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Artigos: FAP defende fortalecimento da democracia contra bolsonarismo

Reunião colegiada avançou na discussão sobre necessidade de criação de ampla frente democrática no país

Cleomar Almeida, da equipe FAP

Integrantes de vários segmentos da sociedade - como movimento negro, mulheres e academia -, conselheiros da Fundação Astrojildo Pereira (FAP) concordam que o bolsonarismo é um movimento que deve permanecer no Brasil por muito tempo, embora entendam que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) não deva ter sucesso nas eleições de 2022. Em reunião online na manhã deste sábado (25/9), eles destacaram que o fortalecimento da democracia exige responsabilidade, envolvimento e renúncia de exigências meramente partidárias para criar uma ampla frente democrática.

Na reunião, diretores e conselheiros a FAP discutiram, entre outros pontos, como Bolsonaro expressa o populismo, que, no mundo, envolve correntes de esquerda e de direita, em que os governantes se sentem como "o povo" ou como titular da "voz do povo".  "Hoje temos muitos populismos", disse o sociólogo e professor da Universidade de Brasília (UnB) Elimar Pinheiro do Nascimento, em encontro virtual coordenado pelo diretor-geral da fundação, Caetano Araújo.

GOVERNO DA CRISE


Foto: Tânia Rego/Agência Brasil
Foto: Paulo Pinto/Fotos Públicas
Foto: Wesllen Novaes/Fotos Públicas
Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação
Foto: Roque de Sá/Agência Senado
Foto: Sipa/USA
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Foto: Marcelo Seabra/Agência Pará
Foto: Guilherme Gandolfi/Fotos Públicas
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Foto: Ribamar Neto/Divulgação
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
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O populismo, de acordo com Nascimento, é a expressão latente do conflito entre concepções diferentes de democracia. "O populismo não nasce fora da democracia. Nasce no âmbito da democracia e implode essa democracia para criar outra. Ele se propõe a refundar a democracia que o desvio das representações comprometeu", explicou, ressaltando que essa "ideologia crescente" é vista em diferentes perfis de políticos pelo mundo, no governo ou na oposição.

"Toda nossa preocupação hoje, e ela em razão muito forte, é tirar Bolsonaro do cenário [político], mas, ao fazermos isso, não tiraremos o populismo. O populismo veio para ficar, independente dessa conjuntura e desse personagem desprezível", disse Nascimento. Segundo ele, o presidente se aproveita da polarização entre "nós e eles" ou "bandeira nacional", que passou a ser usada como expressão do bolsonarismo, e "bandeira vermelha", em alusão à cor oficial do PT e que é associada ao comunismo.

Durante a reunião, o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e sociólogo Paulo Baía analisou o comportamento dos três Poderes e afirmou que o Supremo Tribunal Federal (STF) não está à toa sendo identificado como "legislador", o que, no país, é apontado por adeptos do populismo de direita e de esquerda em crítica a uma eventual "jusditadura", ou "governo dos juízes".

Na avaliação de Baía, o ativismo judicial é reflexo do cenário político. "Isso é resultado da ação dos próprios partidos políticos. Nos últimos 30 anos, o STF tem sido estimulado a se posicionar sobre quase tudo", afirmou. Além disso, ele observou que o  Senado tem sido mais prático e rápido na defesa da democracia e, sobre o Executivo, apontou forças de Bolsonaro: a área de infraestrutura e suas linhas de financiamento direto para governos estaduais e prefeituras.

Conselheiros da FAP defendem fortalecimento da democracia



Preocupação
Apesar dos retrocessos comandados por Bolsonaro nas políticas de diversas áreas no país, os conselheiros destacaram preocupação com o fato de a avaliação do governo dele não estar abaixo de 20%. Por isso, eles reforçaram a necessidade de se criar uma ampla frente democrática para lançar um nome alternativo ao do presidente para as eleições de 2022, inclusive sem descartar a possibilidade de aliança com o PT.

