Hamilton Garcia: Ciro e a rebeldia da esperança

A resultante disto tudo foi representada pelo candidato ao comparar o PIB per capita do Brasil e da China nos anos 1980
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Foto: André Carvalho/CNI
Foto: André Carvalho/CNI

Hamilton Garcia

Ciro é uma candidatura que nos traz esperança. Não só porque nos apresenta um Plano Nacional de Desenvolvimento (PND), que tem feito muita falta nestes 41 anos de semi-estagnação, que nos colocou no patamar de decadência e crise onde hoje nos encontramos. Mas porque tem a coragem de indicar os culpados por este resultado: o pacto político-econômico (democraticamente) instituído desde Collor, passando por FHC e Lula, até Bolsonaro, calcado no desmonte da indústria nacional em proveito do aumento do consumo das famílias, por meio de um câmbio distorcido (pró-importação) que prejudica as condições de competitividade dos produtos brasileiros e destrói nossos melhores empregos.

A perversa mágica funcionou graças ao êxito do Plano Real, que conteve a inflação, junto às políticas de amparo aos miseráveis, à valorização do salário mínimo – sem contrapartida no aumento da eficiência do trabalho. O exponencial aumento do crédito privado também teve papel relevante, não obstante o endividamento dos cidadãos, que Lula alavancou, via crédito consignado à juros altos, denunciado por Ciro em 2018.

Iludida a maioria da população, que nunca pôde consumir tanto, viajando até para o exterior, o que chancelou as seguidas vitórias eleitorais de PSDB e PT, o modelo tratou de agravar nossas disparidades de renda, não obstante as “bondades” aos pobres. O empresariado brasileiro também teve seu quinhão com isenções tributárias bilionárias, ineficazes e prejudiciais ao Tesouro Nacional. Fechando o pacote, ainda tivemos as regalias da aristocracia burocrática dos Judiciários, Ministérios Públicos, Legislativos e setores do Executivo, sem esquecer os privilégios da elite política — da União ao Município – e os trilhões do Orçamento Nacional entregues aos grandes grupos financeiros credores da dívida pública.

A resultante disto tudo foi representada pelo candidato ao comparar o PIB per capita do Brasil e da China nos anos 1980, quinze vezes ao nosso favor, com o resultado de hoje, abaixo de 80% do nível alcançado pelos chineses. Transcorridas quatro décadas, a China, em parte inspirada em nossa trajetória passada, quando éramos campeões em crescimento econômico, não só se transformou numa nação próspera, por meio do trabalho e da educação, no lugar da mera compensação de renda e oportunidades, como despontou como potência econômica, já superando os EUA.

Ciro, com sua candidatura, nos presta um grande serviço, embora ainda pague o preço por ter se mantido por tanto tempo próximo ao lulopetismo e seu projeto de distribuição de renda populista, sem trabalho e sem educação. Talvez pudesse diminuir o tempo/espaço perdido e aumentar suas chances com a classe média, se reconhecesse os méritos da operação Lava-Jato – não obstante os inevitáveis erros cometidos no contexto de um país campeão em impunidade e privilégios.

A política, porém, é assim mesmo: feita de maneira aleatória e anárquica, quase sempre separando aquilo que deveria andar junto, para se obter melhor resultado. Em nosso caso, uma política de desenvolvimento articulada à libertação do Estado, aprisionado por parasitas e demagogos que se alimentam da corrupção institucionalizada.

A grave crise brasileira, que Ciro teve a honestidade de colocar no centro do palco eleitoral, como outrora fizera Brizola, todavia, tende a forçar a convergência que as consciências teimam em renegar pelos efeitos da condição humana. É só uma questão de tempo para que a Rebeldia da Esperança encontre seu verdadeiro caminho.

*Hamilton Garcia é cientista político (UENF/DR)

Fonte: Folha da Manhã
https://opinioes.folha1.com.br/2022/01/22/hamilton-garcia-ciro-e-a-rebeldia-da-esperanca/

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