Eneida de Queiroz escreve sobre paraense homenageada em clube de leitura da FAP

Historiadora aborda importância de jornalista e militante política para o país.
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Foto: Reprodução
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Historiadora aborda importância de jornalista e militante política para o país

A historiadora do Ibram (Instituto Brasileiro de Museus), romancista e youtuber Eneida de Queiroz analisa a importância de a Biblioteca Salomão Malina, da FAP (Fundação Astrojildo Pereira), abrir um clube de leitura em homenagem à Eneida de Moraes, paraense jornalista, escritora, militante política e pesquisadora brasileira. “Tenho certeza de que ela desejaria uma atmosfera alegre e um lugar de mulheres falando alto, sem medo, impondo a voz e o que pensam”, afirma a autora, em artigo na oitava edição da revista Política Democrática online.

» Acesse aqui a oitava edição da revista Política Democrática online

A seguir, leia trechos do artigo de Eneida de Queiroz:

Acredito que os nomes perseguem seus donos. Não apenas seus significados etimológicos, mas também a carga histórica que carregam. Diz Machado de Assis que Capitu é nome de mulher tão magnética, que chega a ser descrita com olhos de ressaca, prontos para te dragar e afogar, exatamente como morreu seu suposto amante Escobar: afogado no mar do Flamengo.

Se você é desses que apreciam nomes indígenas, cuidado com o Moacir que sonha para seu pequeno, pois em tupi quer dizer “filho do sofrimento” ou “o que faz sofrer”, informação de José de Alencar, em seu romance Iracema.

Moacir foi o filho que a bela índia teve com o português Martin. Uma riqueza que ela pariu e morreu e que Martin levou consigo para Portugal. Alguma analogia com as riquezas do novo mundo levadas à Europa? Pois reparem que Iracema nunca foi nome indígena e nada mais é que um acrônimo de América… Qual desavisado desejaria dizer que seu filho é “o que faz sofrer”? O meu nome é Eneida.

E não sou uma senhora de idade: não faz muito tempo era só uma criança tendo que lidar com esse nome ao lado de tantas Priscilas, Julianas e Marianas. Aos nove anos, ao ser perguntada por um novo coleguinha como me chamava: respondi. E o menino perguntou: é sério? Eu poderia dizer que meu nome é a mitológica fundação da civilização latina. Eu poderia falar da Guerra de Tróia, de como os gregos massacraram aquele povo, da bravura de Heitor morrendo para defender a existência de seus conterrâneos.

O mesmo Heitor que antes de morrer entrega a espada de Tróia ao guerreiro Enéias, dizendo-lhe para fugir com ela e contar a todos o que aconteceu ali. Toda a longa saga de Enéias, suas aventuras para permanecer vivo e casar com Lavínia, a filha do rei Latino, da região do Lácio (atual Itália): chama-se Eneida. Enéias aparece na Ilíada de Homero, mas é na Eneida, poema de Virgílio, que sai glorificado como o fundador da civilização latina, pois seus descendentes mitologicamente fundariam Roma, nas figuras dos gêmeos Rômulo e Remo. E por falar em Lácio, o nosso português é, segundo poema de Camões, a última flor do Lácio. Como se vê, nós somos todos frutos da Eneida.

Só isso me bastava para calar qualquer Lucas ou Gustavo que propusesse zombar do meu nome. Mas eu só tinha nove anos e respondi: é sério sim… Afinal, nunca foi por Enéias, Tróia, Grécia ou Roma que meu pai escolheu meu nome. Ele me explicou uma vez, tentando me mostrar a beleza da razão do nome, quem foi a Eneida original da homenagem feita: uma escritora paraense.

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