Primeira cidadã nascida no Brasil a tornar-se deputada no parlamento italiano, Renata Bueno observou que, em meio ao caos do atual governo, a população brasileira é ainda mais castigada por problemas como a falta de água e de energia, assim como a alta no preço dos alimentos e dos combustíveis. "O governo está totalmente ausente [nas questões políticas] e polêmico nas redes sociais. Isso não é positivo", criticou. Segundo ela, reconstruir o país será uma tarefa difícil e, por isso, é urgente que o país pense em alternativas ao nome do atual presidente.

O ex-senador Cristovam Buarque sugeriu um esforço para que a ampla frente saia no primeiro turno com apenas uma candidatura de presidente e vice, que, segundo ele, combine a esquerda nostálgica e os indecisos. "Como não sou negacionista e reconheço a força do PT e do próprio Lula, prefiro dizer que deveríamos caminhar para aliança com o PT e, se preciso, com o PT na cabeça da chapa para barrar e impedir a eleição de Bolsonaro", disse.

O economista Sérgio Cavalcanti Buarque demonstrou preocupação de que Lula encabece uma chapa que,  eventualmente, seja eleita no primeiro turno, já que, conforme acrescentou, é necessária abertura para negociação em possível segundo turno que tenha o petista como nome da oposição. "É ruim para o país e para a democracia se Lula ganhar no primeiro turno porque, aí, sim, o populismo, que é prática recorrente do lulismo, entraria com força esmagadora", acentuou.

CONFIRA A REUNIÃO DA FAP



Integrante do movimento negro, Babalawo Ivanir Alves dos Santos disse que a alternativa de nomes de presidenciáveis deve considerar realidades além da perspectiva meramente econômica ou do ponto de vista acadêmico. "Acredito que tem que ser pensada a representação que não seja só do agronegócio, do agroindustrial", afirmou, ressaltando que, no caso do Brasil, onde mais da metade da população é negra, a questão racial "ainda tem dificuldade de ser compreendida". "É preciso furar as bolhas e incluir outros segmentos, em diálogo aberto", sugeriu.

"Agendas regressivas"
O jornalista Luiz Carlo Azedo analisou que Bolsonaro e Lula representam  "duas agendas regressivas".  "Não é só a agenda de Bolsonaro que é regressiva e reacionária, que se inspira no regime militar que só existe na cabeça dele e não corresponde à realidade. O projeto eleitoral de Lula também é uma agenda regressiva", afirmou. 

"O Brasil vive uma situação dramática por não conseguir colocar nada no lugar do nacional-desenvolvimentismo. A cada dia que se passa, nossa complexidade industrial diminui. O agronegócio se torna hegemônico do ponto de vista da economia, e não conseguimos colocar nada no lugar porque não temos força política com visão globalista e, ao mesmo tempo, projeto nacional. Essa síntese precisa ser produzida com  musculatura política", disse.

DEMOCRACIA X BOLSONARO


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O diretor-geral da FAP reforçou a necessidade de criação de ampla frente democrática, apesar de concordar que os reflexos do movimento que elegeu o presidente devem perdurar ao longo dos anos. "Bolsonaro pode sair, mas o bolsonarismo vai continuar entre nós por muito tempo, por várias razões", observou Araújo. Por isso, segundo ele, há urgência de excluir qualquer hipótese de Bolsonaro permanecer no poder por mais quatro anos. "Esse deve ser o nosso objetivo número um hoje", asseverou.

Na avaliação do diretor-geral, a democracia brasileira demonstrou fragilidades que deverão ser enfrentadas se houver interesse de fortalecê-la, afastando qualquer risco de "retrocesso autoritário". "A questão da frente não é pacífica, não está resolvida, mas, se não fizermos isso, não há como argumentar para os eleitores a busca por convergência nem no primeiro turno nem no segundo turno", explicou. Ele também observou que os partidos políticos ainda não conciliaram as suas próprias demandas com as da frente democrática, o que, conforme acrescentou, é um desafio para possibilitar a convergência.


