Plano de Ação para uma Cidade mais Verde e Mitigação das Mudanças Climáticas

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O plano, que visa à sustentabilidade urbana, envolve todos os níveis de governo, o Conselho da Cidade, moradores, empresas e organizações da sociedade civil. Diversas metas foram estabelecidas. Além disso, o Conselho Municipal de Vancouver também aprovou uma estratégia global de adaptação às mudanças climáticas.

Descrição:

O Plano de Ação para uma Cidade mais Verde, juntamente com a Estratégia de Adaptação para as Mudanças Climáticas, consolida um método para que a cidade de Vancouver permaneça na vanguarda da sustentabilidade urbana e resista às intempéries causadas pela mudança climática.

O plano envolve a população, empresas, organizações não governamentais e, fundamentalmente, o governo. As ações estão sendo implementadas e, por meio de um conjunto de metas mensuráveis e atingíveis, os resultados já estão sendo colhidos.

O plano teve início em 2007 e é dividido em três áreas fundamentais de atuação: carbono zero, resíduo zero e ecossistemas saudáveis.

As áreas de atuação são desenvolvidas por meio de 10 eixos: clima e energias renováveis; edifícios verdes; transporte verde; resíduo zero; acesso à natureza; água limpa; agricultura local; ar limpo; economia verde; e pegada ecológica. Cada eixo apresenta, pelo menos, uma meta a ser atingida até 2020.

– No eixo clima e energias renováveis, por exemplo, a meta é reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 33% até 2020, a partir dos níveis de 2007.

As ações para alcançar a meta estão em execução. Uma delas é a expansão contínua das redes de energia. Outra é a melhoria na forma de captação do metano proveniente da decomposição do lixo do aterro, para utiliza-lo no aquecimento e na geração de eletricidade.

– No eixo edifícios verdes, uma das metas é passar a exigir que, a partir de 2020, todos os edifícios construídos na cidade sejam neutros em emissões de carbono.

As ações relacionadas a esse eixo vão desde incentivos para construções verdes até lançamentos de programas de economia energética.

Em 2015 entrou em vigor uma nova lei municipal que amplia os requisitos de eficiência energética dos novos edifícios e, ao mesmo tempo, exige que os prédios mais antigos sejam reformados para reduzir o consumo de energia.

– No eixo transporte verde, pretende-se que mais de 50% da população se locomova a pé, de bicicleta ou de transporte público até 2020. Uma das medidas para isso é aproximar moradia, trabalho e serviços básicos.

A infraestrutura para pedestres e bicicletas foi amplamente aperfeiçoada.  Criou-se um programa de compartilhamento de bicicletas e foram colocadas em prática diversas ações para melhorar o trânsito, entre as quais a ampliação dos serviços de ônibus e trem, com novas rotas e mais veículos.

– No eixo resíduo zero, a meta até 2020 é reduzir em 50% os resíduos sólidos que vão para o aterro sanitário ou incinerador (a partir dos níveis de 2008). No longo prazo, o objetivo é zerar os resíduos.

Entre as ações desenvolvidas destacam-se: apoio ao consumo e à produção de orgânicos; políticas de expansão da reciclagem de restos de alimentícios; campanhas educativas; reutilização de materiais (incluindo resíduos de materiais de construção); e implantação de legislação abrangente para tratar do assunto.

No início de 2015, o governo de Vancouver proibiu o descarte de restos de comida no lixo. Para que isso fosse possível, desde 2014 foi constituído um programa de coleta de lixo orgânico nos edifícios residenciais.

O programa de expansão de reciclagem transfere a responsabilidade de reciclar para as empresas produtoras dos materiais.

– O eixo acesso à natureza tem como meta que, até 2020, todos os residentes de Vancouver caminhem, no máximo, cinco minutos para chegar a um parque, caminho verde ou outro espaço arborizado.  Outra meta é plantar 150.000 novas árvores.

– O eixo água limpa objetiva manter a qualidade da água potável e reduzir o consumo per capita em 33% (a partir dos níveis de 2006).

