Educação de qualidade

Gravidez entre meninas de até 15 anos diminui menos no Brasil na última década

As gestações entre pré-adolescentes de até 15 anos permaneceram praticamente estáveis na última década no Brasil. Por outro lado, a natalidade entre mulheres acima desta idade caiu consideravelmente no mesmo período. Esta diferença tem preocupado especialistas.

As gestações entre pré-adolescentes de até 15 anos permaneceram praticamente estáveis na última década no Brasil. Por outro lado, a natalidade entre mulheres acima desta idade caiu consideravelmente no mesmo período. Esta diferença tem preocupado especialistas.

A natalidade total teve uma queda de 11% entre 2003 e 2014, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No entanto, enquanto os nascimentos entre meninas de 15 a 19 anos recuaram 23% no mesmo período, entre aquelas com até 15 anos a baixa foi de apenas 5% — mantendo participação estável em relação aos nascimentos totais.

Para especialistas, o cenário é preocupante na medida em que o corpo das pré-adolescentes ainda está em formação. A gravidez precoce prejudica tanto o desenvolvimento físico, como psicológico e social, uma vez que a maior parte delas precisa parar de estudar para ter o bebê — muitas vezes sem o apoio do pai da criança.

Jaime Nadal, representante do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) no Brasil, lembra que o fenômeno afeta principalmente adolescentes e pré-adolescentes mais pobres, que muitas vezes não têm acesso a serviços de saúde reprodutiva. Outras engravidam voluntariamente por não ter perspectivas de um futuro que vá além da maternidade.

“Estamos falando de crianças tendo crianças”, disse Nadal. “Ficamos preocupados com o tema da gravidez precoce pelo que isso significa: para muitas adolescentes, a maternidade é praticamente o único projeto de vida”, completou.

A falta de informação e de educação sexual tanto na escola como na família, assim como o machismo e o moralismo envolvendo a sexualidade feminina também agravam o problema. As meninas de até 15 anos são ainda mais vulneráveis, por terem menos conhecimento sobre seu próprio corpo e sobre métodos contraceptivos.

“Elas também sofrem mais com o julgamento moral condenatório dos adultos frente ao exercício sexual”, explicou Jacqueline Pitanguy, socióloga, cientista política e coordenadora da ONG especializada em direito das mulheres Cepia. Para ela, as pré-adolescentes estão mais sujeitas à violência sexual, especialmente cometida por pessoas próximas e familiares.

Na opinião da cientista social e especialista em estudos de gênero Carmem Barroso, a estabilidade dos índices de gravidez entre meninas menores de 15 anos é preocupante, já que são mães-crianças. “É um sintoma da grave situação de abandono e desrespeito à lei. A gravidez nesta idade dificilmente é voluntária, a própria relação sexual é frequentemente forçada. A lei a considera uma violação, permitindo aborto em caso de violação e risco à vida”, afirmou.

Dados do IBGE mostram que, em 2014, nasceram 26,6 mil bebês filhos de meninas de até 15 anos – quase 1% do total de nascimentos no país. No caso das meninas entre 15 e 19 anos, o número é bem maior, de 533 mil, com tendência de queda na última década e uma participação atual de quase 18% dos nascimentos totais.

De acordo com o UNFPA, 40% das meninas que são mães com menos de 19 anos abandonam a escola. A agência da ONU estima que a demanda não-atendida por contraceptivos se encontre entre os 6% e 7,7%, afetando aproximadamente de 3,5 a 4,2 milhões de mulheres em idade reprodutiva.

Do total de nascimentos nos últimos cinco anos, 54% foram planejados para aquele momento. Entre os 46% restantes, 28% eram desejados para mais tarde e 18% não foram desejados.

Consequências para a vida

As taxas de fecundidade adolescente na América Latina e no Caribe são umas das mais altas do mundo. Apenas uma em cada quatro meninas se declara satisfeita com as políticas públicas de planejamento familiar na região, apontou relatório recente da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL).