BOLSONARISMO X FUTURO DO PAÍS

Artigos destacam temas importantes para o país e que serão definidos pelo governo Bolsonaro

As cidades e a tecnologia 5G - Um novo modo de vida vai se impor.
Mas, qual? O que os municípios podem negociar ou impor?

André Gomyde

A quinta geração de internet móvel, a 5G, está chegando. O leilão para a abertura das propostas das operadoras foi marcado para o dia 04 de novembro. A partir de janeiro de 2022 começará a se tornar realidade em nosso país. A 5G transformará nossas vidas de uma forma que ainda não podemos imaginar. Ela utiliza melhor o espectro das ondas de rádio e permite que mais dispositivos acessem a internet móvel ao mesmo tempo, com um aumento substancial de velocidade em relação à atual 4G.

Nem conseguimos ainda imaginar como nossos smartphones ficarão mais velozes para fazer downloads e uploads. Poderemos assistir filmes em excelente qualidade, levando apenas pouquíssimos segundos para baixá-los em nossos equipamentos. Nós também podemos imaginar que não teremos mais problemas de falta de sinal e que nossos telefonemas não cairão mais no meio da conversa.

Mas será que nós conseguiríamos imaginar um médico fazendo uma cirurgia em uma pessoa que está em Brasília, enquanto ele está fisicamente em Berlim? E nosso céu cheio de drones fazendo entregas de comidas e remédios? Hoje, já vemos nossas casas cheias de equipamentos que ligam e desligam sozinhos, tudo isso conectado com nossos aparelhos celulares e a gente coordenando as atividades residenciais diretamente do nosso local de trabalho. A 5G proporciona tudo isso.

Tudo vai ficar mais fácil, mais rápido e… mais interessante? Interessante, não sabemos. Aparecerão coisas que hoje não temos nem como pensar. Certamente, um novo modo de vida vai se impor - e teremos que nos adaptar. No entanto, a 5G, por trabalhar com comprimentos de ondas mais curtos, tem um alcance menor e, portanto, é mais facilmente bloqueada por objetos físicos. Isso exige uma quantidade muito maior de antenas de transmissão do que temos hoje. A questão das antenas é o ponto que começa a complicar toda a história. Muito já se discutiu sobre uma quantidade enorme de antenas espalhadas por toda as cidades - que ficarão feias. Quanto a isso, a tecnologia vem dando um jeito. As antenas evoluíram tecnologicamente e hoje têm um tamanho bastante reduzido e um formato bastante amigável.

André Gomyde: "Não se pode ter uma legislação nacional que obrigue os municípios a permitir que as antenas 5G sejam ali instaladas". Foto: Luiz Prado/Agência LUZ/Agência Sebrae

Outra discussão menos tranquila de resolver é: essa quantidade enorme de antenas em todos os lugares, emitindo radiação, prejudica ou não a saúde humana? As operadoras e empresas de tecnologia envolvidas dizem que não prejudica e apresentam seus estudos. Por outro lado, outros mostram o contrário. O fato é que não há ainda nada conclusivo sobre isso e em alguns países (lembro-me de Colômbia e Peru) essa discussão tem sido feita de forma bastante aprofundada pelos pesquisadores desses países.

Outra questão interessante é que a União não pode legislar sobre o território das cidades. Quem legisla sobre isso são as câmaras de vereadores. Portanto, não se pode ter uma legislação nacional que obrigue os municípios a permitir que as antenas sejam ali instaladas. Cada município terá que fazer sua própria legislação. Um prefeito que tenha compromisso com sua população e com o desenvolvimento de sua cidade não permitirá a instalação de antenas sem uma contrapartida das operadoras. Muito e muito dinheiro se ganhará com a 5G; o que ficará para a sociedade, em troca?

