Luiz Carlos Azedo: Lula confirma Alckmin de vice e teme reeleição de Bolsonaro

O plano da ética deixou de ser uma prioridade para a maioria dos eleitores, mas ainda é uma variável que pode decidir a eleição
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Foto: Reprodução/Crusoé
Foto: Reprodução/Crusoé

Luiz Carlos Azedo / Nas Entrelinhas / Correio Braziliense

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou, ontem, que vai mesmo convidar o ex-governador de São Geraldo Alckmin para ser o vice na sua chapa à Presidência, a despeito das resistências do PT e de partidos de esquerda que o apoiam, como o PSol. Alckmin deve se filiar ao PSB para consolidar a aliança, independentemente da disputa entre o ex-prefeito Fernando Haddad (PT) e o ex-governador Márcio França (PSB). O lançamento da chapa deve ocorrer em meados de abril. O líder petista tem dito que os descontentes com a aliança devem procurar outro candidato.

Apesar de ser o líder absoluto nas pesquisas de opinião, Lula está preocupado com a resiliência do presidente Jair Bolsonaro, do qual vem mantendo uma distância em torno de 10% das intenções de votos, segundo as pesquisas. Para quem já participou de muitas eleições, perdeu três e ganhou duas, essa diferença é muito pequena para se subestimar o adversário. O “já ganhou” petista não fez a cabeça de Lula. Avalia que Bolsonaro ainda tem a possibilidade de se reeleger, porque sua candidatura parece ter um lugar garantido no segundo turno.

Lula ancora sua candidatura na militância de esquerda, no recall de seu governo (2003-2010) junto às parcelas mais pobres da população e na ojeriza à Bolsonaro de parte da classe média. O presidente da República também tem uma relação consolidada com os mundos rural, que migrou para as cidades do interior; evangélico, com o qual tem identidade do ponto de vista dos costumes; e com os setores reacionários, que idealizam o antigo regime militar e defendem uma espécie de ditadura do Executivo.

Essa polarização está inviabilizando o surgimento de uma candidatura da chamada “terceira via”. Por mais que tente ampliar sua campanha, o ex-governador Ciro Gomes (PDT) não consegue ocupar esse espaço porque é contingenciado por Lula, à esquerda, e ao mesmo tempo muito identificado com o petista para conquistar os eleitores de centro. Situação diametralmente oposta é a do ex-juiz Sergio Moro, que não está conseguindo penetrar no eleitorado bolsonarista como imaginava e, por causa do perfil conservador, também enfrenta resistência até mesmo de setores liberais.

O fracasso”nem nem”

Num encontro aparentemente promissor, domingo, em São Paulo, os presidentes do PSDB, Bruno Araújo, do MDB, Baleia Rossi, e do União Brasil, Luciano Bivar, com participação da senadora Simone Tibet (MS), firmaram um pacto para apoiar uma candidatura única, a ser definida entre maio e junho. O encontro contou com o apoio velado do governador de São Paulo, João Doria, que já manifestou a intenção de ter a senadora como vice. A emedebista não tem nada a perder, porque pode até consolidar sua candidatura como alternativa, em caso de desistência de Doria. A ideia dos três partidos, por hora, é formar uma coligação, na qual o Cidadania também participaria como coligado, por ter aprovado uma federação com o PSDB.

Entretanto, no campo da chamada “terceira via” falta uma definição: a filiação ou não do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, ao PSD de Gilberto Kassab. Os dois estão para ter uma conversa definitiva hoje. O tucano gaúcho foi derrotado por Doria nas prévias do PSDB, que deixaram feridas não cicatrizadas. Uma ala do partido, liderada pelo deputado Aécio Neves (MG), tenta convencê-lo a permanecer na legenda, na expectativa de que Doria acabe desistindo de concorrer. Outra ala, encabeçada por Tasso Jereissati e José Aníbal, apoia sua intenção de se desligar da legenda para ser candidato, porém, namora a candidatura de Tebet.

Esses candidatos juntos não chegam a 20% de eleitorado. Sem um mínimo de convergência, ninguém chegará ao segundo turno. Na prática, a “terceira via” está se estreitando muito. Não é capaz de viabilizar uma alternativa, porém impede uma vitória de Lula no primeiro turno.

O embate entre Lula e Bolsonaro se estabelece, principalmente, no plano econômico, onde o desempenho do governo do petista foi muito superior, não importa se deixou o governo anabolizado. No plano político, é um confronto ideológico radicalizado, do tipo esquerda x direita, que os setores moderados da sociedade não aceitam. O terceiro plano é o da ética, que deixou de ser uma prioridade para a maioria dos eleitores, mas ainda é uma variável que pode decidir a eleição.

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