O organismo das Nações Unidas lembra que a gravidez precoce gera uma série de barreiras para o desenvolvimento inclusivo e autônomo das mulheres por suas implicações na saúde e no exercício de outros direitos, como à educação, ao trabalho, ao tempo de lazer, e gera maior carga econômica associada à criação dos filhos.

As mães adolescentes também têm mais chances de sofrer discriminação de gênero e estigmas culturais, enquanto a gravidez precoce contribui para a manutenção da pobreza de uma geração para outra, aponta a CEPAL.

“A função de mãe não é socializada, ou seja, as creches públicas que aceitam bebês são muito raras. Então, é uma função exercida, sobretudo, pela família e pela mãe”, disse Pitanguy. “Quando há gravidez num período em que a menina deveria estar estudando, construindo um projeto de vida profissional, ela recebe essa sobrecarga, o que significa que terá muito menos tempo para estudos e aperfeiçoamento profissional ou artístico”.

Para a socióloga, é necessário o Estado brasileiro informar adolescentes e pré-adolescentes sobre a prevenção da gravidez por meio de um programa de educação sexual nas escolas. “É fundamental que essas jovens tenham acesso a serviços de saúde pública e que recebam informação sobre sexualidade, vida reprodutiva e métodos contraceptivos, para que possam ser atendidas com privacidade”, declarou.

“É um capital humano que o país perde”, disse Nadal, do UNFPA. “O país deveria ter políticas efetivas para evitar a união precoce, que leva à maternidade precoce e limita as oportunidades para essas meninas e para suas famílias”, concluiu.

(Foto de capa do vídeo: EBC)


Combate à violência de gênero deve envolver homens e mulheres, diz parceiro da ONU

Em entrevista à Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), a diretora do Instituto Promundo, Tatiana Moura, fala sobre a importância de discutir os papeis de homens e mulheres na sociedade para promover a igualdade de gênero e combater a violência contra o público feminino.

Acabar com debates sobre questões de gênero e orientação sexual nas escolas brasileiras é “um retrocesso perigoso” que pode perpetuar ciclos de violência e desigualdade. A conclusão é de Tatiana Moura, diretora do Instituto Promundo, uma organização não governamental criada em 1997 no Brasil para combater a discriminação contra mulheres através do engajamento de homens e meninos.

Desde sua fundação, a instituição já levou seus projetos para 22 países, como Ruanda, Portugal e República Democrática do Congo, além de firmar parcerias com agências das Nações Unidas, como o Fundo de População da ONU (UNFPA).

Em entrevista ao Observatório de Energias Renováveis para América Latina e Caribe, da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), Moura contou um pouco sobre sua trajetória profissional e sobre o trabalho do Promundo na busca pelo empoderamento feminino e por mudanças na forma como homens, rapazes e meninos vivem em sociedade.

UNIDO: Primeiro, conte-nos um pouco sobre o longo trabalho que o Promundo desenvolve na questão da igualdade de gênero. Você começou a desenvolvê-lo na universidade, não foi?

Tatiana Moura: A consciência sobre desigualdade de gênero não começa necessariamente na universidade. Acho que desde cedo, na adolescência, muito influenciada pela minha família majoritariamente feminina, tive consciência de que a igualdade entre mulheres e homens e igualdade de gênero, em geral, não era uma realidade próxima.

Na universidade, sempre me interessei pela corrente feminista das Relações Internacionais e desenvolvi a minha tese de mestrado sobre o papel das mulheres em guerras e pós-guerras (livro Entre Atenas e Esparta. Mulheres, Paz e Conflitos Armados, Almedina, 2005). Desenvolver e aprofundar esta linha de analise só foi possível graças à faculdade onde estudava (FEUC) e aos professores e professoras do mestrado e do curso de RI.

No doutorado, analisei a violência de gênero e patriarcado em contextos de violência urbana enquanto sistema de guerra. Ou seja, analisando o cenário do Rio de Janeiro, um cenário híbrido de paz formal com índices de homicídios semelhantes a contextos de guerra, perguntei: “onde estavam as mulheres?”. Quais os impactos desta violência armada e urbana nas suas vidas? Quais as formas de resiliência e resistência (onde podemos incluir também homens)?

