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Sobreviventes do Holocausto alertam para antissemitismo

Made for minds*

Sobreviventes do Holocausto alertaram nesta quarta-feira (09/11) para o ressurgimento do antissemitismo. O alerta foi feito no aniversário de 84 anos do pogrom nazista da "Noite dos Cristais", que ocorreu na Alemanha e na Áustria.

Marco vergonhoso da história alemã, em 9 de novembro de 1938, o regime nazista instigou a população a aterrorizar e agredir os judeus, em pogroms generalizados. A data é considerada um prelúdio ao Holocausto, uma nova e violenta escalada na perseguição nazista aos judeus, visando sua expulsão e extermínio.

No alerta, vários sobreviventes do Holocausto contam em vídeos como discursos antissemitas levaram a ações que culminaram no extermínio em massa dos judeus. Durante a Noite dos Cristais, mais de 1.400 sinagogas foram incendiadas e cerca de 30 mil homens judeus foram presos.

O alerta da campanha digital #ItStartedWithWords (Começou com palavras), promovida pela Conferência sobre Reivindicações Materiais Judaicas contra a Alemanha, ressalta que o Holocausto não começou com os guetos, deportações e campos de concentração, mas sim com o discurso de ódio.

"Com a crescente prevalência do negacionismo do Holocausto, da distorção e do discurso de ódio nas redes sociais, a campanha #ItStartedWithWords se torna mais importante", salientou Greg Schneider, vice-presidente da organização baseada em Nova York.

Num dos vídeos, Eva Szepesi, de 90 anos, conta seu choque quando os amigos de infância passaram a tratá-la mal, pouco antes de ela ser capturada e deportada para o campo de extermínio de Auschwitz, com apenas 12 anos: "Começou quando eu tinha oito anos, e eu não conseguia entender por que meus melhores amigos estavam me insultando." Os pais e irmãos de Szepesi foram mortos em Auschwitz.

A campanha trancorre num momento em que se registra o aumento de incidentes antissemitas no mundo. Somente na Alemanha, mais de 2.700 incidentes foram registrados em 2021, incluindo 63 agressões e seis casos de violência extrema. Cerca de 6 milhões de judeus foram assassinados no Holocausto.

Presidente alemão lembra data

O presidente da Alemanha, Frank Walter-Steinmeier, afirmou nesta quarta-feira que o 9 de Novembro sempre lembrará na Alemanha a ruptura da civilização no Holocausto: "Nesta data sempre vamos urgir à luta contra o antissemitismo", declarou na abertura de uma conferência em Berlim.

Steinmeier destacou que a perseguição dos judeus não começou nessa data, "mas o que aconteceu nesse dia de violência escancarada foi a emersão visível da subsequente privação dos direitos, que foi meticulosamente planejada e conduzida com consequências brutais, rapto e extermínio dos judeus na Alemanha e Europa".

Texto publicado originalmente em Made for minds.


O Estado de S. Paulo: Papa Francisco abrirá em 2020 os arquivos secretos do Vaticano sobre a 2ª Guerra

Organizações judaicas pedem há décadas pela abertura desses documentos e acusam o pontífice da época, Pio XII, de fechar os olhos para as perseguições a judeus promovidas pelos nazistas

CIDADE DO VATICANO - O papa Francisco anunciou nesta segunda-feira, 4, que abrirá os arquivos secretos do Vaticano referentes à 2.ª Guerra e ao papa Pio XII, acusado por alguns historiadores de manter silêncio sobre o Holocausto.

Papa Francisco
“A Igreja não tem medo da História”, disse Francisco a membros dos Arquivos Secretos do Vaticano Foto: Alessandra Tarantino / AP
Organizações judaicas pedem há décadas pela abertura desses documentos e acusam o pontífice da época de fechar os olhos para as perseguições a judeus promovidas pelos nazistas.

“A Igreja não tem medo da História”, disse Francisco a membros dos Arquivos Secretos do Vaticano, acrescentando que os documentos do período do papado de Pio XII (1939 a 1958) serão abertos no dia 2 de março de 2020. Ele destacou que o legado de Pio XII é tratado com “certo preconceito e exagero”.

De acordo com o Vaticano, Pio XII utilizou da diplomacia nos bastidores para salvar judeus diante dos muitos católicos que viviam em regiões ocupadas por nazistas.

Vaticano vai abrir arquivos sobre ditadura argentina
A Comissão de Judeus Americanos (AJC, na sigla em inglês), um dos principais grupos judaicos do mundo, elogiou a decisão de Francisco. “Por mais de 30 anos, a AJC pede pela abertura completa dos arquivos secretos da Santa Sé do período da 2.ª Guerra”, disse o rabino David Rosen, diretor internacional de assuntos inter-religiosos da Comissão.

“É particularmente importante que especialistas dos principais institutos em memória ao Holocausto em Israel e nos Estados Unidos avaliem objetivamente da melhor forma possível os registros históricos da época mais terrível, para reconhecer tantos as falhas como os esforços valentes feitos durante o período de Shoah”, afirmou Rosen, mencionando a palavra hebraica para se referir ao Holocausto.