Webinar discute livro de Giuseppe Vacca e estudo da política italiana

Debate online terá participação de Alberto Aggio, Luiz Sérgio Henriques e Marcus Oliveira
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Cleomar Almeida, coordenador de Publicações da FAP

Em edição lançada pela Fundação Astrojildo Pereira (FAP) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) com tradução para o português, o livro do italiano Giuseppe Vacca faz um estudo minucioso sobre a Itália, sua Primeira República e seu declínio. Com o título A Itália em disputa – comunistas e democratas-cristãos no longo pós-guerra (1943-1978), a obra será debatida em evento online na quarta-feira (23/3).

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O webinar será transmitido, a partir das 17h30, pelo canal da Editora da Unicamp no Youtube, com retransmissão no portal da FAP e na página da entidade no Facebook. Confirmaram presença no debate online os historiadores Alberto Aggio, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), e Marcus Oliveira, além do ensaísta e Luiz Sérgio Henriques, que fez a tradução da obra.

Giuseppe Vacca é um dos mais conceituados historiadores de ideias políticas em atividade. Nos anos 1970 e 1980, foi também deputado e dirigente do antigo PCI, sobre cujos papéis e limites se debruça no livro. Há muitas décadas tem sido uma das figuras centrais da prestigiosa Fundação Gramsci, em Roma.

“A história narrada neste livro é excepcional”, afirma Aggio. “São 35 anos da vida política italiana após o fascismo e a guerra. Instalada a República, veio em seguida a luta pela reconstrução e pela modernização do país. Com o passar dos anos, alteraram-se sobremaneira as estruturas do país e a sociabilidade dos italianos”, acrescenta ele.

Aggio observa que a grande epopeia se fez por meio de uma dinâmica política marcada pelo embate e, ao mesmo tempo, pelo consenso entre a Democracia Cristã e o Partido Comunista Italiano (PCI), que ele chama como “duas forças populares e opostas”.

“O que dava sustentação ao sistema político não era a oposição entre direita e esquerda, mas uma dupla legitimação: o antifascismo, base do ‘campo’ democrático, e o anticomunismo, imprescindível para governar em tempos de Guerra Fria”, assevera o professor da Unesp.

Ao longo do livro, Vacca se sustenta em fontes primárias para compor sua escrita. As referências bibliográficas são centenas e, ao final do livro, há sete páginas de índice onomástico, que facilita a consulta a menções específicas de cada agente do período histórico analisado.

O livro de Vacca aborda desde o início do movimento mais articulado da resistência italiana, em 1943, até a governabilidade da Primeira República, iniciada em 1948. A obra também analisa as articulações políticas pela paz, principalmente entre as décadas de 1950 e 1960, até o entardecer, no final dos anos 1970, e o PCI.

O cientista político Marco Aurélio Nogueira destaca que Vacca analisa a história da República Italiana privilegiando as relações entre o PCI e a Democracia Cristã, marcadas por tensões e esforços de cooperação. “O livro destaca as virtudes desse processo e o seu fracasso, que desmontou o que se mantinha em equilíbrio precário”, diz.

Nogueira afirma que a Itália sempre teve influência no Brasil moderno. “A imigração iniciada ainda no século XIX plasmou parte importante de nossa cultura. O fascismo impregnou muitas almas caboclas. Mais tarde, a cultura italiana fez-se sentir com os estudos jurídico-políticos e a novidade do Eurocomunismo”, ponderou.

A obra A Itália em disputa – comunistas e democratas-cristãos no longo pós-guerra (1943-1978) é essencial a todos os historiadores especializados na Primeira República Italiana, na Guerra Fria, em relações internacionais, ou a qualquer um que deseje ter um contato mais aprofundado com o trabalho historiográfico. (Com informações do Blog Editora Unicamp).

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