Desta forma, percebi que cenários de violência armada urbana se baseiam em construções identitárias, (envolvendo) hipermasculinidade e feminilidade subordinada, muito próximas às das guerras formais. Daí, ter chamado estes contextos de “novíssimas guerras”, como forma de provocação e exigência de respostas mais inclusivas e eficazes.

UNIDO: O que a trouxe ao Rio?

T.M.: Paralelamente ao doutorado, coordenei projetos de pesquisa no Brasil e na América Latina. Trabalhei com grupos de resistência e busca de justiça – movimento de familiares de vítimas de chacinas no Rio –, conheci várias organizações que dialogam sobre estes mesmos temas e, o que seria 6 meses no Rio, transformou-se em anos. Em 2004, cheguei ao Rio. Estamos em 2016 e eu continuo no Rio, com alguns períodos em Portugal, pelo meio.

Neste percurso de tentar prevenir violência de gênero, seja no espaço privado, seja no público, decidi aprofundar a pesquisa e trabalho sobre masculinidades. E muito em particular, masculinidades contra-hegemônicas, não violentas e equitativas.

Acredito que, se queremos realmente prevenir violência de gênero e contribuir para a gender revolution, devemos olhar para a construção de formas positivas de se ser homem. Afinal, continuam a ser os homens os principais agressores no espaço doméstico, os principais combatentes nas guerras, mas são também os homens que mais morrem em resultado de armas de fogo – em guerras formais e fora delas; que morrem por fatores externos – acidentes no trânsito –, ou por doenças que se poderiam prevenir.

E, em 2011, passei a integrar a equipe do Instituto Promundo no Brasil. Encarei este passo como algo natural no meu percurso, enquanto pesquisadora e ativista feminista.

UNIDO: Você é diretora do Promundo, uma organização não governamental que promove a igualdade de gênero e a prevenção de violência, partindo de transformações de masculinidades. Por que trabalhar com a questão da masculinidade é tão importante?

T.M.: Trabalhar a questão da masculinidade e, em especial a hipermasculinidade ou masculinidade não equitativa e violenta, é essencial para pensarmos e promovermos a prevenção de violência de gênero.

Acreditamos que trabalhar com homens e meninos para transformar normas e dinâmicas de poder desiguais é um fator estratégico para alcançar a equidade de gênero. Para que o empoderamento das mulheres continue avançando, homens e meninos precisam tornar-se aliados no processo, conscientizando-se de que também são beneficiados quando normas prejudiciais de gênero são questionadas. Nossas pesquisas, programas e ações para influenciar políticas públicas (em inglês, advocacy) mostram que a promoção de noções positivas sobre o que significa ser homem ou mulher proporciona melhorias para suas vidas.

Nossas ações buscam gerar transformações em diversos níveis, tais como intervenções em grupos com homens e mulheres, campanhas, metodologias educativas e diálogo com instituições e governos para influenciar políticas e ampliar programas que proporcionem mudanças sociais.

UNIDO: Como surgiu o Promundo e quais são as principais linhas de ação?

T.M.: Com a criação do Instituto Promundo em 1997, no Rio de Janeiro, Brasil, a equipe do Promundo iniciou um legado de atuação no país. A primeira sede da organização é reconhecida internacionalmente por desenvolver pesquisas, metodologias, intervenções comunitárias e ações de incidência política no Brasil, na América Latina e em países de língua portuguesa, que são avaliadas e disseminadas mundialmente.

Desde sua fundação, o Promundo ampliou sua atuação para diversos países do mundo, a fim de contribuir com o avanço da equidade de gênero. Além de realizar campanhas e grupos educativos em contextos de pós-conflito, trabalhamos com grupos de terapia que criam espaços seguros para que homens e mulheres se recuperem de traumas.

