Romario Feitosa: Reflexões sobre a magia do teatro para crianças

Romario Feitosa, presidente da Companhia Cata-Ventos de Cultura e diretor institucional do Festival Internacional de Cultura, Artes e Teatro (Ficate)

Na quinta-feira (14/9), no teatro de arena do Serviço Social do Comércio (Sesc), tive o privilégio de assistir a duas peças teatrais que me levaram a refletir profundamente sobre o encanto e a magia que o teatro pode proporcionar às crianças. Foi um dia marcante, repleto de risos, surpresas e momentos inesquecíveis.

A primeira peça, "Gracias y Desgracias de la Bruja Mala Facha", apresentada pela Compañia Solitaria Machala, trouxe à vida a personagem da bruxa Mala Facha, uma figura peculiar e adorável. Mala Facha, com sua bondade e uma pitada de distração, dedicou-se a ajudar pessoas em dificuldades, utilizando seus conhecimentos e habilidades mágicas. Fiquei cativado por essa bruxa boa, cujo coração generoso aqueceu a todos na plateia. Assistir a essa peça de títeres foi um lembrete inspirador de como a empatia e a compaixão podem criar pontes mágicas entre o mundo real e a imaginação das crianças.

Mas o que mais me impressionou foi a interação das crianças com um espetáculo falado em espanhol. Mostrou-me que na arte, não existem fronteiras, não existem barreiras, nem mesmo as da língua. As crianças, com seus olhares curiosos e expressões cativantes, responderam com entusiasmo às perguntas da bruxa Mala Facha, independentemente do idioma. Foi um testemunho do poder universal da arte de tocar corações e criar conexões genuínas.

Logo em seguida, tivemos o privilégio de testemunhar "Clownchaco," apresentado pela Compañia Teatral Do-Re-MiMo, vinda da Colômbia. Esta jornada mágica e hilariante pelo mundo do palhaço foi uma explosão de comédia, trapalhadas e momentos de riso desenfreado. O palhaço, com suas travessuras e traquinagens, nos levou a um universo onde a alegria e a espontaneidade reinam supremas.

A interação das crianças com esse espetáculo foi ainda mais incrível. Convidadas ao palco para participar, elas se tornaram parte integral da comédia, respondendo aos gestos e palhaçadas com risadas contagiantes. Vi pais e filhos rindo juntos, compartilhando momentos de alegria e criando memórias que, tenho certeza, permanecerão em seus corações por muito tempo.

Essas experiências teatrais me lembraram da importância do teatro na vida das crianças e de como ele pode transcender as barreiras da língua e da cultura. O teatro não é apenas entretenimento; é uma ferramenta mágica que abre portas para a imaginação, promove a empatia e o entendimento, e proporciona momentos de alegria pura.

Neste mundo agitado, muitas vezes esquecemos a importância de nutrir a imaginação das crianças e permitir que elas explorem a magia que o teatro oferece. Ontem, no FICATE, testemunhei como o teatro pode ser uma fonte inesgotável de aprendizado, alegria e conexão. Afinal, como diz o lema do FICATE, "A América se encontra aqui," e ontem, essa América se encontrou no palco, nas risadas das crianças e na magia do teatro.

Que continuemos a proporcionar essas experiências mágicas para as gerações futuras e a celebrar a riqueza cultural da América Latina por meio das artes teatrais.


Comte Bittencourt visita Biblioteca Salomão Malina, em Brasília

Comunicação FAP

O novo presidente do Cidadania 23, Comte Bittencourt, visitou nesta quinta-feira (14/9) a Biblioteca Salomão Malina, mantida pela Fundação Astrojildo Pereira (FAP) e que desenvolve uma série de projetos culturais continuamente, no Conic, em Brasília. Ele, que é professor e exerceu quatro mandatos de deputado estadual do Rio de Janeiro, tem como principal luta um ensino público de qualidade, por acreditar na capacidade de transformação da sociedade pela educação. O líder político também visitou a sede administrativa da entidade.

Em sua primeira visita à Biblioteca Salomão Malina como presidente do Cidadania 23, Comte estava acompanhado do ex-diretor-geral da FAP, o sociólogo e consultor do Senado Caetano Araújo. No local, Comte também conheceu o espaço cultural Arildo Dória, destinado à realização de cursos e atividades para a comunidade, reuniões e eventos.

Clique aqui e consulte o acervo da biblioteca!

A biblioteca oferece ampla programação de atividades para a população em geral, presencialmente e de forma on-line, para alcançar o maior número possível de pessoas, inclusive no horário do almoço, para quem pode aproveitar esse intervalo e se desenvolver. Toda quarta-feira, a partir das 12h10, há aulas de yoga e, às segundas e sextas, curso de Krav Magá. Quinta-feira é dia do Cineclube Vladimir Carvalho, com início às 12 horas e entrada franca.

História

Inaugurada em 28 de fevereiro de 2008, a Biblioteca Salomão Malina se tornou um importante espaço de incentivo à produção do conhecimento em Brasília. Localizada no Conic, tradicional ponto de cultura urbana próximo à Rodoviária do Plano Piloto, a biblioteca foi reinaugurada em 8 de dezembro de 2017, após ser revitalizada. Isso garantiu ainda mais conforto aos frequentadores do local e reforçou o compromisso da biblioteca em servir como instrumento para análise e discussão das complexas questões da atualidade, aberta a todo cidadão.

O espaço conta com quase 5 mil títulos para empréstimos gratuitos. O acervo é constantemente atualizado por meio de doações e pela aquisição de obras de pensadores contemporâneos. As obras são especializadas em Ciências Sociais e Humanas. Também há livros sobre crítica social e costumes, na transição do Brasil rural para o urbano.

Biblioteca Salomão Malina

Funcionamento: segunda a sexta, das 9h às 18h

Endereço: SDS, Bloco P, ED. Venâncio III, Conic, loja 52, Brasília (DF). CEP: 70393-902

Telefone: (61) 3323-6388

WhatsApp: (61) 98401-5561


Por Dentro do Jazz: Mário Salimon destaca estilo musical em conversa online

Comunicação FAP

A Fundação Astrojildo Pereira (FAP) e a Biblioteca Salomão Malina lançarão, na segunda-feira (18/9), a roda de conversa online “Por Dentro do Jazz”, estilo musical que nasceu nos Estados Unidos no final do século 19 e início do século 20, com berço na cultura afro-americana. A apresentação será realizada pelo cantor e compositor Mário Salimon, considerado uma das principais vozes masculinas da música brasiliense, com moderação do jornalista Luiz Carlos Azedo.

Com realização programada para toda terceira segunda-feira de cada mês, a roda de conversa virtual será transmitida no site da FAP, nas páginas da entidade e da biblioteca no Facebook, simultaneamente, e, ainda, no canal da fundação no Youtube, onde o vídeo ficará disponível para o público em geral. As pessoas interessadas também podem participar do grupo temático de Jazz no WhatsApp, organizado pela instituição. É necessário enviar solicitação para o WhatsApp da biblioteca, que é localizada em Brasília.

Veja, abaixo, o vídeo da roda de conversa:

https://www.youtube.com/live/koedaQC4GqQ?si=EwC6CWyfpZQ4IDw6

“É muito interessante a fundação conseguir organizar um grupo de pessoas para conversar sobre jazz”, afirmou Salimon, que começou sua carreira musical em 1985. Ele lembra que, na época, Brasília contava com apenas um bar, o Mistura Fina, na 209 Norte, onde se ouvia jazz. “Hoje há vários lugares na cidade dedicados a esse estilo musical, além de pessoas formadas pela Escola de Música de Brasília com excelente qualidade e formando diferentes bandas”, diz.

