Revista online | Guerra na Ucrânia coloca refugiados na via-crúcis pela vida 

Conflito aumenta número de pessoas deslocadas enquanto Vladimir Putin não desiste de provocar destruição e mortes
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Ukraine refugees | Foto: Yanosh Nemesh/shuttersctock
Ukraine refugees | Foto: Yanosh Nemesh/shuttersctock

Cleomar Almeida*, especial para a revista Política Democrática online

Corpos ensanguentados pelas ruas da Ucrânia, cidades destruídas por incessantes bombardeios russos e falta de acordo para o fim da guerra aumentam o número de ucranianos que estão deixando tudo para trás. Todos os dias, milhares de pessoas são obrigadas a tomar a dolorosa decisão de ir embora por pavor do que vem pela frente. 

A guerra na Ucrânia desencadeou uma das crises humanitárias e de deslocamento de mais rápido crescimento da história. Na via-crúcis pela vida, a população precisa superar o pesadelo que aterroriza o país. De repente, tudo o que é conhecido fica para trás. Perdem-se familiares, amigos, animais de estimação e a perspectiva do amanhã. 

Mais de 4,2 milhões de refugiados fugiram do país, enquanto outros 13 milhões de moradores estão deslocados internamente, impedidos de sair de áreas afetadas pelos ataques por causa da destruição das rodovias e outras passagens. Sofrem, ainda, com a falta de itens básicos, como alimentos, água, gás e eletricidade. 

Em abrigos dentro e fora do país, ucranianos também lutam para conseguir cobertores, kits de higiene, alimentos infantis e lonas para fazerem barracas. A estimativa de pessoas deslocadas é do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) e, no total, equivale a cerca de um terço da população. 

Terra arrasada 

 “A velocidade do deslocamento, juntamente com o enorme número de pessoas afetadas, é sem precedentes na memória recente da Europa”, disse o Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados, Filippo Grandi. No final do mês de março, ele visitou a Ucrânia, onde 2.072 civis morreram ao longo da guerra na Ucrânia, dos quais 169 eram crianças. Também já foram registrados 2.818 feridos entre a população civil. 

Na Ucrânia, as pessoas percorrem o trecho de fuga desesperadas de carro, de ônibus e, muitas vezes, a pé, no ar gelado do inverno europeu. O êxodo ocorre na rica e civilizada Europa, em meio a uma guerra entre dois países do continente, deflagrada por invasão ordenada pelo presidente russo, Vladimir Putin, no país governado por Volodymyr Zelenskyi, em 24 de fevereiro último. 

Assim como as lideranças europeias e de outros continentes, Grandi tem reforçado seu apelo para o fim da guerra. Ele também convocou a comunidade internacional para fornecer mais apoio, a partir deste mês, aos milhões de civis atingidos pelo conflito.   

Falei com mulheres e crianças, que foram gravemente afetadas por esta guerra. Forçadas a fugir de níveis extraordinários de violência, abandonaram suas casas e, muitas vezes, suas famílias, o que as deixou chocadas e traumatizadas. As necessidades de proteção humanitária são enormes e continuam crescendo”, afirmou o representante do Acnur. 

A Organização Internacional para as Migrações (OIM, na sigla em inglês) estima que mais da metade das pessoas desalojadas internamente sejam mulheres, e muitas são consideradas particularmente vulneráveis porque estão grávidas, têm alguma deficiência ou têm sido vítimas de violência. 

Estação de metrô na Ucrânia serve de abrigo para milhares de pessoas durante os ataques russos | Foto: Drop of Light/Shutterstock
Mãe segura seu bebê em abrigo antiaéreo na Ucrânia | Foto: Marko Subotin/Shutterstock
Em Varsóvia, na Polônia, uma grande tenda foi instalada para abrigar refugiados ucranianos | Foto: Damian Lugowski /Shutterstock
Mãe refugiada ucraniana atravessa a fronteira para fugir da guerra | Foto: Halfpoint/Shutterstock
Crianças se abrigam em seu porão na cidade de Mariupol, Ucrânia, durante bombardeio pela aviação russa | Foto: Vladys Creator/Shutterstock
Lenço nas cores da bandeira da Ucrânia em fronteira com a Eslováquia | Foto: Vladys Creator/Shutterstock
Famílias ucranianas fogem da guerra por meio de fronteira com a Hungria | Foto: Vladys Creator/Shutterstock
Foto: Dba87/Shutterstock
Kyiv,,Ukraine,-,Feb.,25,,2022:,War,Of,Russia,Against
Caring,Mother,Holding,Her,Crying,Baby,In,The,Air,Raid
Warsaw,,Poland,-,March,22,,2022:,Large,Tent,Built,As
Ukrainian,Refugee,Mother,With,Child,Crossing,Border,And,Looking,At
Mariupol,,Ukraine,-,5,March,2022:,Ukrainian,Kid,,Childrens,Takes
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Novo foco 