Atualmente, já adaptamos nossas metodologias em mais de 22 países. E temos escritórios no Rio, Washington D.C., Kigali (Ruanda), Kinshasa (República Democrática do Congo) e em Coimbra (Portugal, associado ao Centro de Estuados Sociais da Universidade de Coimbra).

Grandes organizações incluindo a Organização das Nações Unidas, o Banco Mundial, a Organização Mundial de Saúde e governos nacionais, já apoiaram nossa causa, trabalhando como parceiros em nossas iniciativas ou adotando nossos programas e implementando-os em inúmeras comunidades em todo o mundo.

O Promundo é financiado por governos nacionais e locais, fundações, organismos internacionais, grandes organizações não governamentais e por meio de doações individuais.

UNIDO: A instituição está em diversos países. A luta pela igualdade de gênero pode ser analisada de diferentes perspectivas nestes países em que a instituição atua?

T.M.: Cada país tem questões urgentes específicas, como resultado da sua história (guerra, pós-guerra, violência urbana, questões legais e respeito por direitos humanos, etc). No entanto, o fato de usarmos as nossas metodologias, com adaptações a cada contexto, mostra que, na base, os problemas são comuns.

Os homens são considerados os principais provedores da família, as mulheres assumem o trabalho não remunerado do cuidado e das tarefas domesticas; as questões de paternidade –leis e práticas – estão, ainda, longe de ser equitativas; a violência tem, majoritariamente, um rosto masculino.

Podemos dizer que em nenhum país onde trabalhamos a igualdade de gênero, isso é uma realidade. E, portanto, a luta e as estratégias para alcançar essa igualdade são as mesmas, tentando dar resposta a questões nacionais especificas.

UNIDO: Há algum país que seria modelo na luta pela igualdade de gênero ou cada um possui diferentes formas de exprimir esta diferença?

T.M.: Se existir algum país onde a igualdade salarial é uma realidade, onde a divisão das tarefas domésticas e de cuidado é equitativa, onde nenhuma mulher sofra assédio e violência, onde as crianças não sejam vítimas de castigos físicos e humilhantes, onde a escolaridade mínima seja obrigatória e livre para todos os meninos e meninas, etc… esse país seria um modelo de sucesso dos séculos de luta pela igualdade. Não me parece que exista. Mas podemos, no entanto, identificar países que fizeram grandes progressos no caminho pela igualdade, como os países nórdicos na Europa, com as licenças parentais.

UNIDO: Vamos falar um pouco sobre o Brasil. Qual é a maior fragilidade do país na questão de igualdade de gênero?

T.M.: Justamente não querer falar sobre igualdade de gênero, o país passa por um momento de enormes retrocessos nesse tema, ao considerar que gênero, enquanto parte do currículo dos jovens nas escolas, é algo negativo. A existência de propostas – que em algumas partes do país já são realidade – que visam a retirar debates sobre gênero, orientação sexual e equidade das escolas representam um retrocesso perigoso no Brasil.

O Promundo realizou estudos onde percebemos que existe transmissão intergeracional de violência. O que significa isto? Significa que homens que, quando crianças, foram testemunhas de violência na esfera doméstica – do pai sobre a mãe ou do parceiro masculino sobre a mãe –  têm maior probabilidade de usar violência contra a parceira intima na idade adulta.

Ao mesmo tempo, percebemos que homens que, em criança, viveram em um lar mais equitativo, com pai participativo nas tarefas domésticas e de cuidado, reportam atitudes mais equitativas de gênero e menos violentas.

Ao evitarmos o debate sobre o tema, estamos (contribuindo) a perpetuar ciclos de violência que poderiam ser quebrados. A equidade de gênero – e os debates sobre ela desde cedo, na infância e adolescência – é encarada pelos grupos mais conservadores no Brasil como um desafio e ameaça à perpetuação de uma hipervirilidade e masculinidade hegemônica que subordina e subalterniza outros tipos de masculinidade – não violenta, homoafetiva, etc – e as mulheres em geral.

