de poesias do Slam-DéF e o curso de japonês, gratuito, para iniciantes.

Serviço

Biblioteca Salomão Malina

Endereço: SDS, Bloco P, ED. Venâncio III, Conic, loja 52, Brasília (DF). CEP: 70393-902

Horário de funcionamento: segunda à sexta, de 9h às 18h

Telefone: (61) 3323-6388

WhatsApp: (61) 98401-5561. (Clique no número para abrir o WhatsApp Web)

*João Vítor é integrante do programa de estágio da FAP, sob supervisão do jornalista, editor de conteúdo e coordenador de Publicações da fundação, Cleomar Almeida.

Veja vídeos




Sinclair Mallet Guy Guerra, uma vida em prol da luta pela democracia

É com profundo sentimento de tristeza e pesar que a Fundação Astrojildo Pereira (FAP) anuncia a perda do querido professor Sinclair Mallet Guy Guerra, mas, ao mesmo tempo, manifesta gratidão pela sua vida marcada por lutas em defesa da democracia. Ele morreu, em São Paulo, na última terça-feira (15/3).

O professor Sinclair, como era conhecido, também assumiu papel de destaque na produção de conhecimento, que ele via como imprescindível para se alcançar uma sociedade mais democrática e menos desigual.

Na época da ditadura, viveu na França, onde fez seu doutorado. Ao retornar ao Brasil, deu aulas na Universidade de Campinas (Unicamp), pela qual, em 2004, alcançou o título de livre docente, depois do doutoramento em Economia da Energia na Université Paris III (1986), antecedido do mestrado em Economia de Empresas pela FGV (1981), com a graduação em Economia na Universidade de Marília (1966). Também foi professor da Universidade Federal do ABC, em São Paulo.

Na França e no Canadá, também atuou em cursos de graduação e pós-graduação, compartilhando e incentivando a produção de conhecimento para além das fronteiras do Brasil.

Militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), também foi um colaborador entusiasmado da nossa Fundação Astrojildo Pereira, onde integrava o conselho editorial da revista impressa Política Democrática.

Os nossos sentimentos de estima e de perda à professora Heloisa, companheira do nosso querido Sinclair, aos filhos e a todos os demais familiares e amigos.

Entre nós, ficam a memória e o legado de um grande humanista.