Mário Salimon

Salimon atuou em 20 diferentes formações em sua carreira de 38 anos como músico. Diverso em estilos, começou no old school funk e, após longa atuação como bluesman e roqueiro, estabeleceu-se como um dos mais ativos cantores de jazz, soul e bossa nova da capital.

Dentre os trabalhos mais destacados, estão Another Blues Band, Oficina Blues, Undercovers, Cocina Del Diablo, Correio Aéreo e BsB Disco Club. Compôs trilhas sonoras para cinema e vídeo e gravou, em 1999, o CD intitulado 33, no qual interpreta blues, soul, jazz e bossa nova ao lado de 17 dos melhores músicos da capital brasileira.

Em 2009, figurou como intérprete no disco ao vivo lançado pela Another Blues Band, um de seus grandes momentos como cantor. Também lançou, em 2018, Oscillations, álbum de música experimental que compila trilhas sonoras e peças experimentais eletrônicas.

A carreira musical de Mário Salimon teve início em 1985 com a banda Fome de Viver. As primeiras apresentações oscilavam entre punk rock, techno e bossa nova. Por influência de bandas como The Style Council e Everything But the Girl e após ter formado a banda Fama, abraçou cedo a música negra, com base na qual desenvolveu a maior parte dos trabalhos subsequentes. A citação da bossa nova por bandas inglesas dos anos 80 também levou Mário a reencontrar a música brasileira, o que fica claro em várias composições registradas em seu disco solo.

Salimon já dividiu agenda e palco com renomados nomes, tais como Indiana Nomma, Cássia Eller, Leny Andrade, Celso Blues Boy e B.B. King, sendo respeitado pela competência vocal e escolha de repertório. 


Eleições 2024: curso de formação política capacita futuros candidatos e assessores

Comunicação FAP

A Fundação Astrojildo Pereira (FAP), em parceria com o Cidadania 23, abriu nesta terça-feira (12) as inscrições para o novo Curso Online para Candidatos e Assessores, com foco na capacitação para as eleições municipais de 2024, na modalidade de formação continuada. Os interessados podem se inscrever no site da entidade, gratuitamente.

Com foco em áreas estratégicas da gestão municipal, as aulas serão ministradas de forma telepresencial, às terças-feiras, a partir do dia 19 de setembro, e ficarão disponíveis para acesso ilimitado no canal da fundação no Youtube.

O presidente nacional do Cidadania 23, Comte Bittencourt, disse que o curso é estratégico para o partido e a federação com o PSDB, já que, conforme acrescentou, busca qualificar os futuros candidatos que concorrerão às eleições de 2024. Ele lembra que a FAP, que desenvolve atividades contínuas em defesa da democracia, chega ao seu quarto curso de formação política com esta nova edição.

“Já é uma tradição da nossa fundação a mobilização nos estados e municípios junto a suas respectivas direções para esse tipo de atividade. Desejamos que, cada vez mais, jovens, mulheres e integrantes de movimentos sociais das cidades participem de nossas atividades, contribuindo com o rico debate”, ressaltou.

Primeiras aulas

Segundo o presidente do Conselho Curador da FAP, o médico Luciano Rezende, que foi prefeito de Vitória (ES) por dois mandatos consecutivos, “a junção do talento político com a capacitação técnica adequada é a melhor forma de se preparar candidatos para enfrentar o processo eleitoral”.

“Mais uma vez, a FAP tem cumprido a função de formação política e vai ofertar esse curso com palestrantes renomados em todo o país. É voltado para as pessoas com grande talento político e que são lideranças natas”, afirmou Rezende.

Diretor-geral da FAP, o advogado Marco Aurélio Marrafon destacou a importância da formação política para as eleições municipais e o fortalecimento da democracia. “Para que um time seja vitorioso, precisa de formação, dedicação, empenho e muita energia para alcançar a vitória. Com professores altamente qualificados, este curso irá oferecer a nossos candidatos, nossas candidatas, as suas assessorias e suas equipes. Com candidatos mais capacitados, a democracia fica mais forte e inabalável”, afirmou.


Trabalho, propriedade e socialização

Ivan Alves Filho, historiador

Socializar pela sociedade e não necessariamente pelo Estado. Afinal, o Estado não possui o monopólio da noção de público. É pela relação que os homens estabelecem entre si na esfera produtiva que a sociedade de fato se modifica, uma vez que tenha reunido as condições materiais para isso. Marx chegou a dizer, por exemplo, que a luta dos trabalhadores tinha por objetivo restabelecer “a propriedade individual fundada sobre as conquistas da era capitalista”, vendo assim o trabalhador como um detentor pessoal das suas condições de trabalho. Não havia outra forma de ele ser dono do seu próprio trabalho.

Aqui, uma observação, ainda que longa. Os poetas, cronistas e literatos em geral possuem uma percepção muito aguçada da realidade. Acontece que a sensibilidade sempre saí na frente: é o primeiro estágio do conhecimento. Isso dito, em uma crônica que publicou em 1954, no Diário Carioca, Paulo Mendes Campos relata que, durante o período em que residiu em São João del-Rei, viajava constantemente de Maria Fumaça para Tiradentes e outras cidades dos arredores. Quando o trem parava em Tiradentes, os passageiros davam um jeito de descer, mesmo aqueles que iriam prosseguir viagem. Por uma razão: na plataforma da estação havia uma senhorinha que, segundo o cronista mineiro, “confeccionava as melhores empadinhas de galinha do mundo inteiro”. Mas a senhorinha em questão recusava as ofertas para vender a uma pessoa só as empadinhas do seu tabuleiro. Alguns se ofereciam para pagar em dobro, mas ela se mantinha irredutível, sob o argumento de que “todo mundo tem direito, uai!”. Trabalhando por sua própria conta, ela possuía uma perfeita noção da qualidade do seu trabalho. Mais: o dinheiro era um meio e não um fim. Ainda que atuando no mercado, ela não se submetia às suas pressões. Isto é, buscava controlar seu processo produtivo, impondo limites à força do dinheiro. Esse o desafio: transformar o trabalho em um espaço soberano.

Fazer a ultrapassagem do capitalismo, integrando interesse pessoal e bem comum. Mas nada de ilusões: o homem trabalha em conjunto, não tanto porque queira – mas porque de fato precisa. O trabalho não é apenas uma atividade – é também uma relação social.


Aulas de Yoga: Biblioteca Salomão Malina abre inscrições para nova turma em Brasília

Comunicação FAP

A Biblioteca Salomão Malina, mantida pela Fundação Astrojildo Pereira (FAP), abriu as inscrições on-line para aulas de Yoga, com vagas limitadas, a serem oferecidas, presencialmente, no Espaço Arildo Dória, às quartas-feiras, a partir do dia 6 de setembro. O local das aulas fica no andar superior da biblioteca, localizada no Conic, importante centro cultural e comercial na região central de Brasília. A mensalidade custa 40 reais por aluno.

Ministradas pela professora Suzana Pitombo, as aulas terão início às 12h10, pontualmente, com 50 minutos de duração. As pessoas interessas podem fazer a inscrição por meio de formulário on-line disponibilizado pela biblioteca. Para garantir o conforto de todos e cumprir o objetivo das aulas, serão oferecidas apenas 10 vagas.