Para alcançar esses objetivos, são realizados rotineiramente testes e monitoramento das fontes de água da cidade e adotadas medidas para reduzir o consumo de água por parte da indústria e do comércio. Além disso, os moradores recebem incentivos para diminuir o uso da água e ações educativas são realizadas periodicamente. Medidas também foram colocadas em prática para reduzir perda de água tratada.

Outra preocupação é evitar a contaminação das águas limpas. A tubulação de esgotos está sendo trocada, para que as águas pluviais não se misturem com o esgoto.

– No eixo agricultura local, a meta é aumentar a produção de alimentos na cidade em, no mínimo 50% (em relação aos níveis de 2010).

Entre as medidas adotadas para atingir a meta estão: ampliação dos mercados agrícolas e feiras comunitárias para a comercialização dos produtos; investimentos em projetos comunitários de agricultura urbana; e ampliação das cozinhas comunitárias.

– No eixo ar limpo, a meta é atender ou superar as diretrizes de qualidade do ar do Governo de Vancouver, do Canadá e da Organização Mundial da Saúde.

Apesar da boa qualidade do ar da cidade, embora haja uma preocupação com o aumento dos níveis de poluentes e seu impacto na saúde da população, o governo estabeleceu diversas ações de curto prazo.

Entre as ações destacam-se: manter, ao menos, duas estações permanentes de monitoramento da qualidade do ar dentro dos limites da cidade; estimular o uso de veículos elétricos e dotar a cidade da infraestrutura necessária para esses veículos; disponibilização dos dados sobre a qualidade do ar e ampla divulgação dessa informação.

– No eixo economia verde, a cidade pretendem dobrar o número de empregos verdes até 2020 (em relação aos níveis de 2010) e dobrar a quantidade de empresas empenhadas em incluir a economia verde em suas operações.

Para alcançar as metas, diversos programas foram lançados. Entre eles, destacam-se:

1) Criação de um roteiro de empregos verdes, em parceria com a comunidade empresarial;

2) Lançamento do Programa Demonstração Verde Digital (GDDP), que vai acelerar o ritmo de inovações, visando o crescimento de empregos em tecnologias limpas. O programa oferece oportunidades aos empreendedores e start-ups para testarem suas inovações;

3) Projeto para transformar a área False Creek Flats no lugar mais verde para se trabalhar. Esta área é o lar de mais de 500 empresas e está em transição, de uma zona industrial tradicional para uma área que apresenta inovação verde. O projeto contempla edifícios verdes e infraestrutura inteligente, que abriga indústrias relacionadas com a sustentabilidade;

4) Outra iniciativa da cidade é o compartilhamento de automóveis, que cresceu aproximadamente 37% em três anos.

– No eixo pegada ecológica, o objetivo é reduzir a pegada ecológica de Vancouver em 33% (em relação a níveis de 2006).

As ações para alcançar essa meta são: capacitação aos moradores para que tomem medidas mais ecológicas; incentivo para a formação de líderes comunitários; desenvolvimento de uma estratégia de compartilhamento da economia municipal; desenvolvimento de parcerias e conexões para programas de infraestrutura focados na redução da pegada ecológica no que diz respeito ao consumo de alimentos; e continuidade na expansão do programa Cidade mais Verde.

Todos esses eixos, metas e ações interligadas fizeram de Vancouver uma cidade exemplo e vão contribuir para um impacto positivo global.

Objetivos:

– Fortalecer a economia local;

– Implantar bairros bem planejados e inclusivos;

– Atender às necessidades das gerações futuras;

– Eliminar a dependência da cidade dos combustíveis fósseis e alcançar 100% de energia renovável, para se tornar a cidade mais verde do mundo.