Este tipo de proposta se reflete em vários níveis da sociedade – ver questão do aborto e escolas públicas, direitos LGBT, etc – e terá consequências graves de médio e longo prazo, sem dúvida.

UNIDO: Há algum ponto em que o país tem se destacado no enfrentamento da questão?

T.M.: Em nível legislativo, o Brasil foi o primeiro país da América Latina e do mundo a criar as DEAMs, delegacias especializadas de atendimento à mulher, em 1985, em pleno processo de redemocratização do país. Criou, também, a Lei Maria da Penha que prevê a realização de grupos reflexivos para homens autores de violência, indo além de políticas meramente punitivas e repressivas que não pressupõem a quebra de ciclos de violência.

Movimentos sociais: o Brasil é exemplo global em termos de ativismo e movimentos sociais. Criou o FSM (Fórum Social Mundial), foi exemplo no combate à Aids e, desde 2013, vive o que se tem chamado, internacionalmente, de Primavera das Mulheres – ou feminista, porque homens também fizeram parte dela –, com destaque para os movimentos de mulheres mais jovens, negras, que se reinventaram e ganharam protagonismo.

Mulher e mercado de trabalho

UNIDO: Que tipo de empoderamento as mulheres ainda têm a conquistar para terem as mesmas possibilidades que os homens no mercado de trabalho?

T.M.: Eu colocaria a questão de outra forma: que tipo de ações os homens podem fazer e que espaços devem ocupar para que as mulheres tenham as mesmas possibilidades dos homens no mercado de trabalho?

As mulheres ocupam já 40%-50% do trabalho formal e remunerado no mundo. Mas os homens estão longe de assumir a mesma proporção do trabalho não remunerado que é, na sua maioria, ligado ao cuidado e tarefas domésticas. Enquanto esse desequilíbrio se mantiver, as mulheres terão um peso duplo e as possibilidades de progressão na carreira ou de ter melhores condições diminuem.

UNIDO: Quais são as principais lutas e conquistas sobre a questão da igualdade de gênero nas questões laborais?

T.M.: Nos últimos 20 anos, muita coisa mudou em relação às tendências no campo da paternidade, cuidado e trabalho doméstico não remunerado. No entanto, embora as mulheres representem atualmente 40% da força de trabalho remunerada e 50% da produção de alimentos no mundo, em média, elas ainda passam de duas a dez vezes mais tempo cuidando de uma criança ou pessoa mais velha do que os homens.

Apesar disso, o envolvimento de homens na prestação de cuidados está apenas começando a ser reconhecida como uma forma importante e abrangente para se avançar com a agenda da igualdade de gênero.

Usando dados completos sobre o envolvimento dos homens no cuidado e saúde materna e infantil e sobre as conexões entre paternidade e violência, bem como (sobre a) inserção das mulheres no mercado de trabalho, o Promundo tenta fornecer a base para iniciativas sociais, políticas e de saúde; ampla mudança institucional e sensibilização do público para promover uma transformação sobre paternidade equitativa e envolvida.

Para promover a equidade de gênero por meio de programas de desenvolvimento econômico em países de baixa ou média renda, o Promundo trabalha com iniciativas de empoderamento econômico de mulheres, envolvendo homens e meninos como aliados neste processo, para que compreendam os efeitos positivos do deslocamento dos papeis de gênero nas relações familiares e econômicas.

Por causa desse trabalho, estamos percebendo mais equidade nas relações e aumento nas rendas de famílias que participam de programas de desenvolvimento econômico. Um exemplo recente foi uma parceria com ONU Mulheres, no Brasil, para realizar grupos reflexivos sobre normas de gênero com casais beneficiários do programa Bolsa Família.

Por Marcelo Valadares.


Fonte: nacoesunidas.org


69 milhões de crianças poderão morrer antes dos 5 anos por causas evitáveis até 2030, alerta UNICEF

Caso nada seja feito pelos próximos 15 anos, 167 milhões de crianças estarão vivendo na pobreza e 750 milhões de mulheres terão se casado ainda na infância. África Subsaariana vai abrigar nove em cada dez crianças vivendo em situação de miséria extrema, aponta novo relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

Caso as tendências atuais se mantenham, até 2030, 69 milhões de crianças menores de cincos anos morrerão de causas evitáveis, 167 milhões de crianças estarão vivendo na pobreza e 750 milhões de mulheres terão se casado ainda durante a infância.