O yoga é uma terapêutica psicofísica que proporciona relaxamento corporal e estabilidade mental ao indivíduo, buscando o equilíbrio como forma de promover a autorrealização. É uma prática desenvolvida há milênios de anos pelos orientais, com a finalidade do autoconhecimento por meio da meditação. Ganhou credibilidade no ocidente, sendo aceita e praticada por adeptos que encontraram no yoga um elemento proporcionador de uma paz interior, associada a uma qualidade de vida.

Professora

Suzana Pitombo é professora de yoga e educadora na área de biologia, com especialização em informática. Também é artista plástica e voluntária em grupos de assistência comunitária. Ela é praticante de yoga desde os 19 anos.

Depois de sentir muita afinidade com esta atividade de saúde integral, ela fez a formação a fim de compartilhar com as pessoas os benefícios que recebeu. Estudou e adquiriu formação de Yoga na Modalidade Hatha Yoga Clássico, além de passar por curso da Modalidade Yoga Restaurativa, com a professora Milla Derzett.

Confira lista de eventos da Biblioteca Salomão Malina!

Suzana tem cursos de meditação na comunidade Brahma Kumaris e no método Mind control/Silva, habilitando-se a conduzir e ministrar meditação, no formato personalizado ou para grupos. Além disso, trabalha há mais de 15 anos profissionalmente com aulas de Hatha Yoga Clássico, Yoga Restaurativa e meditação.

Já atuou no Espaço Holis de Taguatinga, na Escola parque da EQN 303/4, Academias Body Work, Corpo e Saúde, no Sesc Taguatinga Norte, no Ateliê LOLA – Espaço de Cultura Guará. Hoje ainda atua no Espaço Sol, Guará I, MEC/projeto qualidade de vida, e na Casa da Cultura Guará.

Biblioteca Salomão Malina

Inaugurada em 28 de fevereiro de 2008, a Biblioteca Salomão Malina se tornou um importante espaço de incentivo à produção do conhecimento em Brasília. Localizada no Conic, tradicional ponto de cultura urbana próximo à Rodoviária do Plano Piloto, a biblioteca foi reinaugurada em 8 de dezembro de 2017, após ser revitalizada. Isso garantiu ainda mais conforto aos frequentadores do local e reforçou o compromisso da biblioteca em servir como instrumento para análise e discussão das complexas questões da atualidade, aberta a todo cidadão.

A biblioteca conta com quase 5 mil títulos para empréstimos, que são constantemente atualizados por meio de doações e pela aquisição de obras de pensadores contemporâneos. O acervo é especializado em Ciências Sociais e Humanas, contando também com livros da literatura que fazem menção à crítica social e dos costumes, na transição do Brasil rural para o urbano.


Filme O Destino de Haffmann é tema de debate do Cineclube Vladimir Carvalho

Comunicação FAP

Filme francês dirigido por Fred Cavayé e que é adaptação da peça de teatro homônima assinada por Jean-Philippe Daguerre, O Destino de Haffmann (2021) será debatido, na segunda-feira (28/8), a partir das 19h30, na sessão virtual do Cineclube Vladimir Carvalho. O projeto é da Fundação Astrojildo Pereira (FAP) e da Biblioteca Salomão Malina, mantida pela entidade, no Conic, importante centro cultural e comercial na região central de Brasília.

A coordenação do projeto é da crítica de cinema Lilia Lustosa, doutora em História e Estética do Cinema pela Universidad de Lausanne (UNIL), Suíça. As pessoas interessadas em participar do projeto devem entrar em contato com a Biblioteca Salomão Malina, por meio do WhatsApp oficial (61 984015561) e solicitar acesso ao grupo de discussão. A recomendação é que todos os participantes assistam ao filme antes do debate on-line.

Veja, abaixo, o trailer legendado:

https://www.youtube.com/watch?v=ywAHfq1hrTE

Lilia explica que a história do gilme começa em 1941, em uma Paris ocupada pela Alemanha nazista. “Ali, Joseph Haffmann (Daniel Auteuil), um joalheiro judeu pai de três crianças, decide fugir enquanto pode, armando para tanto um plano mirabolante. Ele decide confiar sua loja ao funcionário François Mercier (Gilles Lellouche) para tentar chegar à zona neutra. A família do joalheiro vai primeiro e ele fica para ir em seguida. Acontece que a situação piora e Haffmann acaba ficando preso no sótão de sua própria loja. Refém de seu antigo funcionário”, conta.

De acordo com a crítica de cinema, em um belíssimo jogo de contrastes, em que alto-baixo, inferior superior, claro-escuro são elementos recorrentes, a história vai sendo apresentada de forma lenta, relativamente estática, tornando-se, assim, cada vez mais angustiante ao colocar frente a frente liberdade e opressão. “Fora isso, os tantos close-ups de mãos, olhos, pés, joias, que o diretor insiste em usar, fazem-nos apreciar as mãos que trabalham, que se unem, se entrelaçam, se cumprimentam, se agridem, se consolam”, diz.

Para completar esse cenário de contrastes, O Destino de Haffmann também explora bastante o uso do direcionamento do olhar dos personagens, criando várias linhas diagonais para compor os planos. “Plongés e contraplongés não faltam. E o recurso quase onipresente no filme é o ângulo “sobre os ombros”. Impressionante a quantidade de vezes que ele é usado. O que será que Cavayé quer dizer com isso?”, questiona Lilia.

“O Destino de Haffmann é assim, um longa-metragem-gangorra, em que poderes se revezam, se alternam e, muitas vezes, acabam se destruindo. Um filme extremamente inteligente em sua composição, capaz de nos tocar pelo cuidado com os detalhes, pelo roteiro, pelo superelenco e, claro, pela capacidade de mostrar a importância de saber se colocar no lugar do outro”, afirma a crítica de cinema.

Biblioteca Salomão Malina

Inaugurada em 28 de fevereiro de 2008, a Biblioteca Salomão Malina se tornou um importante espaço de incentivo à produção do conhecimento em Brasília. Localizada no Conic, tradicional ponto de cultura urbana próximo à Rodoviária do Plano Piloto, a biblioteca foi reinaugurada em 8 de dezembro de 2017, após ser revitalizada. Isso garantiu ainda mais conforto aos frequentadores do local e reforçou o compromisso da biblioteca em servir como instrumento para análise e discussão das complexas questões da atualidade, aberta a todo cidadão.


Jovens da periferia realizam batalha de poesias em Brasília

Comunicação FAP

Jovens da periferia do Distrito Federal realizam, no próximo sábado (26/8), mais uma batalha de poesias do Slam-DéF, em Brasília. Aberto ao público em geral e gratuito, o evento ocorrerá, de forma presencial, a partir das 9h30, no hall da Biblioteca Salomão Malina, mantida pela Fundação Astrojildo Pereira (FAP), no Conic, importante centro comercial e cultural na capital do país.

O projeto é coordenado pelo professor Will Júnio e tem o apoio da biblioteca e da fundação. O grupo integra pessoas de qualquer idade, cor, raça, etnia e orientação sexual, sempre com respeito à diversidade e inclusão.

Na prática, poetas e poetisas usam as palavras como forma de protesto contra as diversas mazelas da sociedade, mobilizando-se em defesa de uma sociedade menos injusta, menos desigual e menos excludente.