Cronograma e Metodologia:

– O Conselho Municipal de Vancouver aprovou uma estratégia global de adaptação às mudanças climáticas;

– O Fundo Cidade Mais Verde foi criado em 2011;

– Em 2012, Vancouver começou a trabalhar em várias ações primárias como uma estratégia abrangente de adaptação às alterações climáticas, incluindo o planejamento de gestão integrada de águas pluviais, revisão da política de imunidade à inundação, e planejamento do manejo florestal urbano;

– O plano de ação tem um horizonte para 2020;

– O plano é dividido em três áreas fundamentais de atuação: carbono zero, resíduo zero e ecossistemas saudáveis. As áreas de atuação contemplam 10 eixos;

– Cada eixo tem, pelo menos, um objetivo mensurável até 2020;

– Todas as ações correntes e seus resultados são registrados e avaliados por levantamento de indicadores, formulação de relatórios, pesquisas anuais com moradores, contagem anual de bens e serviços, estudos periódicos, entre outros métodos. Em geral, os relatórios apresentam os dados do ano anterior;

– Os relatórios são formulados e avaliados pelos departamentos governamentais responsáveis por cada assunto e são amplamente divulgados.

Resultados:

– Redução de 7% nas emissões de gás carbônico de 2007 até 2014;

– Os edifícios verdes diminuíram em 5% suas emissões de gás carbônico de 2007 até 2014;

– Com a rede de energia distrital, um dos bairros da cidade alcançou redução de 60% nas emissões dos edifícios, utilizando a recuperação da energia gerada pelos esgotos, e passou a ser exemplo mundial;

– Equipe do governo de Vancouver foi recentemente convidada para liderar um grupo de trabalho de distribuição de energia por distritos para a C40, uma rede internacional de grandes cidades;

– O programa de captura do gás metano nos aterros sanitários e sua utilização para aquecer os edifícios no local, estufas próximas e ainda gerar eletricidade, evitou em 2014, a emissão de 505.000 toneladas de gases de efeito estufa, o equivalente à retirada de mais de 126.000 carros das ruas por um ano;

– Visando à qualidade do ar: a cidade possui atualmente mais de 200 estações para carregar baterias de veículos elétricos. Em 2015, a lei municipal foi atualizada para ampliar a infraestrutura aos veículos elétricos;

– A quantidade de resíduos sólidos encaminhados ao aterro ou para incineração foi reduzida em 18%, entre 2008 e 2013;

-Desde 2014, 93% dos edifícios residenciais passaram a ser atendidos pelo programa de eliminação de resíduos orgânicos.

– O consumo de água per capita teve redução de 16% no período 2006-2014;

– Entre 2010 e 2013, o número de empregos verdes subiu de 16.700 para 19.900, ou seja, ocorreu um acréscimo de 19%;

– Inauguração de quatro novos parques, planejados e interligados com o sistema cicloviário, que foram implantados com a participação da comunidade;

– Em 2014, 92,7% da população da cidade morava a cincos minutos a pé de um espaço verde;

– Em 2014, 50% da população já se locomovia a pé, de bicicleta ou de transporte público, e a distância média percorrida por habitante foi reduzida em 21% (em comparação com 2007);

– A produção de alimentos nos bairros de Vancouver aumentou em 36% (em comparação com 2010);

– Vancouver inseriu milhares de munícipes em programas de compostagem doméstica, melhorou o acesso da população a alimentos, incentivou o crescimento de mercados locais, que podem ser acessados a pé ou de bicicleta, e ampliou a oportunidade de crescimento da agricultura local;

– Diversas novas hortas comunitárias foram concluídas em 2014 e instaladas, entre outros locais, em parques da cidade;

– Nos últimos três anos, o município passou a oferecer gratuitamente árvores frutíferas à sociedade, para serem plantadas nos espaços destinados às hortas. Aproximadamente 400 árvores frutíferas foram plantadas a partir desse programa. Além disso, mais de 2.300 árvores frutíferas já foram doadas para serem plantadas em pomares urbanos das famílias interessadas;

– Em 2014, 21.750 pessoas estavam envolvidas em 12 redes de alimentação de bairros na cidade;

– O número de casos de não cumprimento das normas de qualidade do ar baixou de 27, em 2008, para zero, em 2013.

Instituições Envolvidas:

Governo Local de Vancouver

Fontes:

Mudança Climática

Cidade de Vancouver

ICLEI

Plano Cidade Mais Verde

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