A região de Donbas, no leste ucraniano, é apontada como o foco atual das operações militares russas, à medida que as tropas de Putin recuam da região norte. Neste mês, cidades da região foram alvo de fortes bombardeios, forçando moradores a se abrigar em porões. 

A vice-primeira-ministra da Ucrânia, Iryna Vereshchuk, alertou a população em grande parte do leste do país para se retirar enquanto ainda é possível. Segundo ela, quem vive nas cidades de Kharkiv, Donetsk e Luhansk deve tentar sair rapidamente do país ou arriscar sua vida. 

O medo e a preocupação estão nas praças, estações de trem, escolas, ginásios e outros espaços adaptados para acolher multidões de ucranianos que chegam todos os dias com o objetivo de cruzar a fronteira. A Polônia é a principal rota de escape do terror produzido pelo conflito que provoca destruição e morte. 

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), até o momento, outros países que também mais receberam ucranianos refugiados após o início da guerra são: Romênia, Moldávia, Hungria, Eslováquia e Belarus. 

Brasil recebe refugiados ucranianos 

A Polícia Federal informou que 52 ucranianos, com idades entre 5 e 74 anos, estão no Brasil na condição de refugiados, depois que deixaram o país de origem por causa da invasão de tropas russas. No entanto, o número de refugiados na condição de apátrida é muito maior, já que o governo brasileiro autorizou a permanência de ucranianos por até 90 dias no território nacional sem a necessidade de visto. 

No total, segundo o mais recente levantamento da Polícia Federal, havia 39 registros temporários; 8 residentes e 5 provisórios de ucranianos no Brasil até o início de abril. Eles estão em 12 estados. A maior parte deles fica no Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia. Não há dados oficiais de apátridas relacionados à guerra na Ucrânia. 

O Ministério das Relações Exteriores informou que os ucranianos têm sido apoiados pela força-tarefa promovida com a ajuda da Embaixada do Brasil em Varsóvia, capital da Polônia. De acordo com informações oficiais, lá são providenciados os documentos de viagem e notas dirigidas às autoridades migratórias, sanitárias e aeroportuárias polonesas. 

A organização Global Kingdom Partnership Network, que reúne pastores e líderes cristãos em diversos países, integra a rede de acolhimento aos ucranianos no Brasil. O grupo conta com seis bases espalhadas pela Ucrânia. 

Segundo a organização, quando confirmado o desejo de sair do país do leste europeu, os refugiados são encaminhados primeiro para Lviv, cidade ucraniana próxima da fronteira com a Polônia, para depois seguirem para Varsóvia. 

Diversas entidades ajudam os refugiados com comida, vestimentas, escola para as crianças e auxílio para trabalhar. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) realiza campanha de doação, em seu site oficial, para juntar fundos destinados às pessoas que estão nesta situação. 

De acordo com o Acnur, o apoio e a solidariedade demonstrados até agora por doadores, países vizinhos e indivíduos de todo o mundo têm sido notáveis. No entanto, as necessidades aqui na Ucrânia estão crescendo, e a comunidade internacional deve continuar apoiando as pessoas refugiadas. 

Saiba mais sobre o autor

Crédito: arquivo pessoal
Crédito: arquivo pessoal

Cleomar Almeida é graduado em jornalismo, produziu conteúdo para Folha de S. Paulo, El País, Estadão e Revista Ensino Superior, como colaborador, além de ter sido repórter e colunista do O Popular (Goiânia). Recebeu menção honrosa do 34° Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos e venceu prêmios de jornalismo de instituições como TRT, OAB, Detran e UFG. Atualmente, é coordenador de publicações da FAP.

** Artigo produzido para publicação na Revista Política Democrática online de abril de 2022 (42ª edição), produzida e editada pela Fundação Astrojildo Pereira (FAP), sediada em Brasília e vinculada ao Cidadania.

*** As ideias e opiniões expressas nos artigos publicados na revista Política Democrática Online são de exclusiva responsabilidade dos autores. Por isso, não reflete, necessariamente, as opiniões da publicação.


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