Já se sabe que o problema da conectividade tem aumentado de forma acelerada a desigualdade social. Com a 5G isso vai se potencializar. E se não cabe às operadoras cuidar da questão social, cabe aos prefeitos. Os prefeitos precisam se aprofundar na questão e encontrar os caminhos para que as antenas possam ser instaladas, mas, também, que a contrapartida ao município e à sociedade seja dada. A legislação federal já definiu que os municípios não podem cobrar direito de passagem das operadoras. Isso pode e deve ser revisto.

Mas há algumas outras coisas que podem ser também negociadas. Cada município saberá o que deve negociar. Uma dessas coisas que considero a mais importante: compartilhamento de dados e informações, que não sejam privados, com a prefeitura. Dados e informações são a base do conhecimento - que, por sua vez, é o grande capital do século XXI. Nossos dados e informações não podem, definitivamente, ser de exclusividade das operadoras e empresas de tecnologia. A Lei Geral de Proteção de Dados, infelizmente, não esgotou esse problema. Precisará ser aprimorada, para ajudar os prefeitos a não ter que travar a instalação de antenas nas cidades, sob pena de condenar sua população a ficar nas mãos de interesses que desconhecemos e que nunca conheceremos a fundo.

*André Gomyde é presidente do Instituto Brasileiro de Cidades Humanas, Inteligentes, Criativas e Sustentáveis e membro do júri do World e-Government Awards, da Coreia do Sul.


Tela de Miguel Alandia Pantoja/artista boliviano

O populismo veio para ficar?

Elimar Pinheiro do Nascimento

Apesar da derrota de Donald Trump nos Estados Unidos, o populismo continua forte em vários países como Polônia, Hungria e Turquia etc. Para nós, latino-americanos, ele não é novo, porém hoje é distinto. O populismo que conhecemos nos anos 1940/1960 era uma expressão política de países periféricos. Hoje, criou raízes no centro do mundo ocidental. O populismo “tradicional” atribuído sempre a políticos de direita, e com sentido pejorativo está presente agora na esquerda e na direita. Ele reúne políticos no governo de Nicolás Maduro (Venezuela), de Andrés Manuel López Obrador (México), Viktor Orbán (Hungria) e Jair Bolsonaro, e políticos de oposição como Jean Luc Mélenchon, à esquerda, e Le Pen, à direita, na França. O populismo de esquerda já tem teóricos como Ernesto Laclau e Chantal Mouffe.

O fato de o populismo atrair da extrema direita à esquerda não deveria ser estranho, pois se trata de uma ideologia vaga e contraditória. Por isso, os líderes populistas reúnem traços ambíguos, como Juan Perón e Getulio Vargas ou Beppe Grillo e Pedro Castillo. Ambiguidade e fluidez dificultam a sua compreensão. Assim, ele está em toda parte, mas a teoria que o explica não está em canto algum.

Um erro analítico frequente, motivado pela força atual da extrema direita no espaço populista, é considerar simploriamente que o populismo é uma negação da democracia. Longe disso -  o populismo contemporâneo expressa o conflito entre duas concepções de democracia. Ele é, simultaneamente, uma crítica ácida à democracia liberal e uma proposta de uma outra democracia, centrada na expressão da vontade popular. Trata-se de uma democracia direta, polarizada.

A forma que o populismo está assumindo varia, mas existem alguns elementos estruturantes. Vejamos alguns.

Como o populismo pretende refundar a democracia, e o povo é o seu centro, a eleição torna-se o instrumento mais legítimo, avalia Elimar. Foto: Reprodução/UnB

A afirmação do povo como um todo homogêneo é um desses traços comuns. O populismo nega – e se incomoda com - a heterogeneidade das sociedades modernas. Para criar uma homogeneidade, inexistente sociologicamente, os populistas promovem um conflito sobredeterminante, entre “nós e eles”. Se em cada local o “nós” é sempre o mesmo, o povo uno, o “eles” varia segundo as especificidades locais. Nos países de governos populistas na Europa, o “eles” são os imigrantes; nos Estados Unidos de Trump era a China; no Brasil de Bolsonaro são os comunistas. Frequentemente o “eles” são as elites, que mudam de camisa em cada local. É uma definição vaga o bastante para lhe dar força.