As rimas alimentam a resistência contra o machismo, o sexismo, o etarismo, a LGBTfobia e outros crimes que devem ser combatidos na sociedade. Poetas e poetisas aproveitam o momento para endossar o coro contra toda forma de preconceito e discriminação.

O slam nasceu em Chicago, Estados Unidos, nos anos 1980. Chegou ao Brasil duas décadas depois. No Distrito Federal, começou em 2015, com o Slam-DéF, que também atua no Entorno.

Serviço

Batalha de Poesias Slam-DéF

Dia: 26/08/2023

Horário: 10 horas

Onde: Biblioteca Salomão Malina.

Endereço: SDS, Bloco P, ED. Venâncio III, Conic, loja 52, Brasília (DF). CEP: 70393-902

Telefone: (61) 3323-6388 | WhatsApp: (61) 98401-5561

Realização: Slam-DéF, em parceria com Biblioteca Salomão Malina e Fundação Astrojildo Pereira (FAP)


Meu amigo cinepoeta Sérgio Muniz

Lilia Lustosa*, crítica de cinema e doutora em História e Estética do Cinema pela Universidad de Lausanne (UNIL)Suíça.

Neste agosto, o cineasta Sérgio Muniz foi cinepoetar em outras bandas. Partiu de forma serena, como sempre havia desejado. Foi encontrar os companheiros Maurice Capovilla, Geraldo Sarno, Thomaz Farkas, Glauber Rocha e tantos outros nomes do nosso cinema estrelado.

Sérgio, que foi tantos – cineasta, poeta, acadêmico, gestor público, militante – é agora mais uma estrela no firmamento. E que estrela! Um homem-astro, que ainda nos anos 60, participou ativamente do que mais adiante seria chamado de Caravana Farkas[1]. Um grupo de jovens cineastas reunidos em torno do fotógrafo e produtor Thomaz Farkas, um visionário que resolveu desbravar o interior do Brasil, registrando a cultura popular por meio de câmeras leves e gravadores portáteis recém-chegados do estrangeiro. Eram os primórdios do cinema-direto no Brasil, que conseguia trazer para as capitais as realidades "desconhecidas" deste nosso imenso país-colcha-de-retalhos.

Sérgio-cineasta-militante participava de passeatas, movimentos contra a ditadura, tendo tido até a ousadia de realizar clandestinamente um documentário que abalou as estruturas: Você Também Pode Dar um Presunto Legal (1971/2006). Um filme sobre a ação do Esquadrão da Morte e do Delegado Fleury, chefe do DOPS, naqueles duros anos de ditadura militar. Os negativos tiveram que ser levados para Cuba e o filme foi  editado e finalizado entre a Ilha, a França e a Itália, ficando pronto apenas em 1974[2]. Na ocasião, a conselho de amigos, Sérgio achou por bem não exibi-lo no Brasil, para não colocar em risco sua vida, tampouco a das outras figuras envolvidas em sua produção. Ainda assim, era preciso mostrar, denunciar! O cineasta-militante resolveu, então, distribuir o filme de forma gratuita e clandestina. E, por via das dúvidas, guardou uma cópia VHS bem escondida em um baú.

Nos anos 80, Sérgio-cineasta-acadêmico atravessou fronteiras e se tornou o primeiro Diretor Acadêmico da utópica Escuela Internacional de Cine y TV de San Antonio de los Baños, em Cuba. Uma instituição criada pelo argentino Fernando Birri – “pai do Novo Cinema Latino-americano”–, pelo grande escritor colombiano Gabriel García Marquez e por outros cineastas latino-americanos de peso. Tudo com o aval de Fidel Castro, claro.

Após a experiência cubana, Sérgio-cineasta-gestor-público foi trabalhar com Marilena Chauí, quando a filósofa ocupava a Secretaria Municipal de São Paulo, na gestão da prefeita Luiza Erundina (1989 – 1992). Trabalhou também na Secretaria do Estado, onde desenvolveu projetos de ensino de audiovisuais para o Museu da Imagem e Som (MIS), tendo sido ainda consultor para a área de cinema do Memorial da América Latina.

De lá pra cá, muitas foram as realizações deste homem múltiplo, tanto dentro como fora do campo cinematográfico. No ano passado, por exemplo, do alto de seus 87 anos, colocou uma máscara para se proteger do coronavírus e foi para as ruas protestar em favor da democracia. O homem era danado de forte e nada o impedia de seguir o rumo de sua militância pela justiça social!

Sérgio era forte sim, mas também extremamente sensível. Era poeta e escrevia livros… Entre eles, "En San Antonio y São Paulo ou…" (1997), que tive o privilégio de receber autografado em Santa Fe, Argentina, em um belo encontro sobre os protagonistas do Brasil Verdade (1968) - conjunto de documentários produzidos entre 1964 e1965 por uma equipe de argentinos e brasileiros[3]. Foi a partir daquele encontro santafesino que nasceu nossa amizade. Assim como nasceu também nosso desafio poético. A ideia, saída de sua cabeça jovem e sonhadora, era a de fazer releituras de trechos de poemas já conhecidos. Para mim, um presente dos Sérgios!

Sérgio-cineasta-poeta-acadêmico-gestor-público-militante foi, finalmente, um dia de sol na vida de muita gente. Além do fantástico exemplo de como se realizar filmes em um país mergulhado nas águas turvas da ditadura, foi ainda uma lição de ética, coerência, criatividade, talento e, mais que tudo, de ombro amigo.

Vá em paz, Sérgio-amigo! Que o “más-allá" te receba de braços abertos!

¡Hasta siempre, amigo!


[1] Nome cunhado por Eduardo Escorel nos anos 90.

[2] Em 2006, Sérgio Muniz digitalizou o filme, substituindo a narração antiga por uma mais atual, e acrescentando alguns novos materiais, como recortes de jornais e revistas, imagens de televisão, e ainda transcrição de depoimentos de pessoas torturadas e fragmentos das obras de teatro "A Resistível Ascensão de Arturo Ui" (Bertold Brecht) e "O Interrogatório" (Peter Weiss).

[3] Estes quatro documentários estão na origem da futura “Caravana Farkas”.


Capa do livro De Oscar a Niemeyer, de Ivan Alves Filho

Ivan e Niemeyer: a beleza arquitetônica de uma amizade

Eduardo Rocha*

“A sabedoria se torna loucura, prazer e dor”.

 Gueorgi Plekhanov

“(...) a práxis como atividade material do homem transforma o mundo natural e social para fazer dele um mundo humano”.

Adolfo Sanches Vasques

Acabei de ler prazerosamente o recente livro do historiador e jornalista Ivan Alves Filho, intitulado De Oscar a Niemeyer: meu convívio com o maior arquiteto contemporâneo. Este meu pobre, modesto e curto texto não cobre, não expressa, com certeza, a grandiosidade humana do texto escrito por este intelectual da mais fina, sensível e bela flor vermelha pecebista - que é autor de vários livros que desnudam alguns e decisivos episódios da realidade histórica brasileira.

Intelectual este com quem tive o prazer de ladeá-lo na mesa durante as comemorações dos gloriosos 100 Anos do PCB, organizadas pelo Cidadania (sucessor legítimo do PCB-PPS) e pela Fundação Astrojildo Pereira, e feitas no clima-calor agradável de 25 de março de 2022 na cidade de Niterói, estado do Rio de Janeiro, berço físico-político-histórico do PCB – portanto, comemorações estas realizadas na mesma data do primeiro congresso do PCB, onde então estiveram presentes apenas nove delegados representando 73 comunistas de todo Brasil.

