Bolsonaro tripudia de acidente, mortes na pandemia e decisões técnicas

Na quarta, presidente fez piada com a cratera que se abriu na marginal Tietê, em SP
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Foto: Alan Santos/PR
Foto: Alan Santos/PR

Na última quarta-feira (2), o presidente Jair Bolsonaro (PL) fez piada com a cratera que se abriu nesta semana no asfalto na marginal Tietê, em São Paulo.

Parte do asfalto da pista da marginal cedeu após o rompimento de uma tubulação de esgoto, que inundou um poço de ventilação da obra da linha 6-laranja do metrô.

Funcionários conseguiram escapar daquilo que poderia ter sido uma tragédia, motoristas paulistanos viram o trânsito piorar na região e o prazo para a entrega da nova linha do metrô pode ser prorrogado.

Apesar disso, Bolsonaro zombou do acidente. “Semana que vem a gente conclui a transposição do [rio] São Francisco. Em São Paulo, eu vi a transposição do Tietê”, disse, rindo, o presidente.

Essa foi a última de uma série de situações parecidas de Bolsonaro ao longo de seu governo. Abaixo, relembre alguns desses casos.

MORTE NA DITADURA

Em julho de 2019, seu primeiro ano de governo, Bolsonaro disse que poderia explicar ao presidente da entidade, Felipe Santa Cruz, como o pai dele desapareceu durante a ditadura militar (1964-1985).

afirmação em tom de provocação ocorreu ao reclamar sobre a atuação da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) na investigação do caso de Adélio Bispo, autor do atentado à faca do qual foi alvo em 2018.

“Por que a OAB impediu que a Polícia Federal entrasse no telefone de um dos caríssimos advogados? Qual a intenção da OAB? Quem é essa OAB? Um dia, se o presidente da OAB quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, conto pra ele. Ele não vai querer ouvir a verdade. Conto pra ele.”

“Não é minha versão. É que a minha vivência me fez chegar nas conclusões naquele momento. O pai dele integrou a Ação Popular, o grupo mais sanguinário e violento da guerrilha lá de Pernambuco e veio desaparecer no Rio de Janeiro”, disse Bolsonaro.

Felipe é filho de Fernando Augusto Santa Cruz de Oliveira, desaparecido em fevereiro de 1974, após ter sido preso junto de um amigo chamado Eduardo Collier por agentes do DOI-Codi, órgão de repressão da ditadura militar, no Rio de Janeiro.

Fernando era estudante de direito e funcionário do Departamento de Águas e Energia Elétrica em São Paulo e integrante da Ação Popular. Felipe tinha dois anos quando o pai desapareceu.

No relatório da Comissão Nacional da Verdade, responsável por investigar casos de mortos e desaparecidos na ditadura, não há registro de que Fernando tenha participado da luta armada.

MORTES NA PANDEMIA

Em abril de 2020, no início da pandemia, Bolsonaro deu uma declaração que ficou marcada como um dos símbolos sobre a forma como tem tratado as vítimas da Covid.

Questionado na ocasião a respeito das mortes, Bolsonaro disse: “Eu não sou coveiro“.

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ANVISA

Em novembro de 2020, portanto antes do início da vacinação contra a Covid no país, Bolsonaro afirmou que a então suspensão pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) dos estudos clínicos da Coronavac no Brasil era “mais uma que Jair Bolsonaro ganha“.

Os comentários do presidente foram feitos no Facebook, em resposta a um seguidor que lhe perguntou se o imunizante contra a Covid-19 em desenvolvimento por uma farmacêutica chinesa e pelo Instituto Butantan seria comprada pelo governo federal.

“Morte, invalidez, anomalia. Esta é a vacina que o [governador João] Doria queria obrigar todos os paulistanos a tomá-la”, escreveu o presidente como resposta. “O presidente [Bolsonaro] disse que a vacina jamais poderia ser obrigatória. Mais uma que Jair Bolsonaro ganha”.

Junto à reposta, o presidente publicou o link de uma notícia sobre a decisão da Anvisa de suspender os testes. Na ocasião, a agência informou que determinou aquela interrupção do estudo clínico da vacina Coronavac no Brasil após a ocorrência de um evento adverso grave.

VACINA

Em janeiro de 2021, Bolsonaro ironizou o percentual de eficácia apresentado pelo Instituto Butantan para a Coronavac, vacina contra a Covid-19. O instituto detalhava naquele momento que o imunizante tem eficácia geral de 50,38%.

“Essa de 50% é uma boa?”, indagou Bolsonaro a um apoiador que o abordou sobre a vacina no jardim do Palácio da Alvorada.

“O que eu apanhei por causa disso. Agora estão vendo a verdade. Estou há quatro meses apanhando por causa da vacina. Entre eu e a vacina tem a Anvisa. Eu não sou irresponsável. Não estou a fim de agradar quem quer que seja”, disse Bolsonaro.

O percentual de eficácia havia sido informado à Anvisa no pedido de registro emergencial da vacina e estava acima dos 50% requeridos universalmente para considerar um imunizante viável.

INSULTO A REPÓRTER

Em fevereiro de 2020, a se basear em declarações falsas de um depoente na CPI das Fake News do Congresso, Bolsonaro insultou, com insinuação sexual, a jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha.

“Ela [repórter] queria um furo. Ela queria dar o furo [risos dele e dos demais]”, disse o presidente, em entrevista diante de um grupo de simpatizantes em frente ao Palácio da Alvorada. Após uma pausa durante os risos, Bolsonaro concluiu: “a qualquer preço contra mim”.

O insulto de Bolsonaro foi repudiado por representantes de diversos partidos e políticos e por entidades jornalísticas, que consideraram a fala um ataque à democracia. A palavra “furo” é um jargão jornalístico para se referir a uma informação exclusiva.

Fonte: Folha de S. Paulo
https://www1.folha.uol.com.br/poder/2022/02/bolsonaro-tripudia-de-acidente-mortes-na-pandemia-e-decisoes-tecnicas-relembre-casos.shtml

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