As estimativas são de um novo relatório publicado nesta terça-feira (28) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). O documento apresenta um panorama do futuro que as crianças mais desfavorecidas vão enfrentar se governos, doadores, empresas e organizações internacionais não aumentarem esforços para atender às suas necessidades.

Em lugar nenhum a perspectiva é mais sombria do que na África Subsaariana, onde pelo menos 247 milhões de crianças — ou duas em cada três — vivem em pobreza multidimensional, privadas do que precisam para sobreviver e se desenvolver.

Também na região, entre os 20% mais pobres, quase 60% dos jovens de 20 e 24 anos de idade tiveram menos de quatro anos de escolaridade.

Caso nada seja feito, a avaliação do UNICEF calcula que, em 2030, a África Subsaariana abrigará nove em cada dez crianças de todo o mundo vivendo em extrema pobreza. Mais da metade dos 60 milhões de crianças em idade escolar primária que ainda estarão fora da escola serão encontradas nesta porção do continente africano. Nesta região, serão registrados quase metade dos óbitos de jovens com menos de cinco anos, vítimas de mortes evitáveis.

“Negar a centenas de milhões de crianças oportunidades justas na vida faz mais do que ameaçar seu futuro, alimentando ciclos intergeracionais de desvantagem: coloca também em perigo o futuro de suas sociedades”, disse o diretor-executivo do UNICEF, Anthony Lake. “Nós temos uma escolha: investir nessas crianças agora ou permitir que o nosso mundo se torne ainda mais desigual e dividido.”

Relatório destaca avanços, mas alerta para injustiças

O levantamento do UNICEF aponta que um progresso significativo foi alcançado ao longo dos últimos anos na proteção dos direitos das crianças e adolescentes.

Desde 1990, as taxas globais de mortalidade de menores de cinco anos foram reduzidas em mais da metade. Meninos e meninas frequentam a escola primária em igual número em 129 países e o número de pessoas que vivem na pobreza extrema no mundo inteiro é quase metade daquele registrado na há duas décadas.

Mas esse avanço não ocorreu de forma igualitária ou justa, alerta o documento.

https://youtu.be/CAbufRIV_2Y

Crianças mais pobres têm chances duas vezes maiores de morrer antes do seu quinto aniversário e de sofrer de desnutrição crônica do que as mais ricas. Em grande parte da Ásia Meridional e da África Subsaariana, crianças nascidas de mães sem educação formal têm quase três vezes mais probabilidade de morrer antes dos cinco anos de idade do que aquelas nascidas de mães com o ensino secundário.

Meninas das famílias mais pobres também têm duas vezes mais chances de se casar ainda crianças do que as meninas de famílias mais ricas.

Educação de qualidade

Embora a educação desempenhe um papel único para que todas as crianças tenham chances iguais, o UNICEF destaca que o número de crianças que não frequentam a escola aumentou desde 2011, e uma proporção significativa dos que vão à escola não está aprendendo.

Atualmente, cerca de 124 milhões de crianças não vão à escola primária, nem ao primeiro ciclo da escola secundária, e quase duas a cada cinco que terminam a escola primária não aprenderam a ler, escrever ou fazer contas simples.

“Quando eu crescer, quero ser presidente. Vou ajudar as crianças a ir à escola”. Lukman Mohammed, de 10 anos, Gana. pic.twitter.com/X659m9y8Is

— UNICEF Brasil (@unicefbrasil) 26 de junho de 2016

A agência da ONU aponta ainda que as transferências de renda, por exemplo, têm demonstrado sua utilidade em ajudar as crianças a permanecerem na escola por mais tempo e a avançarem para níveis mais elevados da educação.