Lembro que em 2002 visitei onde fora a “sede” do local onde fora fundado o PCB em 25 de março de 1922 – era, em 1922, uma casa que pertencia à família de Astrojildo Pereira. Foi ali onde se realizou o Primeiro Congresso do PCB. Passaram-se décadas e aquele “espaço” tinha se transformado, lá em Niterói, num estacionamento. Que fim levou este patrimônio histórico!

Mas compreendamos: a vida do PCB nunca foi fácil. Era o ano de 2002. E estávamos, na cidade de Niterói, lançando então a chapa PPS-PDT, composta por Ciro Gomes (presidente) e Leonel Brizola (vice-presidente) para as eleições presidenciais de então.

Lembro que tinha uma placa no muro frente ao estacionamento (e aí tiramos uma foto) que dizia que ali fora fundado o PCB. Tirei até uma foto frente a esta placa ao lado de Salomão Malina, Francisco Inácio Almeida, Roberto Percinoto, Paulo Eliziário, Luzia Ferreira e George Gurgel.

Não sei onde está esta foto.

Deve estar perdida por aí.

Mas está em minha memória. Aproveitando a estadia em Niterói, outros camaradas, após o término da convenção eleitoral, também visitaram a “sede congressual” e também tiraram fotos.

Desta mesa das comemorações dos 100 Anos do PCB, da qual o Cidadania generosamente me convidou a compô-la, estava também, para minha alegria pessoal e também contribuindo para o enriquecimento intelectual-cultural-político do evento, a meu lado e ao lado de Ivan Alves Filho, outro intelectual da matriz de 1922, o camarada Martin Cesar Feijó, autor da biografia do fundador do PCB, intitulada O revolucionário cordial: Astrojildo Pereira e as origens de uma política cultural. Assinale-se que Martin Cezar Feijó tem também larga e multifacetada produção bibliográfica.

Eu era o expositor menor, o mais simples.

Falei sobre a trajetória da Juventude Comunista na história do PCB.

Foi a tarefa que me incumbiram.

Minha fala foi uma modesta e curta.

Ivan Alves Filho e Martin Cesar Feijó deram um show de história partidária e de reflexões sobre política cultural.

Voltando ao livro.

Em seu mais recente trabalho, narrando sua amizade com Oscar Ribeiro de Almeida Niemeyer Soares Filho (1907-2012), Ivan Alves Filho, transferindo o seu intelecto memorial às letras, expressa muito mais que política, expressa muito mais que as artes da arquitetura, expressa muito mais que as moléculas comprometedoras e decisivas da história brasileira e mundial, expressa muito mais que memórias humano-geográficas diversas e inapagáveis que ele presenciou: expressa, isto sim, uma amizade sincera, carinhosa, leal, afetuosa e de camaradagem (dentro da maravilhosa tradição solidário-humana do Partidão que eu vivi) e relatada com fraternidade, precisão, honestidade e sinceridade num texto extremamente agradável.

A verdade é sempre concreta (ela nunca é abstrata – um elefante não voa, não bate asas!), mas precisará sempre de uma aliada imprescindível para posicionar-se dignamente perante o mundo e vencer a mentira, que roda o mundo mesmo antes da verdade calçar as sua sandálias: a consciência honesta. E a verdade Ivan Alves Filho a tem como companheira desde o berço. Cada letra sua nesta sua obra está assentada materialmente pela verdade histórica realmente vivida por ele.

Seu recente trabalho histórico expressa a beleza e o carinho da arquitetura memorial social-intelectual-humana de uma sólida amizade entre dois seres humanos histórica, inequívoca e irrevogavelmente vinculados à raiz do legado histórico de 1922 – cada um, claro, entrando no PCB a seu tempo, a seu modo, a seu motivo e cada um cumprindo seu papel histórico diante das turbulências vividas pelo PCB.

E ambos (Oscar e Ivan) cumpriram bem seus papeis históricos.

Ivan, por ser mais jovem, ainda tem mais a dar à inteligência histórica brasileira.

É jovem!

E pode ainda mais ajudar a todos os que creem na verdade científico-concreta a sairmos do reino da ignorância-religiosa e entramos na República do conhecimento-científico libertador da humanidade do reino da necessidade.

Não posso deixar de parabenizar Ivan Alves Filho por sua obra, que fala de um inigualável do nosso Partido de origem, o PCB, Oscar Niemeyer e, também, de um inigualável ser humano em todo o mundo.

Não é todo dia que nasce, se forja e se apresenta ao mundo um ser humano com esses atributos humano-intelectuais e, justo dizer, revolucionários: Oscar Niemeyer.

Como nos informa Ivan Alves Filho, Niemeyer sempre, juntamente com sua arte, levantou sua voz a favor dos oprimidos, dos pobres, dos miseráveis, dos explorados, dos excluídos e sempre se posicionou a favor dos que sofrem no regime capitalista.

Niemeyer nunca vacilou.

Sempre teve um lado.

Digno defensor da paz, da democracia e do socialismo.

Defensor da dignidade humana.

A beleza arquitetônica concretizada, objetivada, realmente existente, realiza na prática (desde a arquitetura chinesa, passando pela greco-romana e muito antes os desenhos rupestres de aproximadamente 40.000 anos atrás) a beleza criativa da inteligência humana e proporciona a beleza da contemplação-cognitiva conquistada e apreciada pela humanidade.

A inteligência humana criou belezas arquitetônicas, a exemplo do que fizeram os persas, fenícios, egípcios, hititas, celtas, hebreus, cartagineses e os povos originários da América (sejam os povos da Norte, da Central, do Caribe ou do Sul) , como os incas, astecas, maias, guaranis, tupinambás, apaches, shawees, navajos e, assim como os povos africanos e asiáticos.

A beleza emancipacionista-libertária do espírito rebelde-crítico de Niemeyer, a riqueza de sua alma criativa da beleza humano-arquitetônica, de sua solidariedade ao PCB, de seu domínio da ciência da arte do desenho humano e da natureza, tudo isso é revelado pelas letras conscientes de Ivan Alves Filho, em tão poucas e ricas e nutritivas linhas históricas.

Com seu texto, Ivan Alves Filho não nos fala da fria arquitetura do concreto, não nos fala das fórmulas matemáticas complexas que a presidem (o que, em si, é também uma beleza, desde Pitágoras), e que proporcionaram a construção de grandes obras que a inteligência humana criou nos últimos milênios.

Não!

Ivan Alves Filho, com o seu De Oscar a Niemeyer, não nos leva à frieza e certeira das chamadas ciências duras (física, química, biologia, geologia, astronomia e botânica).

Oscar tanto Niemeyer e quanto Ivan Alves Filho sempre estiveram do mesmo do lado: a favor de todo o multifacético progresso social do ser humano. Por isso, não causa espanto Ivan Alves Filho descrever a beleza da arquitetura humana calorosa de Oscar Niemeyer pela vida, pelo justo, pelo bem, pela amizade sincera, pela solidariedade internacional dos povos.

Oscar Niemeyer projetou arquitetonicamente muitas obras que foram concretamente realizadas, mas seu pensamento concreto foi o de contribuir para a arquitetura humana de uma humanidade pacífica, democrática, harmoniosa, economicamente desenvolvida, ambientalmente humano-sustentável, justa socialmente, culturalmente avançada e universal, cientificamente desenvolvida, humanamente solidária, livre de preconceitos, autoritarismos, ignorâncias, misticismos e obscurantismo.

