‘Passado maldito está presente no governo Bolsonaro’, diz Luiz Werneck Vianna

Doutor em Sociologia pela USP e presidente de honra da FAP, cientista social defende construção de ampla frente democrática para “derrubar” o presidente.
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Foto: Reprodução
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Doutor em Sociologia pela USP e presidente de honra da FAP, cientista social defende construção de ampla frente democrática para “derrubar” o presidente

Cleomar Almeida, Coordenador de Publicações da FAP

O cientista social Luiz Werneck Vianna, doutor em Sociologia pela USP (Universidade de São Paulo, disse nesta quinta-feira (25/3) que o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) é “fruto da desertificação da política brasileira” e precisa ser derrubado.

 “A ditadura militar deixou (a política) ser apropriada por cavaleiros da fortuna, por seres que vieram das sombras e das milícias”, afirmou Vianna, durante lançamento de série de webinários mensais sobre o centenário do PCB (Partido Comunista Brasileiro), que será celebrado em 25 de março de 2022.

Confira o vídeo

Presidente de honra da FAP (Fundação Astrojildo Pereira), responsável por realizar os webinários, Vianna destacou que o “passado escravocrata e exclusivo da terra” ainda existe no país. Segundo ele, uma ampla frente democrática precisa ser organizada para combatê-lo.

 “Esse passado maldito, que ainda atua, existe e influi em nós, está presente agora neste governo. Esse passado que jamais conseguimos erradicar, e temos que erradicar agora, derrubando este governo. Isso tem que ser feito num movimento só”, alertou.

Autores de livros como “A modernização sem o moderno” e “Democracia e os três poderes no Brasil”, Vianna ressaltou que se aproxima o momento em que as articulações pela defesa do regime democrático terão de testar suas forças.

“Resistência infernal”

“As forças que conseguimos amealhar nesta resistência infernal que fazemos em meio a esta pandemia que nos ceifa. Vamos ter que articular a frente, a mais generosa possível, sem limitações de qualquer espécie”, acentuou.

O doutor em Sociologia disse que o diálogo deve ser aberto a todos. Ele citou, por exemplo, a possibilidade de a ampla frente considerar os governadores de São Paulo, João Dória (PSDB), e do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB).

Na avaliação do presidente nacional do Cidadania, Roberto Freire, também defendeu diálogo “com espectro político” mais amplo, de “Amoedo a Ciro Gomes”, como ele mesmo disse. Segundo ele, o país tem que se livrar das amarras “do subdesenvolvimento e da desigualdade”.

 “Devemos construir um polo democrático como alternativa ao desastre do governo que temos e superar toda essa irrelevância a que o Brasil de algumas décadas vem sendo levado, por sucessivas e medíocres administrações que não compreendem o novo mundo que está vindo”, asseverou Freire.

O ex-deputado federal Marcelo Cerqueira, hoje com 82 anos, disse que as forças democráticas precisam se articular para que, democraticamente, possam enfrentar uma eleição em que se pudesse ganhar do “capitão”, como se referiu a Bolsonaro.

“Besta humana”

De acordo com Cerqueira, a esquerda democrática precisa se organizar para combater retrocessos. “Temos de fazer os enfrentamentos no meio da pandemia. O presidente da República é uma besta humana, que não tem qualquer sentido de vida nem de compaixão. Parece que se veste de uma roupagem que faz o homem difícil”, criticou.

O militante político Sergio Augusto de Moraes afirmou que a pandemia deixa uma devastação na sociedade. “Num momento como este, em que a humanidade sofre, talvez, um dos maiores golpes depois da Segunda Guerra Mundial, é necessário e imprescindível que os países conversem mais”, sugeriu.

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