Série de entrevistas com militantes históricos celebra centenário do PCB

Realizado pela FAP, seminário internacional também destaca importância do partido para a democracia
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Foto: Arthur Monteiro/Agência Senado
Foto: Arthur Monteiro/Agência Senado

Cleomar Almeida, coordenador de Publicações da FAP

Defensores da democracia destacam a importância do Partido Comunista Brasileiro (PCB), que faz 100 anos no dia 25 de março, para vencer a ditadura militar no país. O centenário é celebrado em diversas atividades da Fundação Astrojildo Pereira (FAP), que também apoia iniciativas dos estados e entrevistas com militantes que veem o marco histórico como imprescindível ao fortalecimento do regime democrático no país.

A FAP destaca uma série de entrevistas sobre a história do partido no Rio Grande do Norte, como a do militante Atualpa Arruda Mariano. O quinto episódio será transmitido, a partir das 16 horas deste domingo (6/3), no canal da TV DHnet Direitos Humanos no Youtube. A fundação organiza, ainda, o Seminário Internacional PCB 100 Anos, que será realizado de forma online de terça (8/3) a quinta-feira (11/3).

No primeiro episódio da série de entrevistas, realizadas pelo jornalista Luiz Gonzaga Cortez Gomes, Sacha Lídice lembra da importância de seu pai na luta pela democracia no país. Ela é filha do combatente comunista Hiram de Lima Pereira, potiguar que nasceu na cidade de Caicó (RN) e desaparecido político.

“No dia 1º de abril de 1964, eu estava em casa. Eu cheguei, e ele abriu a porta do guarda-roupa, começou a pegar roupas, sacolinha, cueca, camiseta, e, conversando com ele, me disse: ‘Filha, no mínimo 25 anos’. Ele saiu de casa e caiu na clandestinidade em Recife”, lembra ela, sobre a perseguição da ditadura contra seu pai. Anos depois, ela citou a possível morte de seu pai. “Acho que podemos sair por aí denunciando que o pai morreu”, lembra, na entrevista.

Hiram foi preso no dia 15 de janeiro de 1975, como parte da operação Radar, grande ofensiva do Exército iniciada em 1973 para dizimar o PCB. A informação consta de depoimento do ex-sargento e agente do Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) Marival Dias Chaves do Canto para a revista Veja, publicado em 18 de novembro de 1992.

No segundo episódio da série de entrevistas, publicado no dia 13 de fevereiro deste ano, a equipe de TV fez uma homenagem a Maria Ribeiro Prestes, que sempre destacou a importância de outros militantes do PCB e morreu, aos 92 anos, oito dias antes. Ela é mãe de sete filhos de Luiz Carlos Prestes, com quem viveu por 40 anos. Ele foi uma das personalidades políticas mais influentes no país no século 20 e morreu em 7 de março de 1990.

“São personagens que devemos valorizar, pesquisar e saber valorizar sua história para mostrar a essa juventude que tivemos homens capazes de querer mudar ou ajudar uma sociedade a se livrar da exploração do capitalismo”, destacou Maria Prestes, na entrevista. Ela também citou o jornal Voz Operária como um importante meio de comunicação da época.

Maria Prestes ainda fez duras críticas ao presidente Jair Bolsonaro. “Muitos companheiros perderam a vida com a ditadura. Acho que a intenção deste presidente que temos aí [Jair Bolsonaro] é destruir todo o arquivo daqueles que mataram e torturaram companheiros nossos que foram presos e mortos por eles”, lamentou.

De acordo com Maria Prestes, é muito importante a juventude hoje conhecer os “democratas” que lutaram unidos com o PCB. “A vida dessas pessoas, o que passaram e sofreram para que a gente ainda esteja aqui contando a sua história. Para a gente, era doloroso ver esses companheiros aqui no Brasil passando por situação de perseguição e tortura”, disse ela, referindo-se aos crimes praticados pela ditadura militar.

A conversa com Maria Prestes ocorreu no mês de julho de 2021, na cidade do Rio de Janeiro, na ocasião em que a equipe de TV enviou uma equipe para fazer entrevistas para uma série sobre Luiz Ignácio Maranhão Filho, no ano de seu centenário 1921-2021. A conversa com ela só foi possível após articulação com sua filha Mariana.

No terceiro episódio da série de entrevistas, o entrevistado é Francisco Meneleu dos Santos, que atuou como o gráfico do Jornal A Liberdade, de 1935, em Natal (RN). Ele lembrou os anos de tortura que passou no Brasil.

“Na detenção, nos jogaram numa cela sem porta. Vi companheiros sendo torturados. Lembro quando entrou um rapaz. Não sei se era o Lauro Lago, eu não me lembro bem. Deram uma coronhada na testa dele, ele caiu e jogaram dentro da cela, ele ficou lá sofrendo”, afirmou Francisco.

O quarto episódio da série destacou a entrevista com Bento Ventura de Moura e sua importante atuação na história do PCB no Rio Grande do Norte. “Eu participei das lutas diretas já, apoiando o governo Jango”. O governo de João Goulart, o Jango, ficou conhecido como a primeira experiência democrática do Brasil e marcado na história nacional por ter sido um mandato abreviado por conta do golpe militar de 1964.

Para celebrar o centenário do PCB, a série também publicará entrevistas com outros nomes importantes da história do PCB, como Hermano Paiva, José Praxedes, Chico Guilherme, Lauro Reginaldo da Rocha Bangu e Manoel de Torquato. 

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