Seu texto claro, suave, calmo, memorial e sincero nos brinda com informações que expressam não apenas a sua amizade político-histórica-pessoal-familiar vivida com Oscar Niemeyer (um privilégio para poucos), mas revela também momentos cruciais e decisivos da vida nacional brasileira e internacional – e porque também não dizer, de um lado, dos momentos difíceis vividos pela vida real-concreta pelo próprio autor (que sofreu com os dentes e hálitos horrorosos da hiena da ditatura de 64) e, de outro, de momentos que as circunstâncias históricas compensaram  todo o seu sofrimento pessoal – pela sua coerência política, ética e ideológica.

Muitas informações passadas pelo seu livro eu mesmo as desconhecia. O conhecimento não se apreende de supetão, de imediato.  Foi Lenin quem disse que a apreensão da realidade se dá por longas e tortuosas aproximações sucessivas, progressivas à realidade concreta e, partir daí, originam-se interpretações e posições para as ações concretas.  

Não é fácil apreender o real.

Nem todo intelecto ao interpretar a realidade resulta numa posição progressista, pois os interesses de classe, em ultima instância, determinam a consciência e sua relação com o ser social.

Temos nos herdeiros de 1922 (PCB-PPS-Cidadania), uma missão: temos de colaborar para extirpar pela raiz as bases sociais, econômicas, culturais e ideológicas que levam parcelas do povo brasileiro em crerem em “mitos”, sejam eles quais forem – tragédias essas que vitaminam o nazi-fascismo tupiniquim.

E o lulopetismo também não é solução para os gigantes desafios histórico-estruturais que devem ser enfrentados e superados pela democracia brasileira - o lulopetismo é o atraso inverso do bolsonarismo. 

O Brasil precisa de forças democráticas que operem democraticamente transformações estrutural-democráticas dentro da democracia e da República a favor da maioria do nosso povo brasileiro.

Seu texto revela detalhes da solidariedade militante concreta de sua vida pessoal e com o seu internacionalismo impregnado/gestado desde criança por seu pai (Ivan Alves) – não apenas do autor, que se mantém honesta e dignamente na sua posição histórica diante das cruciais curvaturas da vida nacional - mas do nosso maior arquiteto a todos os que se dispuseram a revolucionar democraticamente o Brasil e o mundo; suas linhas escritas expressam a convivência humanista de vida e ideais revolucionários não só entre dois fraternos amigos, mas, complementarmente, entre dois responsáveis camaradas cúmplices de sonhos, lutas, inteligências, articulações, convicções e esperanças empenhadas na construção de um Brasil e de um mundo melhor.

Ivan Alves Filho rememora personagens históricos que projetaram e construíram o concreto teórico-ideológico-político-organizacional material-concreto do PCB e outras forças democráticas que deram corajosa substância humana à conquista da democracia, sepultando assim as trevas inauguradas em 1964, e relembra mesmo personagens – que se tornaram seus amigos - que são caros à conquista da independência da Argélia frente à França, por exemplo.

Ivan Alves Filho, em seu livro, faz uma referência justa e honesta para o imprescindível Francisco Inácio Almeida, secretário de Luís Carlos Prestes em Moscou, na então União Soviética, e um dos mais destacados e competentes dirigentes do PCB-PPS-Cidadania.

Ele diz: “Talvez, em toda a minha vida, eu só tenha convivido com uma outra pessoa com as mesma generosidade de Oscar, o meu querido amigo Francisco Inácio de Almeida, figura fundamental na história das lutas sociais do Brasil, cearense de Baturité”.

Francisco Inácio Almeida é um ser humano solidário que eleva o espírito humano a torna-se universalmente humano-solidário.

O autor revela também seu aprendizado político-humanista recebido pelo artista-humanista de Brasília e da arquitetura do humanismo universal (parece Ivan colocar-se sempre humildemente como um jovem permanente aprendiz diante de um generoso sábio Oscar Niemeyer).

Nas suas linhas descreve os momentos que lhe marcaram pessoalmente – momentos material-políticos difíceis que o autor vivenciou no Brasil e no exílio durante os anos do regime ditatorial vindo às trevas em 1964 até momentos de sofisticação intelectual proporcionado não só pelo amigo, mas pelas suas andanças políticas, culturais e acadêmicas pelos países que conheceu, pelas universidades que cursou, pelos livros que leu, pelos livros que escreveu, pelos acontecimentos que assistiu e com as pessoas das mais diversas matrizes teórico-ideológicas com que conviveu e apreendeu, professou e moldaram sua consciência generosamente humana.

Muitos já escreveram sobre Oscar Niemeyer, um Singular magistralmente Universal, devido sua Particularidade criativa. Esta obra de Ivan Alves Filho não navega nas frias, matematizadas e inanimadas curvas arquitetônicas do concreto projetadas e construídas no Brasil e mundo afora, com o suor de operários, que sempre mereceram seu carinho, amor, e solidariedade militante.

O que encontraremos nesta obra são curvas, linhas, projeções, ângulos, significados imaginário-humanos que Niemeyer objetivou, concretizou, materializou em sua universal subjetividade impregnada da modernidade suave e da beleza da inteligência humanista que ele sempre portou.

As curvas literárias trabalhadas por Ivan Alves Filho são as curvas humano-históricas da vida humana em sua multifacetada beleza e crueldade em momentos difíceis pelos seres humanos que lutaram pela humanidade\ – a contradição da vida, sempre presente até mesmo numa curva, que é a negação da reta!

Marx diz que o gênero humano, agindo sobre a natureza exterior à sua consciência natural-humana e modificando-a materialmente, muda sua própria natureza humana, isto é, ele muda sua natureza física e intelectual e, com  isso, seu próprio mundo social.

A consciência humana, aprendi isso, não age apenas sobre a natureza inorgânica e orgânica – uma necessidade histórica inegociável à preservação da vida humana, há que produzir comida e as condições mínimas para a existência humana -, mas age também sobre a sua própria natureza sócio intelectual, age sobre si mesma, num processo doloroso de luta pela sobrevivência material-intelectual da vida concreta, na luta pelo conhecimento humano-universal contra a ignorância múltipla (repleta de ignorância místico-religiosa) e sedenta de sabedoria científica-libertadora das trevas, que deve enfrentar o ser social material e realmente existente, esta galáxia de pensamentos nada inocentes, pois revelam o grau desigual atingido de consciência social pela humanidade.

Recomendo a leitura de De Oscar a Niemeyer: meu convívio com o maior arquiteto contemporâneo, de  Ivan Alves Filho.

É um belíssimo trabalho que deve ser lido e nutrir as novas gerações que a vida democrática e pluralista vale a pena, que a solidariedade humana vale a pena, que a inteligência científico-criativa vale a pena, que lutar pela transformação do mundo para sair do reino da ignorância e do reino da necessidade para o reino da liberdade vale a pena.

E por fim, para não me alongar e tomar mais o tempo do leitor, a obra de Ivan mostra que a amizade verdadeira, leal, sincera, honesta e real deve ser sempre vivida, lembrada, valorizada e eternizada.

É uma práxis (esta atividade humana intelectual-material) perante a realidade do ser social que cerca o gênero humano e o determina e o leva, sob determinadas circunstâncias, a transformar objetivamente este mundo num mundo que faça a humanidade feliz.