Em média, cada ano adicional de educação que uma criança recebe aumenta sua renda, quando adulta, em cerca de 10%. Para cada ano adicional de escolaridade concluído por jovens adultos em um país, as taxas de pobreza desse país caem 9%.


Fonte: nacoesunidas.org


Centro de Excelência da ONU defende cooperação entre países para erradicar a fome no mundo

Em cinco anos de atividades, o Centro de Excelência contra a Fome, uma parceria entre o governo brasileiro e o Programa Mundial de Alimentos (PMA), envolveu mais de 40 países de África, Ásia e América Latina em atividades de cooperação Sul-Sul para apoiá-los no desenho e implementação de soluções sustentáveis rumo à fome zero.

O Centro tem oferecido apoio continuado e assistência técnica a 28 governos nacionais, além de promover o estabelecimento da Rede Africana de Alimentação Escolar em mais de 20 países. A entidade ainda tem trabalhado em parceria com a União Africana para ampliar o investimento de países do continente em programas de alimentação escolar.

Em cinco anos de atividades, o Centro de Excelência contra a Fome, uma parceria entre o governo brasileiro e o Programa Mundial de Alimentos (PMA), envolveu mais de 40 países de África, Ásia e América Latina em atividades de cooperação Sul-Sul para apoiá-los no desenho e implementação de soluções sustentáveis rumo à fome zero.

O centro tem oferecido apoio continuado e assistência técnica a 28 governos nacionais, além de promover o estabelecimento da Rede Africana de Alimentação Escolar em mais de 20 países. A entidade ainda tem trabalhado em parceria com a União Africana para ampliar o investimento de países do continente em programas de alimentação escolar.

Para apresentar os resultados dos projetos, o PMA, a representação permanente do Brasil para as agências das Nações Unidas em Roma e o Centro de Excelência realizaram um evento paralelo durante a reunião anual do Conselho Executivo do PMA na capital italiana.

Representantes de países, membros da equipe do PMA e de organizações parceiras compareceram ao evento na quarta-feira (15), enquanto a reunião anual do conselho foi aberta pelo papa Francisco, que visitou pela primeira vez o programa.

Em sua apresentação, a diretora-executiva do PMA, Ertharin Cousin, destacou as diferentes habilidades que o centro trouxe para o programa das Nações Unidas.

“Posso dizer a vocês, a partir de conversas que tive com ministros da agricultura, educação e saúde de todo o continente africano (…), o valor que eles veem em aprender com líderes que já passaram pelos mesmos desafios para desenvolver programas de alimentação escolar que não apenas ofereçam apoio nutricional a crianças nas escolas, mas que também apoiem agricultores familiares”, disse.

A embaixadora Maria Laura da Rocha, representante permanente do Brasil, abriu o evento explicando que o centro foi criado para tornar as experiências brasileiras de combate à fome e à pobreza disponíveis a outros países em desenvolvimento.

“O PMA tem todas as ferramentas, os meios para cooperar com países em desenvolvimento, e o Brasil tem a experiência em políticas públicas e estratégias para lutar contra a fome”, declarou. “A combinação dos dois pode facilmente disseminar boas práticas e ajudar os países em desenvolvimento a desenhar políticas sustentáveis para superar a fome”, completou.

O diretor do Centro de Excelência, Daniel Balaban, apresentou durante o evento as principais conquistas do centro. “O centro já organizou 48 visitas de estudo para 38 países que visitaram o Brasil para entender melhor as políticas e programas brasileiros”.

Comissário da União Africana elogia políticas brasileiras

O comissário da União Africana para Recursos Humanos, Ciência e Tecnologia, Martial De-Paul Ikounga, afirmou que só será possível atingir a meta 4 dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, que se refere à educação de qualidade, se atingirmos a meta número 2, que prevê a erradicação da fome.

Segundo ele, por outro lado, também só será possível atingir a fome zero por meio da educação, sendo importante o investimento em alimentação escolar, que combina nutrição infantil, fortalecimento da agricultura familiar e melhoria dos indicadores educacionais.