O líder exerce um papel importante na constituição do povo uno, pois ele é quem define quais são os interesses do povo e quem é o seu inimigo (o “eles”). O líder é aquele chamado a refundar a democracia, dando ao povo a sua centralidade. A vontade do povo é expressa por ele, que se identifica com o povo. A propaganda do populismo de direita na França é “Le Pen, o povo”. Trump, declarava: “Eu sou a voz de vocês”.

Como o populismo pretende refundar a democracia, e o povo é o seu centro, a eleição torna-se o instrumento mais legítimo. Por isso, o referendo ocupa um espaço privilegiado, pois é por ele que o povo pode clamar sua vontade. Para os populistas, o referendo elimina os partidos políticos como organizadores da vontade popular e considera a mídia como deturpadora da expressão popular. A democracia direta e polarizada, sem poderes intermediários para criar dificuldades ao governo executivo, e o sonho populista. Por isso, o poder judiciário, porque não eleito, deve ser subalterno.

Finalmente, os populistas fundam regimes políticos regidos pelas emoções. O excesso de informações disponíveis no mundo moderno torna esse mundo mais opaco. A velocidade das mudanças torna-o mais inseguro. O populismo adota uma forma simples e confortável de explicação do complexo: o conspiracionismo. Dizem os populistas: se você não entendeu a linguagem, é porque os inimigos não querem que você compreenda o que se passa, estão conspirando contra você. As teorias de complô exercem múltiplas funções: política, cognitiva e psicológica. O populismo capta as emoções primárias das pessoas mais simples (do ponto de vista cognitivo e não econômico): a raiva e o ressentimento. Oferece aos mais angustiados um real vivido, e não aquele refletido nas estatísticas e análises. Se o governo de Beppe Grillo é formado por pessoas ignorantes da gestão pública é porque eles não são da elite, não são corruptos - o que poderia ser defeito transforma-se em virtude. O presidente que come pizza em pé na calçada em New York não é algo do qual se deva sentir vergonha, como dizem os jornais do mundo inteiro - deve ser motivo de orgulho, pois mostra que ele é do povo.

Assim, o populismo que nasce e alimenta o negacionismo e o conspiracionismo é o grande desafio da democracia liberal. Terá ela instrumentos eficientes para vencê-lo?

*Elimar Pinheiro do Nascimento é sociólogo, professor da pós-graduação no CDS/UnB, membro do Conselho consultivo da Fundação Astrojildo Pereira.


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Ampla frente democrática será discutida pela FAP como alternativa a Bolsonaro


FAP investe R$ 1,8 milhão em eventos político-culturais

Relatório de Gestão de 2016 a 2018 mostra avanços da fundação no diálogo com a sociedade, alcançando mais de 400 mil pessoas, em dois anos, na internet

Por Cleomar Almeida

A Fundação Astrojildo Pereira (FAP), vinculada ao Partido Popular Socialista (PPS), investiu R$ 1.898.438,67 em 41 eventos culturais e políticos para 160.516 pessoas no total, sendo 16.224 delas presencialmente e 144.292 via online, segundo o relatório de atividades da gestão de 2016 a 2018 divulgado nesta sexta-feira (09/11). Reformas Trabalhista e da Previdência, desenvolvimento sustentável, mulheres e negros na política, inclusão social e combate à homofobia estiveram entre os temas levados à discussão na sociedade brasileira, em um dos períodos de maior turbulência política, econômica e social da história do país. Na internet, conforme o documento, os conteúdos da FAP alcançaram mais de 400 mil pessoas no total.