Fica o meu modesto registro de congratulações não só ao autor como também ao eterno camarada Oscar Niemeyer.

Eduardo Rocha, Guarulhos, SP, domingo, 30/07/2023

Referências Bibliográficas

  1. Alves Filho, Ivan. De Oscar a Niemeyer: meu convívio com o maior arquiteto contemporâneo / Ivan Alves Filho, -- 1º ed. – Tiradentes, Minas Gerais, Brasil: Aquarius, 2023. 86 p.

  • Feijó, Martim Cezar. O revolucionário cordial: Astrojildo Pereira e as origens de uma política cultural. São Paulo. Editora Boitempo Editorial, 2022. 256 p.

Eduardo Rocha é economista pela Universidade Mackenzie, pós-graduado com especialização em Economia do Trabalho e Sindicalismo pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Foi Economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), articulista da Voz da Unidade, órgão oficial de imprensa do PCB, e secretário de Salomão Malina, último secretário-geral do Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro (PCB), e dirigente Nacional do Partido Popular Socialista (PPS), sucessor do PCB.


Cidadania, um espaço de atuação antenado com os novos tempos

Francisco Inácio de Almeida e Ivan Alves Filho

Agremiação política formada em 2019, como resultado da transformação que atingiu o Partido Popular Socialista (PPS), o Cidadania23 tem por objetivo contribuir para mudar a vida dos brasileiros em seus múltiplos aspectos.

Posicionando-se como herdeiro das lutas libertárias do nosso povo, as quais tiveram, em diferentes períodos, no decorrer do século XX, a participação decisiva dos anarquistas, dos socialistas e dos comunistas, o Cidadania23 tem consciência, contudo, de que vivemos um momento historicamente novo, o qual se pauta pela emergência de novos campos de reflexão e de luta.

As mudanças na esfera produtiva, com os avanços possibilitados pela automação, a inteligência artificial e o trabalho por conta própria, já deixam marcas profundas na nossa maneira de fazer política.

Se o movimento anarquista correspondeu a uma fase da organização da indústria, mais artesanal, e o movimento comunista representava a fase da indústria pesada, com uma maior separação entre o capital e o trabalho, hoje entramos em uma nova era industrial ou até mesmo pós-industrial, com ênfase na sociedade do conhecimento e no trabalho imaterial. Somos Cidadania!

O Cidadania é um movimento em diálogo permanente com a sociedade, transformando e se transformando na luta por uma nova hegemonia política que assegure a ampliação e consolidação da democracia brasileira na busca de uma nova economia, com inclusão social, preservadora do meio ambiente e dos nossos valores culturais, os valores do Humanismo.

É natural que uma outra política se faça necessária, a partir das transformações que se operam na base material da nossa sociedade. O mundo do trabalho, o mundo da cultura e a Democracia formam o tripé da nossa atuação política renovada.

O Cidadania23 entende a Democracia como um valor civilizatório, com desdobramentos nos terrenos econômico, social e institucional. Ou seja, a Democracia como meio e como fim. Alguns setores revelam mais sensibilidade na abordagem da Democracia econômica, outros avançam mais na compreensão da Democracia social ou política.

Mas o chão democrático comum pode uni-los. E a linha divisória se dá entre Democracia e Autoritarismo. Ou, se preferirmos, entre Civilização e Barbárie.

Cumpre um papel importante neste processo de retomada da Democracia o pleno entendimento do que o Estado representa de fato na vida contemporânea. Este entendimento repousa em dois pilares. De um lado, é preciso afirmar sempre sua dimensão pública, lutando contra a sua privatização ou submissão a interesses particulares.

De outro, é necessário que o Estado se submeta, aí sim, aos interesses maiores da sociedade. A esfera pública só assim poderá ser realmente contemplada. Um partido político contemporâneo tem que ser o representante da sociedade no Estado e não o contrário.

Mais: a contradição não se dá entre Estado e mercado, mas entre capital e interesse social. O conteúdo público de uma determinada propriedade é dado não por seu caráter formal, mas por sua gestão. Estatização não é sinônimo de socialismo, nem mercado sinônimo de capitalismo.

O mundo está em acelerada transformação. As fronteiras entre as classes sociais, os modos de vida se deslocam constantemente, assim como se alteram a nossa visão de mundo e a relação do homem com a natureza. Daí a necessidade imperiosa de alinharmos alguns eixos de ação, a saber:

a) exame do desenvolvimento atual das forças produtivas, com foco na automação, na inteligência artificial, no empreendedorismo e na nanobiotecnologia;

b) análise dos impasses atuais impostos ao meio ambiente e à sobrevivência da espécie humana;

c) aprofundamento do conhecimento da cultura brasileira e internacional (regionalismo, dimensão identitária, miscigenação, papel da contra elite cultural, a contribuição ou presença feminina, a relação com as instâncias institucionais);

d) e, por fim, estudo permanente e acurado da Democracia, entendida como uma conquista da própria Humanidade.

Repensar, em suma, o caráter de massas da Democracia, democratizar a própria Democracia, afinando os instrumentos de representatividade, nos quais têm um valor central o trabalho colegiado e a rotatividade em todas as esferas do poder.

Um denominador comum possível talvez seja a cidadania. Seu vínculo com o mundo do trabalho pode ser feito por intermédio da Constituição. Sua ligação com cada um de nós, individualmente falando, pode ser realizada por meio das lutas identitárias, incluindo aí a cultura como pertencimento. Seu elo com as liberdades pode se dar pela defesa dos direitos de ir e vir das pessoas.

A cidadania pode ser o grande fator estruturante da participação popular pelas mudanças. Ela perpassa o sistema de classes; como conquista do processo civilizatório não é monopólio de classe alguma. É um patrimônio de todos. A lógica do lucro atinge a toda a sociedade, e não apenas a quem nela trabalha. A cidadania, nesse sentido, concerne a todos os membros dela. É unificadora das mais diferentes sensibilidades.

A luta social ensina que precisamos de duas grandes ferramentas. São elas um programa e o instrumento para sua colocação em prática. A reflexão e a ação, dialeticamente irmanadas.

O Cidadania23 é motivo de orgulho para quem quer fazer política de alto nível, num país em que a atividade política não é praticada como deveria, sobretudo por não levar em conta os interesses maiores da sociedade.

Em toda a nossa rica e longa trajetória, oriundos que somos do Partido Popular Socialista e do Partido Comunista Brasileiro, cujo centenário ocorreu há um ano, nós nos reinventamos sempre que a realidade nos coloca esta necessidade, sempre agregando personalidades e cabeças pensantes de relevo nas ciências (sobretudo sociais e políticas), na cultura e nas atividades sociais e políticas, particularmente homens e mulheres que desejam um Brasil melhor e para todos, e não apenas para uma minoria.

Nesta nova realidade, somos o partido que primeiro se articulou com os movimentos sociais, surgidos de atividades organizadas através das redes sociais, particularmente as engajadas nas tecnologias modernas da internet, como o WhatsApp.

Além do mais, objetivando bons resultados para os brasileiros, estamos abertos ao diálogo com todas as forças políticas, evidentemente que não com as que defenderam o Governo Bolsonaro e sua postura antidemocrática contra as instituições e seus membros.