“Há alimentação escolar nos Estados Unidos, há alimentação escolar na Europa, mas no Brasil vimos a possibilidade de uma revolução”, declarou Ikounga, que esteve no país em agosto de 2015 com uma delegação da União Africana para saber mais sobre o programa. “Vincular alimentação escolar à agricultura local é a grande inovação que vimos no programa brasileiro”, disse Ikounga.


Fonte: nacoesunidas.org


UNESCO defende educação sexual e de gênero nas escolas para prevenir violência contra mulheres

Para a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) no Brasil, aprofundar o debate sobre sexualidade e gênero contribui para uma educação mais inclusiva, equitativa e de qualidade, não restando dúvida sobre a necessidade de a legislação brasileira e os planos de educação incorporarem perspectivas de educação em sexualidade e gênero.

Segundo a organização, declarações foram divulgadas diante de fatos recentes ocorridos no país no que se refere à violência sexual.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) no Brasil reafirmou nesta terça-feira (7) seu compromisso com a garantia dos direitos das mulheres e da população LGBT, posicionando-se de forma contrária a toda forma de discriminação e violação dos diretos humanos em qualquer circunstância e, em especial, em espaços educativos.

“As desigualdades de gênero, muitas vezes evidenciadas pela violência sexual de meninas, expõem a necessidade de salvaguardar marcos legais e políticos nacionais, assim como tratados internacionais, no que se refere à educação em sexualidade e de gênero no sistema de ensino do país”, disse a agência das Nações Unidas em comunicado.

Segundo a organização, as declarações foram divulgadas diante de “recentes fatos ocorridos no país no que se refere à violência sexual”.

Para a UNESCO no Brasil, aprofundar o debate sobre sexualidade e gênero contribui para uma educação mais inclusiva, equitativa e de qualidade, não restando dúvida sobre a necessidade de a legislação brasileira e os planos de educação incorporarem perspectivas de educação em sexualidade e gênero.

“Isso se torna ainda mais importante uma vez que a educação é compreendida como processo de formar cidadãos que respeitem às várias dimensões humanas e sociais sem preconceitos e discriminações”, disse a agência da ONU.

Um dos compromissos dos países-membros das Nações Unidas é garantir o cumprimento da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, adotada pelo Brasil e todos os outros Estados-membros da ONU em 2015. Entre os 17 objetivos globais da agenda, está a garantia de ambientes de aprendizagem seguros e não violentos, inclusivos e eficazes, e a promoção da educação para a igualdade de gênero e os direitos humanos.

Resultado de amplo debate internacional, o Marco de Ação Educação 2030 joga luz sobre a importância da perspectiva de gênero na educação.

“Esta agenda dedica especial atenção à discriminação baseada em gênero, bem como a grupos vulneráveis, e para assegurar que ninguém seja deixado para trás. Nenhum objetivo de educação deve ser considerado cumprido a menos que seja alcançado por todos”, afirmou trecho do documento da reunião, realizada em novembro do ano passado, paralelamente à 38ª Conferência Geral da UNESCO, com a presença de ministros e especialistas.

A UNESCO ressaltou em todos os seus documentos oficiais que estratégias de educação em sexualidade e o ensino de gênero nas escolas é fundamental para que homens e mulheres, meninos e meninas tenham os mesmos direitos, para prevenir e erradicar toda e qualquer forma de violência, em especial a violência de gênero.

A agência da ONU já possui diversos materiais que podem ajudar os educadores do país a incluírem questões de gêneros nos debates de suas aulas e seus espaços educativos (clique aqui para saber mais).

“A eliminação das desigualdades de gênero é determinante para a construção de uma sociedade inclusiva e equitativa”, disse a UNESCO. “Todos os estudantes têm o direito de viver e aprender em um ambiente livre de discriminação e violência. Com educação e diálogo é possível prevenir a violência de gênero”.

A UNESCO no Brasil lançou também uma campanha nas redes sociais sobre o tema (veja aqui).