Com foco também na questão cultural, segundo a diretoria, a FAP investiu R$ 542 mil na reforma da Biblioteca Salomão Malina e do Espaço Arildo Dória, mantidos pela fundação no Conic, um importante centro de comércio e de entretenimento próximo à Rodoviária do Plano Piloto de Brasília (DF). Com ambiente confortável e climatizado, a biblioteca ampliou o seu acervo, passando para 6,5 mil livros disponíveis para consulta e empréstimo ao público, e atraiu 4.716 usuários de janeiro a setembro de 2018, de acordo com o relatório. Outros R$ 30,2 mil foram investidos na reforma da sede da fundação, na quadra 509 da Asa Norte, na capital federal.

» Acesse aqui o Relatório de Atividades da Fundação Astrojildo Pereira (2016-2018)

A FAP também tornou-se a primeira fundação privada a firmar acordo de parceria com a Associação de Pais e Amigos de Excepcionais do Distrito Federal (Apae-DF), por ser, de acordo com a diretoria, movida pelo ideal de inclusão social. Dois alunos e uma supervisora da entidade foram contratados, temporariamente, para realizar a higienização do acervo mais antigo da biblioteca, localizado em uma sala da FAP. As obras, em seguida, foram colocadas à disposição do público na Biblioteca Salomão Malina.

Além disso, conforme aponta o balanço de gestão, a FAP distribuiu 57.763 livros para a comunidade, a maioria deles por meio de doações nos eventos, que se realizaram por meio de congressos, seminários, feiras, encontros e lançamentos de obras. Sempre procurando contemplar a maior diversidade possível da população, segundo a diretoria. Jovens envolvidos com a política, pesquisadores, colaboradores, parlamentares, historiadores, escritores, sociólogos e procuradores com atuação no país ou no exterior estiveram entre aqueles que compareceram aos eventos realizados pela fundação, no período.

Avanço na internet
Essa preocupação em atender aos diferentes públicos, de acordo com o documento, levou a FAP a investir em profissionais jornalistas responsáveis pela produção de conteúdo informativo e na divulgação dele na internet, um ambiente que pode ser usado, cada vez mais, de forma democrática e plural. Para ter uma ideia, segundo levantamento do Departamento de Suporte e Tecnologia da fundação, o novo site da FAP e os perfis da fundação nas redes sociais alcançaram, no total, mais de 400 mil pessoas, em dois anos.

Para impulsionar ainda mais o contato com a sociedade em geral, a FAP lançou, em outubro, a versão online da revista Política Democrática, que oferece ao leitor reportagem especial sobre tema atual, relevante e de interesse público, além de análises de renomados especialistas brasileiros. “Com o propósito de dar continuidade a um projeto de publicação impressa, que, desde o começo do século, procura debater política, democracia, esquerda e cultura na conjuntura brasileira”, conforme diz o editoral da primeira edição.

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Cristovam Buarque assume a presidência e Luiz Carlos Azedo a direção geral da FAP

Com a presença do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do ministro da Cultura Roberto Freire, dos senadores José AníbalMarta Suplicy e Cristovam Buarque, dos deputados federais Alex Manente Pollyana Gama, do deputado estadual Davi Zaia e do secretário da Agricultura do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, foram empossados os novos diretores e conselheiros da FAP (Fundação Astrojildo Pereira) para o biênio 2017-2018, em solenidade realizada no sábado, 3 de dezembro, na Câmara Municipal de São Paulo.

Tanto Roberto Freire quanto Arnaldo Jardim são também deputados federais licenciados. Ao ser nomeado ministro, Freire se afastou da Câmara dos Deputados e da presidência nacional do PPS, assumida agora por Davi Zaia, até então secretário-geral e presidente estadual do PPS em São Paulo, função pela qual passou a responder Alex Manente.