Destaque-se que nenhum grupo politico fez mais por este país do que o nosso partido, de que é exemplo o seu permanente empenho na defesa da democracia e de oportunidades iguais para todos. Exemplo maior nesse sentido foi sua batalha para que fosse feita uma Reforma Agrária no país.

Para tanto, teve a iniciativa de estimular e colaborar para a criação de sindicatos rurais, por todo o território nacional. Foi também o principal responsável pela criação da União dos Lavradores e Trabalhadores Agrícolas do Brasil (Ultab), em 1961, assim como da fundação, em 1963, da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura (a famosa Contag).

A campanha O Petróleo é Nosso, um dos maiores e mais consequentes movimentos de massa a dominar as ruas do país, teve apoio decisivo nosso. Isso desde meados dos anos 40 e que se tornou vitorioso, em outubro de 1953, quando o presidente Getúlio Vargas criou a Petrobras – Empresa Brasileira de Petróleo.

A luta sistemática e permanente em defesa da mulher, dos seus direitos e evitando-se que ela seja escanteada do seu espaço político natural, também começou por iniciativas de nosso partido, nas primeiras dezenas do século passado.

Ressalte-se que uma das maiores ativistas do Bloco Operário Camponês seria Rosa de Bittencourt, que trabalhava como tecelã em Petrópolis e representaria a mulher brasileira no Congresso Mundial da Mulher, em 1930, na antiga União Soviética. Rosa foi a primeira mulher a aderir ao Partido, ainda em 1922.

Era um período de grande efervescência social e as mulheres não permaneciam alheias a isso. Havia uma dedicação total ao PCB. Uma dessas mulheres, Laura Brandão, poetisa alagoana, vivendo à época no Rio de Janeiro incorporou-se, em 1925, ao lado de Astrojildo Pereira e Otávio Brandão, ao comitê de redação do jornal A Classe Operária.

Desde os anos 30, seus militantes participam da luta na defesa dos índios e tiveram papel central na demarcação e preservação das terras indígenas, atuando em estreita ligação com o marechal Candido Rondon e os irmãos sertanistas Villas-Boas, na primeira metade do século passado.

O Partido também incorpora, desde sua fundação, cidadãos negros, por entender que não havia nem há como garantir um projeto de mudanças para o Brasil sem o combate ao racismo e à exclusão social.

Em 1930, o Partido lançou um operário negro Minervino de Oliveira, do Bloco Operário e Camponês (Boc), como candidato à Presidência da República.

Destaque-se também que o primeiro deputado negro no Brasil foi, em 1945, o operário Claudino José da Silva, do Rio de Janeiro, e que o I Congresso do Negro Brasileiro, realizado em 26 de agosto de 1950, teve a participação decisiva do antropólogo Edison Carneiro, filiado ao nosso Partido.

Nosso Partido conquistou para suas fileiras, desde os anos 1930, a figura singular de Luiz Carlos Prestes, que teve rica expressão na vida política brasileira, assim como outros dirigentes de grande importância nacional, cabeças políticas de alto nível, que deram rica contribuição ao Brasil e revelaram-se líderes partidários exemplares, dentre outros Giocondo Dias, Salomão Malina, Armênio Guedes e Roberto Freire.

A questão judaica também mereceu atenção especial do Partido, desde o seu surgimento nos anos 1920, chegando a conquistar e a incorporar judeus em sua atuação partidária de que são exemplo Jacob Gorender, Salomão Malina, Marcos Jaimovich, Helena Bessermann e Dina Lida Kinoshita.

No movimento editorial, temos Ênio Silveira, Moacyr Félix, Caio Prado Junior, Renato Guimarães, Raul Mateos Castell, dentre outros, e na história da literatura brasileira agregam-se nomes comunistas da qualidade de Astrojildo Pereira, Anibal Machado, Alvaro Moreira, Bandeira Tribuzzi, Bernardo Élis, Ferreira Gullar, Graciliano Ramos, Jorge Amado, Oswald de Andrade, Solano Trindade e tantos outros, assim como os historiadores Caio Prado Jr., Nelson Werneck Sodré e Joel Rufino dos Santos.

Nas artes plásticas, destacam-se nomes como Candido Portinari, Tarsila do Amaral, Abelardo da Hora, Villanova Artigas, Di Cavalcanti, Ana de Holanda, Aparecida Azedo; e no cinema, figuras como Nelson Pereira dos Santos, João Batista de Andrade, Ruy Santos, Alex Vianny, Lima Duarte, Bete Mendes, Vladimir Carvalho, Silvio Tendler e Zelito Viana.

No teatro e na televisão, nomes como os de Dias Gomes, Gianfrancesco Guarnieri, Glauce Rocha, Dina Sfat, Procópio Ferreira, Mário Lago, Oduvaldo Viana Filho e Stepan Nercessian.

Na música, clássica ou popular, nomes como os maestros Claudio Santoro, um dos fundadores da Orquestra Sinfônica Brasileira, e Francisco Mignone; compositores como Arnaldo Estrela, Camargo Guarnieri, Candeia, Carlos Lira, Jards Macalé, Jorge Goulart, José Carlos Capinam, Noca da Portela, Noel Rosa, Paulinho da Viola, Gonzaguinha (Luiz Gonzaga Junior), Sidney Miller.

No jornalismo, Élio Gáspari, Vladimir Herzog, Eneida de Moraes, Sergio Cabral, Milton Coelho da Graça, Noé Gertel, Ivan Alves e Odalves Lima.

O impacto das transformações técnicas e científicas, a partir da robótica, da telemática e dos meios de comunicação de massa, afetou a sociedade moderna e toda a vida política, econômica e social contemporânea.

As organizações políticas, econômicas, sociais, culturais e espirituais se transformaram e continuam sendo impactadas com este processo em andamento que integra e fragmenta a sociedade moderna.

As organizações político-partidárias são parte integrante deste processo de transformação. No caso concreto, o PCB-PPS e atual Cidadania23 procurou e continua procurando adaptar-se a este novo cenário político, econômico e social.


Mulheres negras debatem preservação da Amazônia em live da FAP

Comunicação FAP

A Fundação Astrojildo Pereira (FAP) realizará nesta terça-feira (1/8), das 18h às 19h, uma live para debater as “sabenças de mulheres negras, com autonomia e afetos na Amazônia". Durante o encontro virtual, elas discutirão ações importantes para a preservação do bioma, que é um dos mais ricos em biodiversidade do mundo.

https://www.youtube.com/watch?v=_fBIS7JKHHU

A live terá transmissão em tempo real no site da FAP, na página da entidade no Facebook e no canal da instituição no Youtube. O público poderá enviar perguntas por meio das próprias plataformas digitais.

De acordo com a diretora executiva da FAP e mediadora do debate, Jane Monteiro Neves, chama atenção para o “desmatamento indiscriminado das florestas”. Ela também é mestre em Enfermagem de Saúde Coletiva e professora da Universidade Estadual do Pará (UEPA).

Participantes

Josanira Rosa da Luz: Bacharel em Administração, conselheira do Centro de Cultura Negra, secretária geral do Fórum de Segurança Alimentar e Nutricional e Conselheira do Consea.

Bianca Pereira da Silva: Bacharel em Serviço Social, integrante dos coletivos ALAGBARA e Oorun Ombirin de mulheres negras e quilombolas e da comissão de heteroidentificação racial da UFT E Cesgranrio.

Angélica Albuquerque da Silva: Mulher negra e gorda, museóloga, educadora popular e patrimonial e consultora de imagem e estilo.