O novo presidente do Conselho Curador da FAP é o senador Cristovam Buarque, e o diretor-geral é o jornalista Luiz Carlos Azedo, colunista político do Correio Braziliense. A presidência de honra será ocupada pelo cientista social Luiz Werneck Vianna, mestre em ciência política pelo Iuperj e doutor em sociologia pela USP.

O ato foi transmitido online pela TVFAP.net, que durante a semana colocará no ar a íntegra do evento à disposição do público e também prepara para o próximo #ProgramaDiferente um especial sobre a solenidade da FAP. Enquanto isso, você acompanha matéria com FHC, Cristovam, Marta, Roberto Freire, Davi Zaia, Azedo e Arnaldo Jardim falando sobre o atual momento político do Brasil, o governo de transição do presidente Michel Temer e as expectativas para o ano de 2017.


Eleição dos novos dirigentes da FAP

Fundação terá novos membros a partir de novembro para o biênio 2016/2018

No último sábado (08), membros do Conselho Curador e da Diretoria, estiveram reunidos em Brasília, por mais de 6 horas para realizar um balanço das atividades da Fundação Astrojildo Pereira - FAP - e eleger seus novos dirigentes. A reunião que contou com a presença de 26 membros, entre titulares, suplentes e futuros membros, elegeu por unanimidade a nova diretoria executiva e os conselhos, cujos mandatos se iniciam no dia 7 de novembro. A posse da nova diretoria será imediata e a dos novos conselhos, no dia 3 de dezembro do corrente ano. A atual gestão foi bastante elogiada pelos presentes, e deve ter ações continuadas ou aprimoradas no próximo mandato, devido a grande contribuição cultural e política de suas atividades.

A reunião foi conduzida pelo então presidente do Conselho Curador, Alberto Aggio, que apresentou breve currículo dos que irão compor a próxima gestão, tanto da diretoria quanto dos Conselhos: Curador, Consultivo e Fiscal. Enfatizou-se que a nova composição dos conselhos tem, como nas anteriores, mas agora com mais ênfase, membros filiados e não filiados ao Partido Popular Socialista (PPS), ao qual a Fundação é institucionalmente vinculado.

img_0017O diretor geral, Juarez Amorim, comentou o bom momento vivenciado pela FAP e reiterou a grande contribuição da Conferência Nacional Sobre As Cidades - reunindo teoria e prática para melhorar a qualidade de vida nas cidades -, e da Academia Digital Itamar Franco (cursos em EAD). O dirigente encerrou sua fala agradecendo a contribuição dos demais durante sua gestão e desejou às boas-vindas aos novos dirigentes. O futuro diretor executivo, Luiz Carlos Azedo, explanou sobre as propostas da nova diretoria e pontuou a relevância dos novos integrantes que não estão vinculados ao PPS.

A reunião foi dividida em dois momentos (balanço do atual mandato e eleição do novo), com abertura de fala, entre estes, que durou pouco mais de 1 hora, onde os presentes puderam contribuir com sugestões para o próximo mandato e pontuaram ações ocorridas na atual gestão. O encontro foi encerrado com a aprovação de um esboço de programação das atividades para o ano de 2017.

Participaram da reunião: Juarez Amorim, Renato Atílio, Maurício Huertas, Sônia Francine Marmo, Alberto Aggio, Arlindo Oliveira, Caetano Araújo, Ciro Leichsenring, Cléia Weyrauch, Dina Kinoshita, Francisco Almeida, George Oliveira, José Cavalcante, Lucília Garcez, Luiz Carlos Azedo, Mércio Gomes, Raimundo de Jesus, Sérgio Morais, Amílcar Baiardi, Davi Emerich, Ubaldo Araújo, Ulrich Hoffmann, Vladmir da Silva, Lenise Loureiro, Luzia Ferreira e Miguel Ribeiro.

Por: Ana Paula Miranda – Assessoria em Comunicação